Número 22
A Escola Idealista de Lisboa
Boletim de Ideias Filosóficas
Revista Opúsculos
“Opúsculos
sobre o Fim de Um Mundo”, revista não oficial de poesia, filosofia e religião, lançada
em 2007 com a divisa, “esta é a minha verdade conta-me a tua” (desde o número
11 referenciada como “Boletim de Ideias Filosóficas”).
Ilustrada com quadros dos mestres, quadros de novos artistas, promessas
desconhecidas, serigrafias, poesias, breves e profundas orações (só nos
primeiros números consegui colocar as ilustrações).
Nos primeiros números, pequenos contos, textos, explorando ideias da
filosofia. Outros números, foram trabalhos para determinada cadeira e que acho
que tem validade como tijolo na construção e sistematização de uma tese geral.
Revista feita por alunos e estudantes de filosofia, nas suas páginas, os
textos preliminares dos pretendentes na descoberta e edificação de um pensar
próprio, revista dos audazes aprendizes na disciplina de arquitetura da mente.
A revista não quer ser algo pomposo, nem se quer afirmar como detentora de
qualquer verdade. Sustem-se na ideia aristotélica de arte na
"Poética" aplicada à filosofia (acho que uma certa maneira foi o que
Kant fez da filosofia, após o esclarecimento (na "Crítica da Razão Pura”),
do que era ciência e de que a filosofia não o podia ser).
“Quisemos fundamentar que a filosofia no pós Kant tem fortes convergências com a ideia de arte na Poética de Aristóteles, porque nos pareceu fazer todo o sentido. Kant, no período critico, foi seu dever começar com a CR Pura, para arrumar a casa e colocar as disciplinas do saber no seu devido lugar. Para mim, Kant concretizou a dupla estrutura do real, sugerida por Heráclito, esquecido por quase dois mil anos, entre identidade e dinamismo, binário e ternário, círculo fechado e espiral aberta, que explicam, à luz das dialéticas de oposição e de conexão (as críticas de Kant) todo o cenário do real. Nada disto é ciência ou conhecimento, nem quero convencer ninguém que tem der ser assim, acho que faz sentido pensá-lo assim. Como um exercício de possibilidades encadeadas, para construir um edifício com estrutura e coerência interna. Se a ideia faz sentido, e a sua sustentação advém de si própria, no desenlace do seu significado, então há que considerar a alternativa. Para além do que é, em Kant, isso é ciência, o que poderá ser, e isso é arte, a arte do pensar, não o calcular ou o medir, mas o extrapolar, o ir além de, a imaginação, a criação, dedução, edificação. À ciência a mimese, a identidade; à filosofia a potência, o dinamismo. ”[…] de acordo com o principio de verossimilhança e necessidade" (A. Poética, 1451a 1451b) Se substituirmos poeta por filosofo, temos “ […] a função do [filosofo] não é contar o que aconteceu mas aquilo que poderia acontecer, o que é possível, de acordo com o principio de verossimilhança e necessidade ([…] a poesia é mais filosófica […] a poesia expressa o universal [ e a frase fundamental] O universal é aquilo que certa pessoa dirá ou fará, de acordo com […]” Aristóteles, Poética, 1451a / 1451b. O absoluto, o que está de acordo com (…). De acordo com certa posição, determinado algoritmo.
Em Kant, e no molde da moral de Hobbes, reaparece a dialética de conexão. Reaparecem e voltam a ganhar importância a verossimilhança e a necessidade, que se expressão na dialética entre as duas primeiras leis fundamentais de natureza (em Hobbes), na força da simbiose entre aqueles dois valores fundamentais. Kant, após arrumar a casa com a CR Pura, lança, na Ideia da Filosofia da História, a sua ideia do universal, do absoluto, a sua ideia de filosofia, que vai estar na origem do idealismo alemão. As ínfimas possibilidades do real a serem exploradas pelo pensamento”.
Um acordo de consentimento coletivo (post factum)
LIS - Lisbon Idealistic School
Preambulo
Íntima ou grande, na impossibilidade de si próprio, pelo valor relativo das perspectivas particulares nas filosofias antes de nós (da Escola Idealista de Lisboa, alternativa às “agulhas de um pilheiro”), todas valendo por si, nenhuma valendo pelo absoluto. Perdeu se o uno geral comum na perspectiva do relativismo uni persona. Todos se representam a si próprios, ninguém representa a totalidade.
Onde talvez a imagem que tenho, do irromper da Escola Idealista de Lisboa, seja nada mais que um grande devaneio, uma outra utopia. Que seja! Ainda que seja minimamente possível, continuamos a acreditar nela como alternativa viável, perante uma escolha entre outras duas, onde ambas em si são trágicas, vendo-nos nós na triste decisão de ter de escolher entre dois males, qual deles o menor. Colombo está novamente perante nós, a mostrar-nos um continente desconhecido, do outro lado do oceano. Ou Magalhães, a descobrir para nós, uma passagem estreita, que liga dois super oceanos.
Nos tempos que se anunciam, como na filosofia que nos propomos edificar, há lugar para este tipo de devaneios, chamamos-lhe explorar de possibilidades (quando temos um problema, surgem tentativas de solução, que tem de ser avaliadas antes de serem colocadas em prática. A filosofia faz essa avaliação nos macro quadros, nas generalidades e nos caminhos vistos sobre a perspectiva geral e comum, e quando está possuída pela simbiose dos humanos com as energias superiores é a voz e expressão do próprio absoluto). Para mim, esta exploração de possibilidades, como o artista na Poética de Aristóteles, numa perspectiva onde a ciência é o que é, a filosofia será o que pode ser (a reinterpretação de Kant que queremos introduzir). Para mim foi esta a filosofia instituída por Kant e pela contemporaneidade. E foi o professor Viriato que me mostrou esse “Estreito de Magalhães” com a apresentação da filosofia da História e do feito sublime que Kant institui ao fundar, ou reencontrar a verdadeira expressão da filosofia, a analise e a edificação de pensamentos, do pensar sobre as infinitas possibilidades. Mais tarde percebi, a primeira grande abertura para isso tinha surgido na Modernidade com a possibilidade da escolha moral em Hobbes (sair, para além do que é), pensar quem queremos ser; que caminhada gloriosa até à filosofia das possibilidades de Kant, pensar o que nós podemos e o que pode o Mundo ser.
Depois de fixar o que era ciência, como na imagem da arte para Platão, espelho do real. Kant pode dar à Filosofia a sua verdadeira expressão e com a qual ela sempre tinha sonhado. Tinha passado a existência a tentar voar ao mesmo tempo que arrastava a ancora de ter de exprimir o que é, os devaneios do idealismo alemão nunca poderiam irromper. (A partir dai, na filosofia, forma-se um quadro de realidade tri partida: 1)o que é e não pode ser negado, a base, o binário, a dualidade, a ciência; 2) o que pode ser, a sua potencialidade é complemento essencial, sem ela nunca seria mais do que já era. O é de Parménides é eterno e terminado, encerra a possibilidade de desenvolvimento. O espírito do possível introduz a capacidade de ir além, de desenvolvimento; 3) o juiz supremo completa a tríade essencial de todas as entidades singulares ou coletivas, físicas, mentais ou digitais.
Quando a filosofia se libertou de ter de ser o que é, pôde ser as descrições do que é possível, as edificações racionais da possibilidade dentro da verossimilhança, da coerência interna, como na ideia de arte em Aristóteles.
O devaneio, o humano e as energias superiores em simbiose numa outra entidade única, fizeram parte do maior esplendor de sempre vivido por pensadores no Idealismo Alemão. Hegel era a voz do absoluto, como Schelling foi a voz da physis de Heráclito. Há quem queira negar e desconsiderar tudo isso porque o “Bicho” parece ter adormecido, ou retirou-se. Temos feito o nosso caminho e ultimamente, tirando experiências ultra religiosas, não temos dado por ele, o divino está em parte incerta. O louco da candeia estava convencido que deus estava morto e muitos humanos esqueceram e outros passaram a certidão de óbito ao absoluto. Mas o mundo não morre. A energia não morre. O divino, o espírito santo, o chi, não desaparecem, podem andar desaparecidos, mas não deixam de existir.
Não se pode calar a boca do vulcão, o absoluto que não pode ser para sempre silenciado e desconsiderado. A natureza encontra sempre um caminho, o louco andou na madrugada com uma candeia de luz na mão, a perguntar aos miseráveis o que íamos agora fazer quando tínhamos matado deus e extinguindo a linha do horizonte.
O louco acreditou de facto, quando o confirmou com o sentir de todos os outros, que tinham realmente matado o absoluto. (Para mim), pensaram que mataram Deus, e que o absoluto já não fazia sentido, mas o “sol”, a energia, são coisas que não podem ser (extintas) Podem ficar adormecidas, mas continuam a existir mesmo estando esquecidas por nós. Se tivermos a coragem de olhar para elas, como tiveram coragem todos aqueles jovens audazes que nos precederam, que conseguiram instituir os ideais da razão e do Iluminismo e fundar a maior nação que conhecemos até hoje sobre aqueles ideais, isso foi um dos “feitos” (achievement) que fizeram do mundo o que ele é hoje.
Depois de ler "O Descontentamento da Democracia" de Michael J. Sandel, senti uma tristeza terrível quando olhei para o mundo pós janeiro de 2025, depois daquela nação ter sido fundada sobre tão nobres ideais - do esclarecimento vem as boas escolhas e o povo educado saberá governar-se a si próprio e libertar-se do poder absoluto - para o, ensinar-lhes a ser consumidores recorrentes e iludi-los com a ilusão que a liberdade é a de podem escolher o que vão comprar, a sua nossa escolha, a sua liberdade, advém do poderem escolher como consumidores, que tragédia.
Conseguiriam governar-se a si próprios e libertar-se dos reis, dos deuses, dos seus senhores, porque se iriam educar, para saberem fazer as melhores escolhas e tomar as melhores opções. Disso, à liberdade para comprar o que se quiser, e educar-se as pessoas com ave marias, numa mentalidade virada para o consumo, é um trambolhão tão grande que os pais fundadores da nação devem estar, (…), encontrem vocês, norte americanos um adjetivo que se ajuste, para o que estariam a sentir os vossos pais fundadores, se vissem ao que os Estados Unidos chegaram.
A Escola de Lisboa
A Escola de Lisboa surge como uma necessidade perante a urgência presente da expressão do absoluto. Talvez a Escola de Lisboa, como fábula dos tempos modernos, como um irromper do absoluto que pareceu adormecido durante quase dois séculos, onde até se chegou a pensar que estava morto, possa transmitir o facto e a percepção de que o absoluto quis acordar. Que o absoluto está de novo a acordar e precisa de um veículo, de uma linguagem e dum novo quadro filosófico para se exprimir, num irromper de um outro idealismo contemporâneo. Seja apenas isso, uma miragem, uma possibilidade, reduzida, mas enquanto for efetiva, não pode ser negada. Para já basta-nos que seja efetiva. “Estreitos de Magalhães” continuam possíveis para voltarem a surgir, e isso foi o que o professor Viriato me deu no meu caminho quando nos apresentou o seu Kant e o Kant do professor JGA, um estreito de Magalhães, e um novo oceano se abriu, e foi quando a Escola de Lisboa começou a despontar. A urgência do absoluto, e a necessidade de uma outra abordagem filosófica e de uma outra linguagem para ele se exprimir, levaram á manifestação de uma identidade que tinha razão para ser, para aparecer, para surgir.
Se nós quisermos, temos o oceano Pacifico, neste momento, temos aqui novamente “Magalhães” a dizer-nos, olhem ali este novo oceano. Se não acreditarmos agora, quem sabe daqui poucos anos já seja demasiado tarde. Neste momento ninguém está a ver isto, só nós. Se tomarmos a lide, se nos adiantarmos agora, vamos nos afirmar para sempre como vanguarda no nosso tempo, como grandes construtores das soluções do presente e do futuro.
Alegoria Inicial
Na sua (da Escola de Lisboa) alegoria inicial: a contemporaneidade foi fundada por uma arvore que no tronco tem Kant, nas raízes tudo o que de válido teve a nossa caminhada, e de Kant irrompeu um braço de arvore (o Idealismo Alemão), que exprimiu o absoluto. O divino fez-se humano e materialidade, falou e pensou por si numa entidade dua, tria, e única. Uma outra entidade surge quando o humano se funde com a profunda energia que está à sua volta e com a profunda energia que está dentro de si próprio. É tempo para uma maneira diferente de lidar com as energias físicas, como num rito, num tempo sagrado, patamar da versão mais profunda para o perscrutar na realidade.
O Idealismo Alemão foi isso tudo, e aquilo foi demais, até para eles que eram a vanguarda de todos os pensadores do passado, o Idealismo Alemão deslumbrou-se.
Aquele braço de árvore magnifico exprimiu as ideias humanas e as ideias do próprio absoluto.
Mas tal coisa era demais, o divino em simbiose e a falar pela boca de humanos. Não se podia aceitar, para certas mentes, blasfémia. Poderia alguma vez o humano falar por Deus?
Na filosofia e no pensamento foram-se orquestrando estratégias para que o que era tão sublime acabasse por se corroer, diminuir no ímpeto e ir se perdendo. Depois do irromper glorioso, depois do deslumbramento, começaram a surgir as estratégias de desconstrução. A filosofia foi tentando desmontar o absoluto em peças cada vez mais diferenciadas, que se chegou ao ponto de só conseguirmos fazer peças e fatias do bolo, o absoluto deixou de ter voz, o relativismo, o perspectivismo extremo, o existencialismo solipsista mataram qualquer tentativa do absoluto se poder exprimir com propriedade na primeira pessoa.
Não se pode calar a boca do vulcão, hoje Ele se manifesta de novo, está acordado, há 35 anos em mim, e em muitos, todos os que sabem olhar para ele. Ele e eu, eu e Ele, presente em cada um de nós, e a maior parte das vezes deixamos de olhar para ele porque nos convencemos que as suas vivencias não passam de fabulas. Uma energia que se faz corpo dentro de determinadas condições, se conjugados corretamente determinado número de elementos, então se constroem as equações adequadas, os algoritmos do absoluto são tão reais como os do digital. Ligamo-nos ao divino e somos um com ele, surge uma outra entidade que não estava presente. A energia dentro de cada um de nós, que faz surgir um ser único, o que somos, em simbiose profunda com o que o mundo tem de maior no seu máximo esplendor.
Mas todas estas ideias sobre o absoluto no quadro da filosofia atual não passam de devaneios de pensadores com imaginação muito fértil. Porém, se a filosofia do presente, nos moldes em que está instituída, não tem quadro nem lugar para falar do absoluto, não quer dizer que o absoluto não exista nem que não tenha razão de ser. Nem que tem de ficar calado para sempre sem se exprimir. O vulcão sempre esteve e estará lá. A energia, o divino, que fez a simbiose com os meninos do Idealismo Alemão, e levou aos maiores esplendores da filosofia até hoje, não foi liquidada como nos querem fazer crer.
Por não ter um quadro de expressão na atualidade, não se pode apenas olhar e ouvir o absoluto falar conosco (como ele o faz, quando deixamos de lado todo o ruido à nossa volta, e escutamos apenas o rugido do mar, ou o assobiar do vento, ou o bombástico e majestoso estalar do trovão, é o mais intimo de nós que fala quando nos abstraímos de todo o ruido à nossa volta, quando nos abstraímos de toda a chamada de atenção que a realidade à nossa volta sempre promove sobre nós e ouvimos apenas, deixamos apenas falar o mar, e que mar é esse senão a voz do absoluto, a nossa consciência, na sua versão mais pura, envolvida com algo maior que ela própria e que tudo o que conhecemos) e nós assobiamos para o lado, esquecendo o que estamos a ouvir e a sentir porque não há quadro válido dentro da filosofia atual para o exprimir. Se não há, tem de se encontrar um. Dai nesta alegoria inicial, a arvore da contemporaneidade foi fundada por Kant, sendo Kant como o seu tronco, e desse tronco, fez irromper um braço, que foi o Idealismo Alemão, que se foi desmultiplicando em ramos cada vez mais relativos e cada vez com menos possibilidade de exprimir o absoluto. Até ao tempo atual, que compreendi quando li a Sociedade do Cansaço. Primeiro as raízes, depois um tronco, depois um braço principal, que se desmultiplicou em ramos e raminhos cada vez mais estreitos, até às "agulhas de pinheiro". Cada uma é apenas ela própria, nunca poderá exprimir o absoluto porque só se consegue exprimir a si própria, e por si própria não tem valor acima de qualquer uma das outras, há milhões iguais e com mesma importância, o mesmo valor e relativo significado.
Assim morreu o absoluto?
Um outro braço de arvore quer irromper novamente de Kant, com a mesmo pujança e emergência com que o outro surgiu há mais de 200 anos. A Escola de Lisboa. A força deste idealismo, tão pujante e emergente como o alemão, vai além dele na sua expressão politica. Não se pode calar a boca do vulcão, o humano não consegue matar Deus, o divino exprime-se e tem vindo a exprimiu-se racionalmente em entidades que resultam da fusão entre um humano e uma energia superior. Não é um, não é outro, é uma simbiose e um duo, um trio sagrado, que suplanta a moral de todas as coisas, e emerge como uma ética de valores renovados e atualizados.
Reflexões iniciais - Fragmentos soltos
Hoje fizemos a revolução!
Perante um existencialismo solipsista (beco sem saída, caminho sem continuação,
onde tinha ido parar o nosso pensar refinado), tínhamos sido privados da
legitimidade do idealismo e de qualquer tentativa de uma filosofia do absoluto.
Nos moldes em que estava (existencialismo solipsista), não se lhe conseguia
acrescentar desenvolvimento, por ter perdido legitimidade para expressar uma
visão unificada, uma síntese global, uma convicção absoluta. Assim, pretendemos
ultrapassar este cisma do pensar do presente, apresentando um novo galho /braço
de árvore, que irrompeu de um tronco de base (Kant) e manifesta a urgência da
sua sistematização como idealismo XXI.
I
Íntima ou grande, na impossibilidade de si próprio, pelo valor relativo das perspectivas particulares nas filosofias antes de nós (da Escola Idealista de Lisboa, alternativa às “agulhas de um pilheiro”), todas valendo por si, nenhuma valendo pelo absoluto. Perdeu se o uno geral comum na perspectiva do relativismo uni persona. Todos se representam a si próprios, ninguém representa a totalidade.
O tronco de árvore (Kant) que deu origem a um galho / braço principal que foi o Idealismo Alemão. Hoje fez rebentar um outro galho independente, que é a Escola de Lisboa.
Na nossa dificuldade inicial, usando uma imagem para a explicar, havia uma raiz e um tronco de árvore, esse
tronco foi Kant. Depois, na sequência de Kant, emergiu o Idealismo Alemão e uma visão de uma árvore com um tronco vertical (uma das imagens que podemos considerar). Assim foi visto o desenvolvimento da filosofia até à Escola de Lisboa. O que
pretendemos com o admitir de uma outra imagem e outra maneira de
desenvolvimento, foi ultrapassar uma perspectiva sem sequência, (pois nessa
visão a árvore não tinha como expressar a grandiosidade dos seus momentos em
que foi voz do absoluto, o pensamento foi-se desfiando, e a voz do absoluto
acabou por ser silenciada), para outra, onde a originalidade desse pensar
justifica a sua identidade e validade prática, onde a sequência não tem a ver
com continuação do imediatamente anterior.
Ao partir de um outro ponto em
Kant, se resolve a identidade própria do idealismo da Escola de Lisboa. A imagem
do desfiar do galho alemão até às agulhas de pinheiro do existencialismo
solipsista, leva a que outro caminho se tenha de encontrar para deixar falar o
absoluto, que tem de falar, que quer falar, que não pode continuar mais tempo silenciado.
Se o veículo onde se encontrava a filosofia não tinha via para que o absoluto
se pudesse expressar com propriedade, teve de se arrepiar caminho e encontrar
uma outra via para que esta urgência do absoluto fosse atendida, uma via com
validade e justificação.
Esse tronco forte (Kant), deu origem, fez rebentar o Idealismo Alemão em toda a sua pujança e esplendor, mas com o passar do tempo, o tronco foi ficando cada vez mais estreito e por estes dias, qualquer tentativa de representação do absoluto passa por ridícula (cada um fala por si) e não consegue ver reconhecida a sua legitimidade.
Mas não se pode calar a boca do
vulcão e a voz do absoluto não pode ficar ad aeternum silenciada, ela
acaba por descobrir um caminho. Assim, a Escola de Lisboa, encontrou um
estreito que revelou um atalho, que liga este oceano a outro que sabíamos que
estava lá, mas que nos era desconhecido, e até desacreditada a nossa crença que
ele estava lá, que ele existia.
Assim, em vez de uma árvore com
um único tronco na vertical sempre a estreitar e as suas vistas deixarem de
poder expressar e representar a voz do absoluto, recorremos agora a esta imagem
(árvores com tronco e dois galhos) para que as coisas voltem a fazer sentido e
que a voz do absoluto se possa voltar a expressar com legitimidade.
O absoluto tem de falar, seja na minha voz, seja na voz de quem esteve antes de mim, seja na voz quem vai estar depois de nós. O idealismo e a dialética reabilitados e reinstalados como válidos campos práticos na busca das identidades e potencialidades (gerais/fundamentais/ essenciais) do sistema.
II
A Escola de Lisboa surge inserida no movimento Idealismo
XXI.
- A ideia
da Escola Idealista de Lisboa : o exercício filosófico de instituir a
expressão própria do absoluto.
1) Pressuposto, premissa inicial, outro ponto a partir de Kant.
O pensar que encontrei
Idealismo (x)|
| sem validade, percurso
esgotado, encalhado.
Absoluto (x)|
Sem reconhecimento da sua
essência válida, colocados de lado, como se não existissem.
Estratégia para ultrapassar a dificuldade: um outro ponto de partida em Kant, legitima um outro idealismo que não o alemão
O idealismo alemão tomou
como ponto de partida Kant, um certo Kant. Kant foi como um tronco, com fortes
raízes, que de si fez brotar toda aquela maravilha no pensar. Com outro Kant,
ou Kant visto de outra maneira (perspectiva), há legitimidade, vê-se uma
abertura, para encontrar a genuinidade de um outro idealismo, que não é o
alemão, que não é continuação do que veio dali, que o leva em conta como a um irmão
mais velho, mas que irrompe como um outro galho, de um outro lugar, com identidade própria, legitimando assim a sua manifestação.
Kant, na CRPura estabeleceu o que é a ciência, e que a filosofia não pode ser ciência. O que será a filosofia dai para a frente?
Na visão da Escola de
Lisboa, a filosofia dai para a frente, será a que foi expressa por Kant na sua Ideia
da Filosofia da História.
Abertura para um idealismo
original - potencial filosófico válido em relação ao absoluto
Um outro ponto de partida em Kant.
Esta ideia de Filosofia – das ideias de arte em Platão e Aristóteles, para as consequências da sua transposição para a filosofia – faz irromper um
idealismo com identidade própria, independente do alemão e da sequência que
adveio dele.
As consequências da ideia de arte em Aristóteles aplicada à filosofia, e a filosofia de Kant vista sob esta luz.
A reinterpretação
que LIS faz de Kant.
O ponto em Kant que a Escola de Lisboa vai tomar como ponto de partida
passa pela sua Filosofia da História. Enquanto na CRP Kant define o que é
ciência e porque que a filosofia não pode ser ciência, na sua filosofia da
História Kant vem apontar o que deverá ser a Filosofia.
A filosofia como a ideia de arte em Aristóteles. A investigação não do
que é (isso cabe à ciência), mas do que pode ser. A filosofia é uma pesquisa
sobre o possível, uma investigação sobre a maior ou menor validade das
possibilidades (das potências, da imaginação, das realidades quânticas, do
multiverso, da possibilidade de outras dimensões, das escalas e das estruturas
de tudo o que, com alguma validade, se apresenta para lá do que é).
2) Ciência – Filosofia / (visão da arte) Platão Aristóteles
a filosofia é também a arte do pensar, ou do pensar com arte
Podemos olhar para Platão como um poeta rural. A sua ideia de arte funda-se na mimese, a sua ideia de arte é como um espelho do real. É Aristóteles que funda a cidade da filosofia, e é a cidade cria e institui a novidade. Para além de uma ideia de arte que repete a realidade, a visão que a mente pode inventar cenários de realidades alternativas.
Na Poética, ou pelo menos de 1447a, a 1461b, a arte são ficções
com base nas infinitas coerentes possibilidades do real. Na nossa interpretação
Kant vai como que pegar nessa visão e instituir / inventar a filosofia
contemporânea nesses termos, depois de estabelecer na CRPura o que era ciência,
e que a filosofia não podia aspirar a ser ciência.
A ciência fala do que é, a filosofia do que pode ser.
A ciência em Kant como a arte espelho do real (Platão). A filosofia
(como a arte em Aristóteles) expõe para lá do real, expõe para lá dos
fenómenos, do que é. Aventura-se na análise do que pode ser. A filosofia
inventa o futuro.
Imagem da comparação entre:
Kant – ciência / filosofia
arte – Platão / Aristóteles
Ponto de partida da nova filosofia
As várias definições
Este outro ponto de partida,
leva a que um novo idealismo possa emergir. E ele não pode surgir se for continuidade
com o que estava imediatamente anterior. Aquele horizonte está esgotado para a
voz do absoluto. Para que este idealismo seja autêntico e tenha legitimidade,
tem de ser continuação (sequência) a partir das linhas em que estamos agora a
ver Kant. Voltar à fonte, ao tronco original, e emergir como outro idealismo
que não aquele, que rebenta dum outro lado que não aquele.
Esta sua ideia de Filosofia
abre caminho para um idealismo e uma filosofia do absoluto como sua sequência natural.
Assim, vistas as coisas como
numa imagem, Kant é o troco da arvore, o idealismo alemão é um galho, um
braço/ramo principal, e o idealismo XXI é um outro galho que ganhou vida
própria, independente, manifesta a sua urgência da sua necessidade e identidade.
3) arvore kantiana (o esgotar do galho anterior)
Visão kantiana na analogia entre a ciência e a filosofia contrapostos à visão de arte de Platão e a visão de arte de Aristóteles.
Alegoria do tronco da árvore e
dois braços/ramos/gamos principais.
- Alegoria da bifurcação
inventada para resolver o cisma do beco sem saída onde tinham chegado o
idealismo e a filosofia do absoluto. Como deixou de haver legitimidade para uma
sequência da filosofia do absoluto (todos falavam por si e ninguém podia falar
pelo absoluto), como não havia legitimidade para uma continuação, encontrou a
Escola de Lisboa, em alternativa, um voltar à fonte, a um troco principal
(Kant). Reinterpretar Kant, e a partir dai, avançar com um novo e re legitimado
idealismo. Não em continuação do galho /ramo que brotou de Kant há cerca de 200
anos e deu origem ao idealismo alemão (e a tudo o que veio depois disso, como
se desenvolveu, como foi criticado, como essa filosofia do absoluto se foi
dispersando, até ao desfiar desse braço
principal em ramos cada vez mais estreitos, visões cada vez mais parcelares e
menos abrangentes, até às “agulhas do pinheiro” que representam as vozes da
filosofia atual, do existencialismo solipsista anterior à Escola de Lisboa, todos
falam por si e ninguém fala pelo absoluto), mas emergindo dessa fonte comum
como algo de novo, pujante na urgência do seu significado e validade do seu
ser, da justificação do seu existir.
No absoluto - a paralela com o idealismo alemão - reflexão entre dois pares. Dialética. braço principal de árvore que tem a sua estrutura basilar expresso num tronco personificado pela filosofia kantiana. O idealismo alemão irrompeu como um galho de árvore na imagem da arvore kantiana. Primeiro unificado no absoluto, depois foi divergindo.
III
Com isto (as
histórias dos três Viriatos da minha vida) tudo queria dizer, o primeiro
Viriato que conheci na minha vida foi o histórico, o segundo foi um colega com
quem joguei à bola. O terceiro foi o homem com quem pensei, e que me apresentou
a filosofia da história. Através dela e da sua ideia, mostrou-me a abertura que
Kant faz. O professor Viriato e o prof. deram-me um Kant que eu não conhecia.
Deram-me a conhecer o Kant que foi buscar à Poética de Aristóteles, a ideia
fundamental para instituir a nova filosofia. Essa ideia é a pedra basilar e o
ponto de partida da Filosofia da Escola de Lisboa. Que queremos instituir, nem
que seja como um sonho, como um ideal ou uma utopia. Porque o que se está a
desvendar, a irromper em força na emergência do nosso tempo, é um novo
idealismo como o alemão, mas não na continuação do que veio dele.
O idealismo
alemão foi um braço de árvore que irrompeu do troco kantiano, mas agora está a irromper um novo braço, porque aquele nosso precursor se esgotou, como numa
analogia de agulhas num pinheiro. As agulhas de pinheiro do presente, já não conseguem exprimir o absoluto de outros tempos onde o braço foi forte, uno e
pujante. Não se consegue exprimir o absoluto, e perdeu-se a ideia do absoluto,
porque o pensamento que veio do idealismo alemão foi se esmiuçando e os ramos
foram cada vez ficando mais definidos numa singularidade e menos numa ordem de
estrutura global.
Quando eu
cheguei ao livro do Byung-Chul Han, A Sociedade do Cansaço, deu para
perceber que o quadro filosófico para viabilizar a manifestação do absoluto
está desativado e em certo sentido, completamente esgotado. Querer falar de uma
filosofia idealista do absoluto naquele quadro é inviável, porque todos vão
olhar para ela como uma “agulha”, que com as suas limitações relativas
inviabiliza a partir dali todas as tentativas de representação e expressão do
absoluto.
Em oposição a
essa situação, o que se pode fazer, o que se pode propor como alternativa, é
voltar-se ao tronco kantiano, de onde nasceu todo o idealismo alemão, e fazer
romper um novo braço, um braço arrojado, um braço de coragem, de audácia, nem
que seja num sonho, uma miragem, mas na sua imagem alegórica rebenta, e
consegue exprimi-lo novamente e dar uma voz absoluto.
O absoluto
consegue ser absoluto outra vez. Mas é inviável ser-se absoluto no quadro das
importâncias relativas. É possível ser-se absoluto outra vez se Ele irromper
novamente de Kant, com a ideia que ele foi buscar à Poética de Aristóteles. Da
ideia de arte, para lançar a ideia da nova filosofia. A filosofia como a arte
do pensar.
Quando a
filosofia se define com Kant, e se liberta de ter de ser ciência, a ciência
ganha o seu lugar eterno como o espelho da realidade, em similitude com a
imagem da arte em Platão. A filosofia é apontada como a ideia de arte em
Aristóteles, é o deslumbre da possibilidade infinita. O campo de treino onde se
avaliam as diversas opções, se selecionam as mais validas e as mais viáveis.
Ao procurar
tornar a realidade que entregas melhor do que aquela que recebestes, o ser
individual formatado para ser dualidade tem sempre aquela falta. Às vezes sonho
contigo como o pensador, o meu amigo do presente, que me abriu os olhos e me
mostrou o arrojo e o fundamental passo em frente que está na ideia por trás da
Filosofia da História. Quanto a mim, fui formatado para ser uma dualidade, para
existir numa equipa. Eu e tu, tu e eu, e o nós. Sinto-me desadequado quando
tenho de caminhar apenas eu.
O Estreito de Magalhães
O professor
foi quem me apurou o olhar para esse “estreito de Magalhães”. Havia ali uma
dificuldade que parecia impossível de ultrapassar (a não adequação e
desqualificação do absoluto (dentro do) no quadro filosófico corrente) e o
professor indicou-me ali um caminho estreito, mas que permitia fazer uma
passagem para um outro mundo.
Foi uma honra
e um privilégio para mim conhecer a filosofia da história, e os moldes com os
quais ela se tece. O professor nos contou, o que tinha sido a teoria “do melhor
dos mundos possíveis”, de como o terramoto de Lisboa influenciou o desvanecer
dessa visão de aceitar sem questionar a vontade de deus.
Surge então da
maturidade do humano do Iluminismo e da idade da razão a ideia da filosofia da
história, em Kant dá-se a passagem da ideia da filosofia da história para a
ideia da filosofia em geral; ou a
adequação da filosofia da história à ideia que Kant já tinha para a filosofia.
De qualquer maneira, a adequação de uma a outra (a ideia da filosofia da
história e a ideia da filosofia em geral em kant), no meu entender, clones uma
da outra, a minha divida é qual delas é o clone, qual delas o original.
A Filosofia
seria daí para a frente o que foi o idealismo alemão. Racionalidade (mesmo
dentro do romantismo há uma lógica racional estruturante) e construção.
Construção logicamente verosímil de pensamentos e de ideias, de edifícios
racionais, de sistemas.
O Ser não pode
ser só espiritual, seria a abstração inicial de Hegel. Não pode ser só físico,
sedo só materialidade física não teria alma, e sem alma nunca seria sequer
animal. O ser é a tríade, a trimúrti, o DNA, as diversas construções dialéticas
V
A alegoria da arvore kantiana
Ao não conseguimos resolver a riddle, estamos a patinar, e aqueles que poderiam realmente nos liderar e mostrar os seus genuínos pontos de vista, estão escravos de um mundo de interesses pessoais. Então temos que ir à origem, temos que ir à filosofia, instituir uma nova base, o romper de um tronco novo, onde seja verosímil a manifestação recorrente do divino através de avatares ao longo do processo histórico.
O absoluto a manifestar-se outra vez. Não faz sentido o absoluto manifestar-se nas pontas nas agulhas dos pinheiros, porque as agulhas dos pinheiros vão ser sempre perspectivas particulares do mundo em que vivemos, o mundo do perspectivismo e do relativismo. Já o absoluto não se consegue exprimir, porque nenhuma agulha do pinheiro consegue romper como irrompeu o absoluto no idealismo alemão, do tronco kantiano, quando se manifestou realmente como o divino em si. Por um lado eram humanos, mas por outro também foram o absoluto, que através de um processo de “avatar”, se estabeleceu na mente humana. Foi uma dialética quaternária em que um ser era o físico, outro o espiritual, com um terceiro que era energia pura em chi. Tornam possível o surgir de um outro andamento para a equação, da tríade surge o quaternário, primeiro em potência, como andamento apenas, depois como entidade efetiva. Se se consegue efetivar como organismo/estrutura quaternário(a).
O Elogio aos mestres
Sou o reflexo, um reflexo onde se acrescenta algo de si, um offspring, nada seria sem a base que os nossos mestres precursores nos proporcionaram. Eles fizeram o ninho e chocaram os ovos.
Grande elogio aos mestres percursores que a tornaram possível. Nunca se renderam, nunca deixaram de lançar possibilidades, não declararam, não se comprometeram com a (visão) do idealismo e do absoluto desabilitados, mortos.
Ao professor que tem um nome de grandeza quase mítica. A resistência do nosso luso foi a resistência de quem quer ser livre e independente perante uma força que se afirma como absoluta que absurdamente tudo devora.
Para o grande professor, que me fez ver e compreender (no nosso estudo do texto “Ideia da Filosofia da História” de Kant), fez encontrar um novo “estreito de Magalhães”. Havia um oceano desconhecido, encoberto por um continente imenso que barrava o caminho e as vistas de algo que realmente sentíamos que estava ali. Aquela visão da filosofia de Kant naquele texto é a visão de toda a filosofia dai para a frente, é a visão e a passadeira estendida por Kant, para o emergir de todo aquele esplendor, o Idealismo alemão. Para eles, a estratégia foi desconsiderar o fenómeno, tudo é numeno, e a partir dai, as coisas são o que são. Para mim, esta foi uma das premissas iniciais de todo aquele imenso esplendor.
Aos mestres que fizeram o ninho de onde despontou a nossa visão, e todos os sonhos e promessas que vieram com ela. Professor PA deu-nos a sobriedade em Kant. Saber os conceitos kantianos, só depois se entende o que ele está a dizer, mas há níveis diversos do entendimento de Kant: conhecimento básico, analise média, analise de profundidade.
O professor VSM mostrou-me um “Estreito de Magalhães”, rasgou uma montanha que se julgava eterna e apontou-nos um grande e imenso oceano do outro lado (que sentíamos que estava lá, mas que não o estávamos a conseguir alcançar), um imenso oceano ainda desconhecido, ainda por explorar que representou caminho aberto para o ressurgimento, a emergência do seu irromper, desse outro idealismo e da filosofia do absoluto que se julgava encerrada.
O Professor PB, para além de tantas outras coisas, de todo o conhecimento do espírito e do pensamento ocidental e oriental, para além da desmesura do sagrado, e do que vai para lá de tudo o que existe, encorajou-me para ter abertura de espírito para procurar fora da caixa.
Com professora MB, rainha na Ontologia, e as vistas que nos abriu. Ainda me lembro, de todos nós com os olhos esbugalhados perante a visão ultima do Ser, o absoluto em todo o seu esplendor, que ela nos mostrava, em glimpse, em vislumbres do Ser tão reais. Pontos que ela nos apontava, eram caminhos, e nós íamos lá, e conseguíamos ver. Que inspiração, que musa do pensar, que mensageira da luz das luzes, em que epopeias nos lançaste, que maravilhosos novos mares vamos encontrar?
Professor CJC deu-me o Mahabarata, o entendimento que no hinduísmo houve a fase arcaica dos Brâmanes e as fases posteriores com os grandes poemas épicos, espirito critico, espirito curioso, deu-me as visões da estética e da arte pela prof. :::
Professora AS mostrou-me as várias faces do humano em antropologia.
Professor CF o grande interlocutor de Hegel e de toda aquela maravilha que se passou na Alemanha naquele tempo.
Reconhecimento aos colegas
Aos irmãos jovens idealistas, as vossas auras foram como que as musas espirituais que me acompanharam na descoberta filosófica que foram os últimos trabalhos da minha licenciatura. Vocês, belos, por dentro e por fora, os que se eu tivesse podido viver a faculdade full time, teria gostado de andar com vocês para trás e para a frente. Os mestres fizeram o ninho do qual nos brotamos. O Diogo, o Leandro, a Matilde, para mim, os primeiros offsprings da Escola Idealista de Lisboa. Os mais bonitos no espírito, no ser e no estar aqui. Os meus queridos colegas na fase final da minha licenciatura. Os que me inspiraram pela alma, pelo olhar e pelo estar. Os que me deram forças quando me parecia difícil continuar. Obrigado companheiros da nossa grande jornada rumo ao esclarecimento (enlightenment), no nosso grande amor pela filosofia, como a mãe de todos os sonhos, e de todas as possibilidades (com validade para hipótese de trabalho), de todas as alternativas de esperança, da dialética, dos idealismos e das filosofias do absoluto.
Revista Opúsculos
Ilustrada com quadros dos mestres,
quadros de novos artistas, promessas desconhecidas, serigrafias, poesias,
breves e profundas orações (só nos primeiros números consegui colocar as
ilustrações).
A revista não é nada de pomposo nem
se quer afirmar como detentora de qualquer verdade. À maneira da ideia de
Aristóteles sobre a arte na "Poética" aplicada à filosofia (acho que
uma certa maneira foi o que Kant fez da filosofia após o esclarecimento do que
era ciência e de que a filosofia não podia ser ciência na "Crítica da
Razão Pura").
Revista feita por alunos e
estudantes de filosofia, nas suas páginas os textos preliminares dos
pretendentes na descoberta e edificação de um pensar próprio, revista dos
audazes aprendizes na disciplina de arquitetura da mente.
Os primeiros números são pequenos
contos explorando ideias da filosofia outros números são trabalhos que fiz para
determinada cadeira e que gostei e que acho que de determinada de maneira tem
alguma coisa que acrescenta, que é uma das peças para a tese global
sistemática.
Reflexões utópicas
Paz ideal na visão idealista da Escola de Lisboa - Carta aos povos
Um renovar de votos da ONU
retificado por referendo popular em todos os países.
Depois de nos assentarmos à mesa
das conversações e resolver de uma vez por todas as disputas territoriais e as
todas as questões fronteiriças.
Fazer passar um documento
assinado por todos e a partir daí, um artigo 5° mundial, quem ataca
militarmente as fronteiras de outro país está a atacar todos os outros e a si
próprio. Consequências para um governo que viole esse pacto - referendo (quer o
povo aquela invasão, aquela agressão a outro povo?) e eleições antecipadas
nesse país.
Uma tomada de posição dos povos
Objetivo primeiro da nossa
cooperação internacional: vida com dignidade para todos os seres humanos de
sensibilidade apurada.
Acabar com os cidadãos gamas e
deltas, todos terão a dignidade dos alfas e dos betas. Mundo com duas classes,
média e abastada
Um premente não ao armarmo nos
até aos dentes e voltar á lei do faroeste.
Adotar o renovar de votos da
ONU, a retificação definitiva das fronteiras, o artigo 5º mundial e a
salvaguarda de um único exército, o exército mundial.
Plano de paz para a Ucrânia – Paz
prática – visão da
LIS
A posição dos aliados da Rússia em relação
a paz, como deve ser encontrada? Em que termos/moldes deve ser definida? como
deve ser estabelecida?
Qual o plano da parte da China, da Índia,
do Brasil?
Qual o plano de paz desses povos e desses
governos?
A China a Índia e os aliados da Rússia
devem apresentar a sua solução para o problema e esclarecer se reconhecem ou
não a legitimidade da Rússia ou de qualquer outro país para conquistarem
territórios pela força.
As tropas russas recuam para os limites de
2021 e a Ucrânia reconhece a soberania russa sobre a Crimeia e nunca mais a
reivindica.
Os russos ficam com a Crimeia Para Sempre
reconhecida e a Ucrânia fica com o seu território de 2021.
Para colmatarmos o trauma do povo russo
devido a duas invasões terríveis na sua história recente (e o abuso que os
oligarcas estão a fazer deste trauma para mobilizarem o povo russo para uma
guerra sem sentido), podemos oferecer ao povo russo uma extensão do art. 5º, a
Rússia, se quiser, fica ao Abrigo de um artigo 5º mundial, se for atacada tem
que ser defendida por todos os assinantes do acordo.
FINAL
Lisbon Idealistic School - LIS
Os idealistas da Escola de Lisboa, cada um por si, somos iguais a todos os outros, representamos perspectivas particulares. Mas, olhados num todo conjunto, somos o irromper da nossa faculdade como vanguarda filosófica do nosso tempo. Os mestres Mafalda Blanc, Paulo Borges, Viriato S Marques, Carlos J. Correia, Cristina Beckert, Carmo Ferreira, Pedro Alves, Trindade Santos, Adriana Serrão, Pedro Galvão, os que fizeram o ninho. Nós, os jovens idealistas, os rebentos, seus offsprings, vamos fundar e pôr em prática o Idealismo XXI. Matilde, Diogo, Leandro e Miguel, juntos como o primeiro quarteto dos jovens idealistas da Escola de Lisboa.