Nº 21 - Nietzsche
Tempo Vertical com Perspetiva Dialética
Boletim de Ideias Filosóficas
Revista Opúsculos
“Opúsculos
sobre o Fim de Um Mundo”, revista não oficial de poesia, filosofia e religião, lançada
em 2007 com a divisa, “esta é a minha verdade conta-me a tua” (desde o número
11 referenciada como “Boletim de Ideias Filosóficas”).
Ilustrada com quadros dos mestres, quadros de novos artistas, promessas
desconhecidas, serigrafias, poesias, breves e profundas orações (só nos
primeiros números consegui colocar as ilustrações).
Nos primeiros números, pequenos contos, textos, explorando ideias da
filosofia. Outros números, foram trabalhos para determinada cadeira e que acho
que tem validade como tijolo na construção e sistematização de uma tese geral.
Revista feita por alunos e estudantes de filosofia, nas suas páginas, os
textos preliminares dos pretendentes na descoberta e edificação de um pensar
próprio, revista dos audazes aprendizes na disciplina de arquitetura da mente.
A revista não quer ser algo pomposo, nem se quer afirmar como detentora de
qualquer verdade. Sustem-se na ideia aristotélica de arte na
"Poética" aplicada à filosofia (acho que uma certa maneira foi o que
Kant fez da filosofia, após o esclarecimento (na "Crítica da Razão Pura”),
do que era ciência e de que a filosofia não o podia ser).
Nietzsche
Tempo Vertical com Perspetiva Dialética
(Reflexões suplementares sobre o eterno
retorno)
Por entre as colunas desta abóbada celestial,
correm ventos inteligíveis,
os rumores dos nossos pensamentos e das nossas ações,
as sombras dos nossos atos.
GC. Gaia Ciência
AFZ. - Assim falava Zaratustra
N. Nietzsche
Z. - Zaratustra
ER. - eterno retorno
SH. - sobre humano
AF. - amor fati
VP. - vontade de potência
logos estático (analítico) - estrutura binária, linear
logos dinâmico (sintético) - estrutura dialética, …
PVT. - perspetiva vertical do tempo, tempo psicológico, meta imensurável
TH. - perspetiva cronológica, tempo
horizontal
Índice
Primeira Parte
01) “Tu deves”
2) O convalescente
Segunda Parte
2) A Visão dinâmica do Eterno Retorno
3) Tempo vertical
Terceira Parte
2) Do advento da tragédia
3) Lado B
Conclusões
Algo mais
Primeira parte
1) “Tu deves”
Em Nietzsche, nos aforismos 285 e 341
da Gaia Ciência no capítulo “O Convalescente" do texto Assim
Falava Zaratustra podemos ler que o eterno retorno pode ser um circulo
infinito onde os atos e as personagens se repetem, com obrigatoriedade de ser
sempre igual a si próprio. Sempre o mesmo. Como o ser de Parménides, a ideia de
Platão, o ser definido, conceito circunscrito, rotulado. Um circulo, uma
realidade binária. Sim, está lá na explicação que advém de passagens desses
textos. A filosofia de Nietzsche não teria a riqueza que tem se nos ficássemos
por pensar o eterno retorno apenas como uma repetição eterna do que já foi. Há sentidos
implícitos no pensamento nietzschiano que vão muito além dessa visão do ER.
“Compromise, that's
nothing new to you
Let's see colors that have never been seen
Let's go to places no one else has been” U2
A parte
que corresponde ao circulo, às realidades binárias, concerne apenas a primeira
frase. O “tu deves” sempre esteve presente na tua vida. Foi por isso que assumiste
a morte de Deus, foi como se tivesse criado a oportunidade, se tivesse
estabelecido a abertura, para que tudo pudesse ser formado de novo. Deitar
abaixo, descartar o que já não tem validade, e aí o golpe de génio, a
moralidade não tem validade. Esse foi o nível um, para mim, o ponto de partida,
a coluna de sustentação (sobre a qual, e possibilitado por esta, conseguiste
desenvolver toda uma mistificação que aponta para o sobre humano, e
desenvolve-se depois numa super estrutura que é o corpo da filosofia
nietzschiana. O pensamento de N. pauta-se por muito mais que a ideia que a
realidade se repete eternamente. Pauta-se também, e em certo sentido ele é mais
pronunciado, mas acentuado, na visão de progressão, de dinamismo no real, e não
apenas um circulo de eterna repetição. O que pretendo argumentar é que no
pensamento de N. estava embutida a perspetiva aberta, uma visão dialética do
eterno retorno (N. não a chegou a definir, mas que estava dentro de si, implícito,
em potência, a querer parir no seu pensamento), onde o conceito não está encerrado,
circunscrito, mas que, para mim já o pensava N., como estrutura com dinamismo
que se vai transformando, e não apenas atualizando, que vai realmente sendo
novo, porque o que se faz não é apenas o que já foi, cada existência vai-se
acrescentando. Não é o apagamento da memória que faz o novo, o novo só será novo,
só será realmente existência, se não for repetição. (se for mais que apenas
repetição).
2) O
convalescente
No fim da reflexão o que nos é dado a
pensar é que o pensamento que Z. mais tenta defender, (a ideia que o ER. é eterna
repetição do mesmo), parece ultrapassada pelo frenesim, pela profundidade do
abismo que Z. nos lança com a ideia do fardo mais pesado. Que acaba por nos
sugerir um outro abismo que está para além de todos esses sentidos
circunscritos, que dá a antever, que por mais que o tentem definir, é realmente
inesgotável. Um caos, uma abertura.
A definição do ER de N. serviu os propósitos
de ser sustentáculo para a ideia de AF.. Com esta N. podia finalmente
libertar-se da religiosidade que o oprimia e aprisionava. Tinha encontrado o
seu próprio querer, a sua própria espiritualidade. No capítulo “O Convalescente”,
a primeira reação perante o emergir do seu pensamento de abismo. “Ó monstro
adormecido!”[1] E Z. cai por terra. Quando vem a si,
fica prostrado durante sete dias, na ideia insuportável da repetição do execrável
até ao fim dos tempos. A ideia que o
homem pequeno voltará agora e sempre para toda a eternidade.
“O meu abismo falou, trouxe à luz do dia
a minha última profundidade.”
“ Ah, ventura! […] aí! solta-me! aí, aí! Nojo, nojo nojo! Infeliz de mim!»”[2]
Zaratustra sente tudo o mundo, a sua
entrega é tal, que Z. sente a veia do mundo a correr em si próprio, pode olhar
e desvendar todos os segredos e mistérios, perante tal deslumbramento, (como o
crente hindu a quem a deusa se revelou na sua plenitude, não tendo o crente
conseguido aguentar a luz/revelação da deusa), também Z. cai por terra.
Zaratustra levou sete dias para aguentar, digerir, o embate de tamanho colosso.
Não conseguiu aguentar imediatamente o embate da eterna repetição de
holocaustos, de genocídios, das perseguições e das guerras por isto e por aquilo,
mas fundamentalmente por poder e riqueza; do prazer do nojo. Z. não aguentou o
profundo lado negro e perverso do ser humano, do que ele é capaz, do tal
monstro do Alien que afinal pode ser o negro lado da nossa alma revelado
nos horrores do século XX. No imediato
Z. não
aguentou a ideia que esse tipo de coisas se irão repetir uma e outra vez para
todo o sempre. Mas no meio de toda aquela corrente de horror incomensurável,
adveio um outro sentido do que poderia ser o ER. As estações do ano não nos
dizem que o mesmo se repetirá exatamente igual, mas sim um ciclo que se
repete, uma revolução. A vida renasce todas as primaveras, mas não renasce
sempre com repetição dos mesmo acontecimentos.
“Tudo passa e tudo regressa,
eternamente gira a roda do ser. Tudo morre, tudo volta a florir; eternamente se
desenrola o ciclo do ser”[3]
Os dois sentidos aqui se manifestam, não
se explicitam, mas, o ciclo do ser vai além da simples repetição. Há uma repetição
na estrutura, mas há uma diversidade na maneira como acontece. Podemos ver,
processo, progresso, e não apenas eterna repetição. Uma dicotomia ou a eterna
dialética? Espelhos infinitos de cada momento, ou clones infinitos de cada
momento? Clones onde a ordem dos acontecimentos possa ser realmente algo novo,
uma existência de facto, e não apenas um espelho, cada vida ser imitação do que
já foi. Em N. a vida não é apenas isso. A ideia de ER. tem validade em N. como
afirmação das realidade binárias de sustentação (sustenta o amor fati); mas
também tem validade como algo novo (pois se visto apenas nesta perspetiva
limitada, nestas circunstâncias circulares, ou o SH. já aconteceu
infinitamente, ou então é pura charlatanice, que se usa para entreter o
pensamento, mas sem realizar o efeito que se procura).
“Tudo diverge, tudo se reencontra; o
ciclo da existência mantêm-se eternamente
fiel a si próprio.”[4]
O “fogo” de Heraclito que tudo
gere na existência, que se acende e apaga por medida.[5] O logos dinâmico que gere o
destino de todas as coisas. O logos estático, a estrutura do real mantêm-se na
identidade. É binário. Edifica a morada do ser, mas não quer dizer que o ser se
mantenha sempre e só isso. Por entre as colunas da abóbora celestial correm os ventos do
nosso descontentamento. O seu pensamento assombroso não amadureceu plenamente
dentro de Z, e enlouqueceu N. mas o equilíbrio estava lá, escondido, encoberto,
e N. estava no centro de
todo aquele vulcão. É difícil
ter discernimento para abarcar todas as consequências e todas as possibilidades
de desenvolvimento que um abismo pode ter. Um abismo no fundo da nossa alma.[6] A ideia ainda não tinha amadurecido o
suficiente para se definirem as suas diversas vertentes. O
esclarecimento da época ainda não estava maduro para a perspetiva dialética ser afirmada num rol de consequências
perante a filosofia.
“ O centro está em toda a parte. A
roda da eternidade volta a percorrer o seu caminho”[7]
Zaratustra tem aqui um vislumbre, aqui
se dá a abertura, a porta para a possibilidade de haver mais ser para além do
ser “é” de Parménides, ou das ideias de Platão, ou do circulo inexorável de N.
Podemos fazer mais e melhor se olhamos para o real sem circunscrevemos o seu
significado e a sua manifestação.
“E vós, - vós já fizésteis disto um estribilho!”[8] Para N. não é apenas o circulo!
“O homem é, para consigo próprio, o animal mais cruel que existe; […]”[9]
Esta ideia, em conjunto com a do ER, vão
atormentar N. até ao fim dos seus dias. No entanto, ele sabe que algo mais, e
muito mais poderoso que isso está ali. O humano tem opção. N. partilha da opinião
de Espinosa, o humano tem opção. Podemos nascer amarrados, mas pelo força do
questionar e esclarecimento podemos nos libertar daquilo que nos prejudica.
Para além do espartilho dos espelhos, para além desta vida poder ser um absurdo
repetitivo.
“[…]; é que é necessário ao homem
tornar-se, a um tempo, melhor e pior.”[10]
É necessário ao humano ultrapassar-se,
reinventar-se. A abertura para a visão dialética do ER. Há uma exigência no real, a VP., como o “fogo”
de Heraclito, determina a condução do real. O pior, o melhor, no homem ainda é tão
pequeno.
Zaratustra atormenta-se num momento de
fraqueza e visão curta:
“«Aí! O homem regressará eternamente!
O homem mesquinho regressará eternamente!»”
[11]
Aqui N. deixa-se dominar pelo medo,
pelo receio, não esclarece em profundidade. A questão poderia ser vista como
eterna possibilidade e não apenas eterna repetição. A eterna repetição dos
moldes, dos binários, a eterna diversidade dos ternários, da dialética. O
pequeno, a visão circunscrita do circulo simboliza o menor, o não emancipado, o
levado pela mão das morais.
“«Sempre regressará, esse de que estás
cansado, o homem mesquinho»”[12]
Mas acaba por reconhecer que nessas
palavras é o seu desespero a falar. “[…]
assim dizia a minha tristeza, […]”[13] – a sua fraqueza, o seu lado não
esclarecido. Mas novamente em si, olhando as coisas numa visão mais ampla N.
sugere que se pode interpretar o ER de outra maneira. Sai para a vida dizem-lhe
os seus animais. A dança, o canto, a alegria de viver, o abraçar a existência,
açambarca e supera tudo isso, numa perspetiva que não tem necessariamente de
ser assim. Contra os dogmas e as visões circunscritas Zaratustra ainda afirma: “[…]
será que ides já inventar outro estribilho a partir do que vos disse?” “Ó gracejadores, fabricantes de estribilhos,
calai-vos enfim.”[14]
Os animais representam as realidades
binárias, os círculos. Os criadores, preconizam uma existência com valor, com
significado, não apenas o desenrolar de um mesmo filme "over and over".
“Porque, ó Zaratustra, aos teus novos
cantos faltam liras novas.”[15] – um novo circulo mais além o grande
destino de Zaratustra, “[…esse que não foi ainda o destino de homem algum.”[16] Zaratustra é livre e faz se de novo,
não de reprodução de algo que já foi. Embora Z. se
repita eternamente, ninguém
ou outrem diferente vem repetir Zaratustra. O que Zaratustra escolher fazer será
único, pois é livre. Z está
liberto da moral, age pela sua ética interior. E que garantia há (para além de
quando se refere ao ER como uma ideia útil para algo mais) que os atos de Z.
por exemplo, serão ipsis verbis os mesmo para toda a eternidade? O destino de
Zaratustra. O primeiro a
ensinar a doutrina do ER. O primeiro. Aponta para uma ideia de algo que se veio
acrescentar como algo que ainda não estava nem esteve presente, os novos
valores. Z. não veio repetir o que outros Zaratustras tinham feito.
“Necessário é que sejas o primeiro a
ensinar esta doutrina”[17]
Uma ideia que o ER pode não ser cronológico. Como tempo
horizontal a roda vai e chega ao fim/inicio e repete tudo outra vez. Como tempo
vertical, o eterno retorno, poderá ser um esquema da realidade como linhas
infinitas que trespassam cada segundo, cada ponto da linha horizontal do tempo.
Cada ponto pode ser trespassado por um linha infinita para ambos os lados,
espelhos ínfimos, deste momento, espelhos infinitos que decorrem deste
momento. O eterno
retorno, a eterna repetição
também se dá se numa infinidade de clones
que se movimentam por uma infinidade de espelhos, que são outras tantas
infinidade de dimensões, que acontecem numa perspetiva de tempo vertical. Para
que Z seja o primeiro, então o eterno
retorno é uma
repetição como repetição infinita de espelhos e organismos, em sintonia com
este momento, mas não tendo existido necessariamente antes ou depois. Para que
o SH. vá acontecer e não seja apenas uma repetição do que já foi, o ER não pode
ser apenas circulo, realidade binária, logos estático. Há uma estrutura dinâmica no real, há processo, há transformação, no fim de tudo não acaba por ser
apenas um circulo, uma castração à maneira do ser de Parménides.
“Mas este conjunto de causas a que
estou preso regressará […] regressarei eternamente para este mesma e idêntica
vida, com todas as suas grandezas e suas misérias, […]”[18]
Tudo regressará eternamente, em termos
de moldes da realidade. Os seres regressaram, ou estão em dimensões a correr em
paralelo, existem infinitas versões de nós mesmos, mas não quer dizer que vão
agir exatamente todos do mesmo modo. Ou então, tendo de repetir o que já foi
feito, o ER. vai fazendo de cada um apenas uma marioneta do destino. Anunciar o
grande meio dia – o libertar do ciclo das existências repetidas. O advento dos
criadores, daqueles que se libertam das existências circulares, de horizontes binários,
onde se limitam a ser iguais ao que já se foi. Os criadores rejeitam as morais
porque são repetição, generalizações sem adequação à realidade. Rejeitam também
uma realidade que fosse repetição eterna do que foi, pois então não haveria
criadores, nem novos nascimento, nem uma vida de possibilidades. Haveria um guião,
um esquecimento enganoso, um apagamento da memória, para nos iludir que não estávamos
realmente a viver, estávamos apenas a reviver. Um ser autómato não é criador, não
é humano nem homem, é uma marioneta do destino. Não seria necessário pensar,
apenas viver aquilo que já foi estabelecido. Quando um criador consegue inovar
e desvenda, descobre, resolve um ponto além do circulo anterior. O sobre humano
é anunciado mas não é referido que já tenha existido. Ou a doutrina é uma
grande ilusão, ou o ER. não pode ser visto apenas como algo que só se
repete. O ser de Parménides, se não for complementado com dinamismo, é algo
amorfo, inerte, que não mostra toda a vida que está sustentada por isso. Para além das explicações binárias, N.
vai muito além disso. Aventa um projeto que terá viabilidade se se cumprirem
determinadas condições, éticas, que lançam as coisas para além do anteriormente, para o sobre
humano como conjunto de escolhidos (que se escolhem a si próprios), onde nas
revoluções anteriores, era um escolhido, um Krishna, um Buda, um Cristo. Agora,
Z. procura companheiros, criadores. No Grande
Inquisidor de
Dostoyevsky fala-se nesse conjunto de escolhidos.
Segunda Parte
1) O eterno retorno numa perspetiva dialética
Considerando a ideia do eterno retorno
na visão da sua vivência dialética.
“Compromise,
that's nothing new to you - logos estático, as morais, o “tu deves”, a
infraestrutura que N. tem de reformular, para depois servir de base de sustentação
a todo o seu edifício.
Depois,
o que há além disso em N. ?
Let's see colors that have never been seen
Let's go to places no one else has been”
logos dinâmico,
estrutura dialética da realidade e do eterno retorno.
Queremos afirmar que esta perspetiva dialética está
imbuída, implícita no pensamento de Nietzsche. Está mesmo mais de acordo com as
linhas fundamentais do seu pensamento. A filosofia de N. pauta-se por uma
enorme emoção e comoção. A emoção de podermos estar vivos e em sintonia e conexão com a vida, com o absoluto, com a
vontade de potência. Vista apenas numa perspetiva binária do ER a filosofia de
N. é mais pobre. A filosofia de N. pede mesmo para ser vista à luz de um ER de
perspetiva dialética. “let
see colours where never been seen” é o espelho das linhas fundamentais do
pensamento de N. As espirais os
circuitos alternados, guiado por um referencial, criam movimentos de progressão.
Estar em movimento, em dinamismo, na dialética, em avanço processual.
Na Gaia Ciência aforismos 285 e
341 o ER é visto numa visão fechada, binária, do claro circulo, da clara
realidade circular ( e não há
mal nenhum nisso, mas não nos podemos é limitar por isso). Há isso, e há além
disso. Muito mais que isso, o mundo e a realidade são muito mais que um relógio suíço.
Temos assim:
logos estático (analítico) – realidades binárias, leis da
natureza, círculos, repetições
exatas. Identidade
logos dinâmico (sintético) – Processo da Liberdade – Ensaio sobre Heraclito, o fogo que se alimenta de todas as coisas.[19]
Identidade
Equilíbrio de condições
necessárias
Liberdade / Relação
Logos
estático (analítico) – pensamento, entendimento, identidade, necessidade.
Logos
dinâmico (sintético) – alma, fogo, relação, liberdade
Logos
instituinte – transcende-nos
Logos
estático – Heraclito ® ciência
o circulo, binário, a
dualidade na identidade, o que é, como não é.
Logos
dinâmico – alma, inteligência,
Processo, dinamismo,
dialético, em processo, em construção.
2)
A Visão dinâmica
do ER
O eterno retorno pode ser outra coisa.
Um jogo de espirais e círculos, em vez de apenas um círculo que tudo unifica.
Em última instância não sabemos
dizer se esta grande progressão do real,
o grande processo do mundo, se é um grande círculo ou uma grande espiral. Qual
das visões preconizou N.? Em GC / AFZ, no papel, da
sua voz, a binária. Implícito no
seu pensamento e suas grandes ideias, a ternária. Embrionária, implícita nas grandes ideias da sua
filosofia. Está imbuído na F. de N a visão que o ER tem um propósito dialético,
teleológico, profético. O Sobre humano é o espelho
disso. – o primeiro de todos os humanos – o significado mais profundo do grande
meio dia.
O ER como
hipótese, como
suposição na GC é mais um sustentáculo para
uma superestrutura que dará sentido a toda aquela coluna basilar. Uma
superestrutura que fará a conexão do ser físico ao cosmos, do indivíduo à força
profunda que gere o real. Não apenas os seres com leques definidos, também as
espécies se superam – “ todas fizeram
algo para se superar”
A visão do ER numa perspectiva dialéctica
pauta-se por um poderoso pensamento que para sempre podemos alterar o passado e
o futuro. O tempo pauta-se também por uma profunda verticalidade.
“Tudo isto durou um longo ou curto
tempo; pois na verdade, já não há tempo sobre a terra para medir tais coisas.”[20]
3) Tempo vertical
Como o tempo psicológico de Agostinho, em cada momento,
vivê-lo trespassando cada ponto do seu decorrer horizontal e cronológico, mensurável (do tempo). Para além dessa manifestação do tempo, temos
outra, em que em cada ponto da sua linha horizontal se pode traçar uma linha
vertical de infinita elevação e profundidade, onde cada segundo tem uma infinidade de clones,
de repetições, que o
agora estará sempre e para o fim dos tempos a acontecer. Em cada momento um
infinito, uma eternidade. Estão, nesse jogo dos espelhos e dos clones infinitos
de cada instante, a vida pode ser prodigalidade e super abundância. Tudo existe
em permanência e eternamente, cada segundo entre, cada segundo é vivido e revivido eternamente para trás
e para a frente.
Não havendo passado ou futuro, o tempo
decorre em sintonia de cada momento consigo mesmo. Todo o ER está a acontecer
aqui e agora em diferentes dimensões. O ser humano pode, em cada replica mudar
a sua ação, pode melhorar-se, pode aperfeiçoar-se, progredir ao longo das existências
e em cada replica desta vida, participar numa unidade processual, ir além de
uma definição estática da realidade, do ser é, e aventurar-se e integrar-se,
inter agir como o que está a ser.
TERCEIRA
PARTE
1)Binário
e ternário
O
ER em N. - como antecâmara – introdutório – para a apresentação
da sua ideia principal (essencial) o Amor fati – o amor pela vida na sua
totalidade, no seu positivo e negativo, a vida integral. O eterno retorno como
sustentáculo para a sua ideia de abismo, de profundidade da vontade de potência.
O ER em N. binário, suporte para outra
ideia. Ternário, em embrião, implícito no seu pensamento. Fora isso, fora como
ideia introdutória para apresentar outra coisa. Apenas como repetição infinita, o ER
só tem esse sentido na filosofia
de N. Faz sentido como sustentáculo binário,
como parte de um todo, mas depois há em N. muito mais que o lado basilar
(mensurável, definível). Dois ER, o ER circular;
o ER dialético.
O circular / o dialético. N. fica-se pelo circular, porque o
utiliza apenas como instrumento, a plataforma para lançar a ideia do amor fati.
AFZ – “O Convalescente”. Visto
apenas na perspetiva da infinita repetição, limitado a uma das suas vertentes,
o ER seria mais um nada, e toda a existência seria um absurdo.
2) Do advento da tragédia
Um mundo trágico, repetindo a dor e o
sofrimento eternamente é uma perspetiva terrível, uma perspetiva de horror
que o holocausto e todas as atrocidades e genocídios da história se possam para
todo o sempre repetir, ( Z cai por terra no “Convalescente”) e para além
do mais, vamos amar isso.
Será que não podemos amar com critério? Será que não podemos realmente escolher o que
deve ser repetido, se com a consciência não podemos
selecionar realidade que
achamos que vale a pena ser revivida. Esta perspetiva também está de acordo
com a visão de N. da sua analise da validade dos valores.(o que podemos
passar por cima sem que tenha de novo de acontecer?)
Temos de nos entregar nos cornos do
animal selvagem? – do devir circunstancial, sem finalidade (de um
logos dinâmico, no devir) e deixar que uma força incomensurável dirigir isto
como tem dirigido até aqui toda a existência? Não há lugar nem papel para o homem? Ou se
integra na grande perspetiva da veia cósmica ou deixa de ter lugar no teatro
da existência. Quando se atinge este limiar da mente, do seu desenvolvimento,
uma ação egoísta fora da conexão ao todo quebra a conexão ao todo. Não é compatível, e só persistirá que se souber adaptar à exigência
sugerida pelo meio a seres criados na existência. Somos adultos e maduros,
responsáveis e sérios na maneira como agimos perante o planeta, no nosso amor à
terra, no nosso compromisso com a terra e com o corpo, ou não passamos de
trastes, de roupagens de superficialidade e aparência, quando na sua essência não
existe nada de válido a esse nível. O mundo, a vontade de potência exige à espécie
que passou o subliminar da sensibilidade, exige-lhe seriedade. Que estais a
fazer com este consumismo que suga o mundo e as vidas em prol do lucro
desenfreado? Que estais a fazer com este capitalismo de rapina e exploração de
humanos e da natureza? Tereis voltado à forma de animais dos que devastam tudo
por onde passam, não estão
por ventura equivocados a pensar-se pragas de gafanhotos, vírus do
consumismo. Que
se passa na cabeça dos humanos? Não estão por acaso a confundir a vida com um
filme, e pensam se calhar que esta catástrofe não está a acontecer à terra, não está a acontecer também a nós? Seremos tontos
ao ponto de sermos como a rã na panela? Talvez. Assim não subsistiremos. O
mundo exige, ou nos superamos, ou sermos superados.
“O humano é apenas uma corda sobre o
abismo”
“Todas as espécies fizeram algo para
se superar, que fizestes vós para vos superardes?”
3) Lado B
O lado válido na ideia de ER
apresentado na filosofia de N. é que essa ideia é abraçada como um ato de fé. Dançar com a
vida ao som da música. A iniciação que pode abraçar o amor fati. E daqui para a
prodigalidade, plenitude, o amor incondicional à vida. Aceitar tudo de bom e de
mau numa prova de absoluta entrega ao estar aqui, à vida e ao amor que temos
por tudo isto que está vivo aqui e agora, por este momento. Um profundo carpe
diem. O tempo vertical que faz cada vivência absoluta e eterna. Os clones
infinitos de cada momento, vividos em simultâneo no sem limite da sua
possibilidade. Amar a vida, ser fiel à terra. Amando tudo amamos a terra e a vida, esta vida, o momento,
o real, a circunstância, o estar aqui. Não ir atrás de aléns, de paraísos que fazem desta vida
uma antecâmera para a outra. A vida, o viver é aqui e agora. Rejeição da
espiritualidade cristã e hegeliana. Da
Imortalidade repetitiva para o amor fati
– ama tudo o que tiveres de fazer – a conciliação
universal do todo. Suporte para – o circulo, suporte para a grande dialética –
a conciliação dos opostos Na perspetiva dialética
podemos nos libertar do fatalismo, de uma última instância do determinismo. A rejeição do
fado, de uma visão de amar tudo, bom, mau, para uma seleção do que vale a
pena. N começa por uma critica e contestação dos valores e da moral. A
liberdade de podermos optar, podermos escolher que há momentos que não queremos que
eles tornem a acontecer. Nem mesmo quando esta vida e estes momentos se repetem
eternamente. São as
estruturas que se repetem - as ações,
os percursos podem divergir. Há opção. É o
que N. veio dizer na sua critica à moral, é isso que se pode dizer perante a
vontade de potência. Agindo com o absoluto tomamos parte na grande dança do
cosmos. Não somos apenas marionetas que se limitam a desempenhar o mesmo papel
até ao fim da existência (no pensamento de
N. também o podemos encontrar). Para além do jogo dos espelhos circunstancial,
somos atores no infinito dos clones de cada momento, e em cada um deles
podemos melhorar, não é contrário
ao espírito do pensamento de N. há opção.
Conclusões
1) Em vez de eterna repetição,
preconizada por N na GC e nos capítulos do AFZ
a dialética ( implícita, em génese, em potencia, no pensamento de N) apresenta eterna
possibilidade. Podemos reviver cada momento e em cada momento podemos escolher,
( vs visão instrumental do ER.) e em vez de ser eterna repetição, será eterna diversidade, infinita potência.
Qualquer perfeição será
possível de alcançar até um patamar em que o humano que faz a
elevação ética deixa de sofrer por carência de necessidades básicas para uma
vida com dignidade. A potência revela toda a sua abertura. A grande força, a vontade soberana. O caos
na cultura clássica era uma abertura, um infinito que permitia a difusão, o
definir das coisas. As realidades ganham definição a partir de um caldo, de uma
amálgama coletiva de todas as coisas.
2) O infinito caldeirão de todas as
coisas, na sua repetição infinita, revela toda a sua prodigalidade. Existe de
tudo em infinitas quantidades. Com o processo certo, adequado, processaremos
toda a realidade e todas as coisas conforme a pretensão universal da vida.
Através de nós, o espírito
ganha realidade física (assumimos um estádio
superior – o divino) e todas as coisas são possíveis. Sim existe a possibilidade lógica, mas nem todas as
coisas são exequíveis. Há uma diferença entre a possibilidade e a
exequibilidade. A liberdade pode ser absoluta, não total, (liberdade absoluta, com regras, ante a
liberdade total, sem regras, onde tudo seria licenciado, mesmo a desordem que
lançaria o mundo num caos). A liberdade absoluta pressupõe uma estrutura de
base, uma ordem, um sustentáculo onde assenta depois todo o voo do espírito. A
liberdade pode ser absoluta, liberdade quanto aos condicionalismos espácio temporais, mas só para os que
conseguem responder à exigência do logos dinâmico, só para os que atingiram a maturidade ética. A abertura, a infinita fonte. A vida com infinita potência, será superabundante e pródiga. Visto o ER
nesta perspetiva a potência, a possibilidade é como na física quântica, a imaginação
marca os limites do possível. A ética marca os limites do exequível. A ética é a exigência do sobre humano. A total
licenciosidade seria uma opção pelo caos. A vontade de potência pressupõe uma
estrutura de ordem. Por isso a escolha, a rejeição da unicidade do círculo, do
eterno retorno como repetição infinita. No
círculo não haveria escolha – a ética é
a possibilidade de escolha – estava determinado, e não podemos ser
responsabilizados pelos nossos atos.
A licença não é para usar toda a potência do
mundo de acordo com interesses individuais, de um querer egoísta, mas sim, uma
perspetiva de um caminho (N. - o mundo
ainda não tem um alvo) que una os criadores, os destemidos, que avançam sem
moral, sem corda por cima do abismo.
Algo
Mais
1) O estar aqui, na existência.
A ideia do ER. a visão binária de N.
na GC e no AFZ. A ideia do ER como circulo fechado, como perspetiva parcial. A
ideia do ER pode ser vista e definida sob outra perspetiva. Mas em N. a
validade da ideia não advém de ela ser só uma visão binária. Em N. ela serve de sustentáculo para
N. lançar a suas ideias / principais: Sobre Humano, Amor fati, transmutação dos valores a ideia do ER para N. serve como prova iniciática, para se poder aspirar ao amor
fati, como prova; ao sobre humano como exigência à rejeição da moral, como evolução e
esclarecimento, à aliança
com a vida (VP), com tem de se dar a aliança com a vida, o amor fati é esse relâmpago que estabelece a conexão.
O amor fati sustenta o pleno
envolvimento com a vida, com a existência. Amar tudo o que está, dor e alegria,
com a mesma intensidade, com a mesma intensidade de estar a amar e em conexão
com a vida, no seu todo, e no seu coração vital. Para além dos círculos, das ideias restritas
de ER, em N. podemos desenvolver o que deveria ter significado o ER para o
pensamento de N. A verdadeira dança com Heraclito, só se dá na plenitude da dialética. E a ideia de ER em N. é binária. Por isso não é com o ER que N. dança, o ER é apenas base de sustentação, um
trampolim para, para a plenitude do pensamento, para o Amor fati, com o sobre
humano, com a transmutação de todos os valores, que advém da oportunidade que surgiu com a
morte de deus e com o vazio da sua perda. O louco com a lanterna apontava à linha
do horizonte. Ficou-se sem ponto referencial. O horizonte deixou de ser referência.
Temos de encontrar dentro de nós
os criadores. Numa perspetiva dialética (então) o ER seria o acontecer
infinitamente da redenção. Em cada repetição se tem a oportunidade de corrigir,
retificar, evoluir.
Essa é outra ideia de ER. para mim, em
N. está em génese, latente e escondida, mas está lá. Esta visão é mais plena de sentido e adequa-se melhor
ao pensamento de N. (pensamento de N. concretizado).
Mais plena de sentido e de
oportunidade, esta visão dialética não
nega o circulo, integra-o, num grande quadro geral, onde a chegado do realmente
novo vem rebater a ideia de que o mundo se pauta por repetição infinita do
mesmo.
À luz da dialética, a união que fazemos à vida, torna-nos
avatares de uma divina circunstância. O amor que exprimimos por ela através do
AF torna-nos iniciados, criadores. Por momentos, durante aquele tempo somos um
com a vida , a VP, com o absoluto. Nós estamos sendo nele, e ele em nós. Temos também ideia em N., estamos sendo um com a
vida, com o espírito, com o absoluto. Neste momento o divino, como estado,
materializa-se no nosso avatar.
Através de uma ética elevada, libertos
de morais e emancipados das ordens gerais, o ser que era o homem, passa a ser o
humano, o super homem. O ser humano olha e rejeita a viver em prol de esperanças supra terrenas, não quer saber da
vida por memórias do passado ou em alienação em nome de um futuro que ainda não está aqui. Os humanos sabem dentro de si o que
está correto. Se vivem em pleno, escutam o logos, o estático e o dinâmico,
a vida, a manifestação neste mundo de uma entidade que para sempre ficou relegada
no seu plano transcendente. Mas está lá, aqui, A vida, o logos dinâmico gere o
organismo do cosmos, e nós, ou estamos contra essa maré, ou estamos em
sintonia, aceitando-a como ela é, e assim, sem medo, sem falsos saberes ou crenças,
se afirmam os humanos com um estar mais pleno.
2) Terceira faixa
Se todos os segundos se repetem,
infinitamente, há uma infinitude de espelhos e de realidades paralelas.
Se são apenas espelhos infinitos iguais?
Ou são clones
infinitos deste momento.
Sendo fiel à essência da filosofia de N. parece não fazer sentido que em todos se passe
exatamente numa eterna repetição do que já foi. Cada repetição deste momento
tem de ser apenas igual a si própria, como se não pudesse haver transformação, mutações,
desenvolvimentos. N. usou o ER como trampolim (meio indiferenciado, certa visão esclarecida) para as suas ideias
maiores
Amor fati – ER como prova
Sobre humano
– ER como perspetiva dialética – um traçado a ser alcançado, ou então
o Sobre humano sempre existiu.
Transmutação dos valores – morte de
deus
Dialética, na rejeição da não
validade. Uma ética
intima transborda do melhor de cada um. Rejeição à sujeição do pensamento,
rejeição à sujeição ao devir (passado ou futuro). Devir
circunstancial e devir
a longo prazo – esquecendo o que está,
olhando para outro além, ignora a vontade de potência. A abertura que tem a imaginação como o
limite do possível, e a ética
como o limite do exequível.
3) Parte IV
Devir – 2 manifestações do devir- Como o Tao e o tao.
imediato – o que se faz
Transmutação circunstancial – para
onde se vai
Exigência ética – sobre humano
Visão dialética – exigência de criadores – novas tábuas
Transmutação de valores- deitar abaixo
– Xiva o destruidor.
Negativo, o oposto. Rejeição da moral
do não presente – exigência de criadores. Afirmação plena no aqui e agora, no
espirito imortal divino que gere o presente. A vontade de potência, um espirito
que tudo leva no seu intento. Um grande conflito em N dá-se entre o
determinismo repetitivo ao infinito, e uma liberdade da criação plena e da
potencia infinita.
Duas faces de um ser menor
Logos estático (analítico) – o circulo
Logos dinâmico (sintético) – a espiral
Ambos presentes na filosofia de N., um
declarado, o outro imbuído no espirito e na sua necessidade para o organismo de
N. abra em pleno as suas azas no cumprimento de mais uma etapa das suas
potencialidades. A Vontade de Potência exige atualização.
Bibliografia
Nietzsche, Frederico, Assim falava Zaratustra, (1883-1885), Lisboa, Editorial
Presença, 1974
Nietzsche, Frederico, A Gaia Ciência (1882), Lisboa, Relógio D´Água Editores, 1998
[1] Nietzsche, Assim falava Zaratustra,
(1883-1885), Lisboa, Editorial Presença, 1974, § “O Convalescente”, p. 231
[2] Nietzsche, Ibidem,
p. 231
[3] Nietzsche, Ibidem,
p. 233
[4] Nietzsche, Ibidem,
p. 233
[5] Trabalho sobre Heraclito - Processo da Liberdade em Três Partes
[6] “Não é possível descobrir os limites da alma, mesmo
percorrendo todos os caminhos: tão profunda medida ela tem.” Heraclito,
Fragmento 45
[7] Nietzsche, Ibidem,
p. 233
[8] Nietzsche, Ibidem,
p. 233
[9] Nietzsche, Ibidem,
p. 234
[10] Nietzsche, Ibidem,
p. 234
[11] Nietzsche, Ibidem,
p. 235
[12] Nietzsche, Ibidem,
p. 234
[13] Nietzsche, Ibidem,
p. 234
[14] Nietzsche, Ibidem,
p. 235
[15] Nietzsche, Ibidem,
p. 236
[16] Nietzsche, Ibidem,
p. 236
[17] Nietzsche, Ibidem,
p. 236
[18] Nietzsche, Ibidem,
p. 237
[19] “Quando nos libertamos da perspetiva parcial, e nos
integramos na experiência da vida, sentimos que nós
somos apenas uma gota de agua numa imensa onda.
Podermo-nos sentir nela é a experiência de uma vida. O fogo faz todas as compensações, necessita
dos homens que dormem, quer-nos vivos, necessita do mundo natural, necessita de
estrelas e galáxias. O fogo
ultrapassa-nos, mas faz-nos pensar, não é uma onda, a onda é o
engano dos que dormem. A realidade não
se repete incessantemente, os que pensam assim não escutaram o logos. É impossível tomar duas
vezes banho nas mesmas aguas, as margens mantém-se,
(o logos estático), as leis da natureza são algo que é estrutura
da realidade, mas o rio, (a vida, o fogo), passa. O fogo é como um rio que corre sem fim, mas a metáfora
do fogo ultrapassa o rio, por isso o rio foi apenas uma imagem, pois o rio
ainda está circunscrito a um fim. O
mundo também é um rio definido, mas é mais
que isso, uma das partes do mundo é essa realidade cíclica, uma outra a
realidade dinâmica que só se pode representada pelo fogo.
O
fogo é um rio que se está sempre a fazer.
É um rio sem margens, (ou as margens deste rio transcendem-me) que corre
com a liberdade suprema, sem fim, que se acende e extingue na medida das suas
necessidades. O logos é ordem de
segurar a base estática, estrutural, mas é também ordem para o dinamismo. Não bastam as leis, tem de existir os
seres. Não basta o dever, tem de existir
o prazer, compensam-se, mas um sem o outro não faria sentido. Não basta as
coisas estarem encerradas, tem de existir a abertura. “ Ensaio Processo da
Liberdade - Heraclito
[20] Nietzsche, Ibidem,
§ O Sinal, p. 347