Nº 13 - Descartes
A Audácia do Novo Tempo
Boletim de Ideias Filosóficas
Descartes - A Audácia do Novo Tempo
“…se quero descobrir algo indubitável, tenho, daqui em diante, de suspender cuidadosamente o assentimento, não menos às minhas convicções anteriores do que às abertamente falsas.”
Descartes, Meditações sobre a Filosofia
Primeira
Índice
1) Perspetiva Histórico-Cultural
2) O Conhecimento em Suspenso
1) Perspetiva Histórico-Cultural
Na baixa Idade Média, na Escola de Paris, dá-se o despontar da matemática como instrumento de explicação da realidade. Boécio de Dácia com o seu texto A Eternidade do Mundo, reivindicou a separação entre a teologia e a filosofia, defendendo a autonomia e a emancipação da filosofia face à teologia. Com Kepler, Galileu e Bacon (que aponta o primado do método indutivo), deu-se a urgência de uma atualização gnosiológica, alicerçada na ideia de uma matemática universal, onde o método matemático seria aplicado aos vários aspetos da cosmologia, numa visão, perspetiva e fundamentação novas, que iriam marcar o tempo e suplantar o que estava para trás quanto à validade do conhecimento.
Descartes, que tinha um enorme desdém pela tradição, pretende, no campo do conhecimento não levar em consideração o que estava para trás e começar de novo, instituir uma nova física, generalizar o método matemático a todas as ciências, através de uma metodologia que conduzia à certeza indubitável. No domínio da filosofia, pelo poder do raciocínio, partindo da questão da validade objetiva do conhecimento, Descartes vai fundar uma nova teoria do conhecimento ao introduzir o rigor matemático (método cientifico). A perceção intelectual clara e distinta vai dar-lhe o critério para que de facto o conhecimento seja válido e a construção cientifica efetiva.
O Renascimento de Da Vinci, Rafael e
Michelangelo, da Revolução
Científica com o seu método experimental, os Descobrimentos Marítimos, que
abriram ao mundo as rotas globais, a Reforma de Lutero, a Imprensa de
Gutenberg, a exigência do rigor na linguagem preconizado pelos humanistas, a nova
dignidade do ser humano e a sua passagem para primeiro plano, tudo isto eclodiu
naquele tempo para René Descartes - investido pelo Espírito da Verdade -
unificar as ciências, reconciliar a filosofia com a sabedoria e fundar a Modernidade.
Do confronto entre o científico naturalista
e o místico-racional, na perceção para onde os levou a cada um a escolha do
caminho que tomaram, os pensadores daquele período souberam analisar e comparar
as linhas fundamentais dos trilhos do passado. Galileu constrói-se na destituição do
sistema aristotélico. A exigência dos tempos modernos tem de superar em rigor e
exigência o método do maior dos maiores (Aristóteles). Para superar o mestre
dos mestres só seria possível com uma ciência excecional em rigor, em método,
em resultados; o rigor da escrita em sintonia com o rigor dos números e dos
teoremas. Galileu afirma a abordagem dos novos tempos, vai utilizar o que do
mundo pode ser mensurável, na aplicação das matemáticas às realidades supra
lunares. Descartes, na continuação de Galileu, de Bacon e dentro do espírito do
seu tempo, vai dar o grande salto para todo aquele novo quadro onde o problema
do conhecimento passou a ser primordial e se dá o primado da
gnosiologia sobre a ontologia.
Os impulsionadores do novo saber
científico, numa
viragem subjetiva alicerçada em investigações do intelecto humano, pretenderam
a unidade do saber tendo como modelo a matemática e o rigor da geometria. No
entanto, a cadeia de causas ao infinito obrigava-os a pressupor uma causa
primeira, um princípio metafísico, Deus como fundamento ontológico, e dado que
a partir dali a ontologia ficou na dependência da gnosiologia, também o
fundamento do conhecimento. Deus como contraponto para que os sistemas fossem
equilibrados[1]. Com isto os filósofos
da modernidade não chegaram a superar a “síndrome”[2] de Deus[3] nem se
expressaram plenamente.
2) O Conhecimento em Suspenso
Para além da certeza subjetiva (crenças), Descartes
procurou a certeza objetiva, onde asserções infalíveis excluem a possibilidade
do erro e serão garante da certeza e da verdade. Descartes levará a cabo uma
investigação acerca dos princípios básicos sobre os quais estavam alicerçadas
as crenças e o saber do seu tempo.
“Notei, há alguns
anos já, que, tendo recebido desde a mais terna idade tantas coisas falsas por
verdadeiras, e sendo tão duvidoso tudo o que depois sobre elas fundei, tinha de
deitar abaixo tudo, …, e começar, de novo, desde os primeiros fundamentos, se
quisesse estabelecer algo seguro e duradoiro nas ciências”[4].
Ao perceber que o saber da tradição não era fiável nem
credível, Descartes - assim como Kant, na Critica da Razão Pura, separou
a ciência da filosofia - vai distinguir o saber da opinião. Muito do que se
tinha por certo muitas vezes era contradito pela experiência, pela nova ciência
matemática e pela exigência de uma filosofia de rigor. Descartes após Galileu e
Bacon, na senda do seu tempo, pretendeu fundar uma matemática universal e utilizar o rigor
da matemática aplicado a todos os campos do saber, em particular à filosofia.
O saber que herdou, tirando as frágeis
teorias de pensadores excecionais (acerca das quais um deles teve de se
retratar perante a Inquisição), era pouco fiável. Descartes quis fundar um novo
saber de rigor, que tivesse validade, alicerçado em bases sólidas, e que
resistisse ao ceticismo, do qual se pudesse afirmar como certo e verdadeiro.
Toda a conjuntura inicial da dúvida metódica,
no primeiro capítulo das Meditações, vai no sentido de tudo o que se
tinha por certo no campo do saber ser posto em dúvida (todo o suposto
conhecimento teria de passar pelo crivo da análise da luz natural), para ver o que resiste à mais profunda inquirição e ao
mais profundo ceticismo. Descartes testou todo o saber, para verificar o que
resiste indubitavelmente. As opiniões, o conhecimento sensível, as diversas
vozes do saber, colocadas no crivo do entendimento, para as analisar, para as
colocar em questão, para as analisar, se resistem ou se sucumbem. “… vejo-me
constrangido a reconhecer que não existe nada, naquilo que outrora reputei como
verdadeiro, de que não seja lícito duvidar, …, por válidas e
meditadas razões."[5]
Nada do que anteriormente se tinha
como saber resiste perante a duvida metódica. As opiniões, o saber sensível,
as matemáticas e o conhecimento a priori. Nada resta, tudo pôde pôr em dúvida,
nesta vertigem de um saber sem fundamento sólido, e assim todo o suposto saber
terá de ficar em suspenso, pois não há base sólida que lhe garanta
sustentabilidade perante o ceticismo e a dúvida radical. Este o ponto da situação
no fim da Meditação I. "Então, que será verdadeiro? Provavelmente uma só coisa:
que nada é certo."[6]
3) Da Dúvida Metódica à Certeza do Cogito
No início da Meditação II Descartes esbarra com o pensamento de Santo Agostinho. “Pois se me enganar, existo. Realmente, quem não existe de modo nenhum se pode enganar.”[7] Na constatação de que tudo pode ser colocado em dúvida, que tudo pode ser posto em causa por não ter um fundamento sólido, serei apenas eu (o cogito), como ser que duvida, a única coisa certa da qual nada se pode duvidar?
“No entanto, não há dúvida de que também existo, se me engana; que me engane quanto possa, não conseguirá nunca que eu seja nada enquanto eu pensar que sou alguma coisa.”[8]
Descartes pôde pôr tudo em dúvida mas não consegue negar a sua existência. “De maneira que, depois de ter pesado e repesado muito bem tudo isto, deve por último concluir-se que esta proposição Eu sou, eu existo, sempre que proferida por mim ou concebida pelo espírito, é necessariamente verdadeira.”[9] Descartes nunca poderia ter concebido que não existia, se pensava, só poderia existir e a clareza daquela evidência era realmente o alvo das suas investigações. Assim, numa evidência construída à luz da análise da luz natural, concebe Descartes que essa evidência é uma perceção clara e distinta,[10] e nessa evidência, encontra Descartes o critério para, a partir deste, fomentar o método e construir o conhecimento válido. Na apreensão imediata da ideia clara e distinta, da sua evidência, encontra Descartes o critério de certeza e verdade.
Na sinopse da Meditação II Descartes afirma “…tudo aquilo que concebemos com clareza e distinção, no modo exato por que o concebermos é verdadeiro,…”[11] Esta certeza não pôde ser colhida dos sentidos ou da imaginação (analisou que neles, pela dúvida, pode sempre pôr em causa a validade do conhecimento -“…nenhuma das coisas que posso perceber graças à imaginação pertence ao conhecimento que tenho de mim mesmo…"[12]), pode sim, ser colhida da pela inspeção do espírito que assim concebe e institui a evidência fundamental, que vai servir de base, de suporte, para a construção do edifício do conhecimento. “…posso estatuir como regra geral que é absolutamente verdadeiro tudo aquilo que compreendo clara e distintamente.”[13]
4) Suporte Metafísico do Conhecimento
“ … é manifesto
pela luz natural que o conhecimento do entendimento deve preceder sempre a
determinação da vontade.”[14]
As faculdades do conhecimento são o intelecto (entendimento e razão) e a vontade (faculdade de querer). A faculdade que Descartes mais confia é a luz natural (a razão e o entendimento), porque tudo o que essa luz natural o faz conhecer não é duvidoso, e no que conhece clara e distintamente não apreende nenhum objeto que não seja verdadeiro. O erro advém de um uso incorreto das nossas faculdades. É a vontade que emite os juízos, e em relação a estes há em Descartes uma teoria dualista. Os juízos dependem do entendimento que os enuncia e da vontade que afirma ou nega o que foi enunciado. O entendimento apreende ideias[15], tem perceções claras e distintas, tem a capacidade de entender, mas é uma faculdade passiva, que não afirma ou nega. É a vontade que afirma ou nega proposições e emite juízos. O erro resulta da emissão de juízos sobre questões que não percebemos com clareza e distinção. Em tudo que o entendimento concebe clara e distintamente não há erro, o erro advém de um mau uso do livre arbítrio, a vontade afirma mais do que o entendimento concebe. É a vontade, que vai mais longe que o entendimento e que não permanece dentro dos limites deste, que nos leva ao erro ao dar acendimento a juízos que vão além do que o entendimento concebe.
“Ora, quando não concebo bastante clara e distintamente o que é verdadeira, é claro que se me abstenho de dar o meu juízo sobre uma coisa procedo retamente e não me engano.”[16]
Na Meditação III Descartes dá-nos conta que o critério não estava suficientemente validado. Após o critério - da validade das ideias claras e distintas, que após a análise do espírito, pelo esclarecimento da luz natural, são apontadas como conhecimento seguro e válido - continuava o problema do Deus enganador. “…sobre o poder supremo de Deus, … a ele lhe é fácil, se o quiser, conseguir que eu erre também naquilo que intuo de modo mais evidente pelos olhos do espírito.”[17] Se podia dar-se o caso de um Deus enganador, a validade da nova base do saber não estava ainda seguramente estabelecida e ficando deste modo todo o conhecimento em suspenso. Tanto as verdades matemáticas, como o novo rigor da filosofia podiam ser postas em dúvida. Perante a possibilidade de um Deus enganador o critério, que tinha por base as evidências claras e distintas, não estava ainda estabelecido em definitivo, faltava uma fundamentação, metafísica, e para isto, aponta Descartes para as provas das existência de Deus.
A razão deste duvidar, que apenas depende
desta fraca conjetura do Deus enganador é metafísica. Assim Descartes terá que afirmar a existência
de Deus, e que ele não é enganador. “Porém, para a
suprimir, devo examinar primeiro, …, se Deus existe e, no caso de existir, se
pode ser enganador. Porque, ignorando isto, não me parece que possa ficar nunca
absolutamente certo de qualquer outra coisa.”[18] Só perante um Deus existente e não enganador o novo saber e
todo o edifício que sobre ele
se vai construir terá
validade efetiva
e resistirá ao poder da dúvida cética.
Segundo
Descartes “…é manifesto, pela luz natural, que deve haver pelo menos tanta realidade
objetiva na causa eficiente e total como no efeito da mesma causa."[19] A causa confere realidade ao efeito
porque a possui, e o efeito tira a realidade da sua causa (algo não pode provir
do nada). Assim, “…aquilo que é mais perfeito,
isto é, que contém em si mais realidade,…”[20] não pode provir do que contém menos
perfeição (realçando o
alcance metafísico na formulação do princípio
de causalidade). Uma ideia pode nascer de outra, mas se vamos procurar a
causa dessa ideia noutra ideia, não podemos continuar num progresso ao
infinito, tem de haver uma primeira causa. Deus, que não se sujeitou a nenhuma
predeterminação, criou todas as verdades por sua vontade. Toda esta argumentação
e este périplo leva às provas da existência de Deus (Deus, causa sui,
existe e não é enganador) e na sua existência a fundamentação metafísica do
conhecimento.
Descartes em três provas, duas a posteriori[21] e uma, a
priori[22], afirma a existência
de Deus e que Ele não
pode ser enganador. Deus é infinito e perfeito, não tem nenhuma privação (é ato
e não potência), nada lhe falta, está completo, e como tal, a argumentação de
Descartes vai no sentido que é bastante claro que Deus não é enganador porque
se o fosse algo lhe faltava “…é manifesto pela luz natural que toda a fraude e
engano dependem de alguma privação.”[23] Deus é perfeito e
não pode ser enganador. “…reconheço que é impossível que ele me engane alguma
vez, porque em toda a falácia ou logro se descobre alguma imperfeição (…)
querer enganar atesta, sem dúvida nenhuma, malícia ou fraqueza de espírito: o
que, por isso não pertence a Deus.”[24] Ser enganador está abaixo do que Deus é,
seria indigno para Deus ser enganador, e se o fosse, não seria Deus, o
absoluto, o altíssimo, perfeito, completo,
algo lhe faltaria. Não está na essência de Deus ser enganador. Está na sua
essência a existência, não está na sua essência ele ter essa privação que o
levaria a ser enganador.
Assim, Deus existe e não é enganador, é o
garante de toda a validade do conhecimento cientifico, de todas as certezas
científicas. As perceções claras e distintas não podem ser postas em dúvida, a
validade do conhecimento é confirmada e sobre ele Descartes edifica a nova ciência.
Para além da realidade de Deus e de si próprio, Descartes afirma a validade do
método. A decomposição máxima
do complexo para o unitário, e a partir das partículas elementares, a partir das evidências,
edificar de novo,
tijolo a tijolo, o edifício do saber. O novo padrão do saber e a nova Filosofia estão
assegurados. A separação definitiva, a afirmação definitiva da ciência e da
filosofia perante as crenças e o saber de opinião (o saber mágico, o saber da
alquimia, o saber místico).
5) Os Alicerces da Nova Filosofia
Descartes teve a audácia de inaugurar uma nova era, onde
a filosofia se emancipou dos supostos saberes sem fundamento sólido, e se afirmou
com método e rigor matemáticos. Naquele ponto, naquele momento, perante tanta
desconsideração, tanta dúvida, onde tinha de lutar em pé de igualdade com crenças,
opiniões e mesmo com a teologia, ou a filosofia se emancipava e se afirmava
realmente como conhecimento válido e fundamental ou, sem rigor e bases sólidas,
não valeria a pena haver filosofia. Foi no abismo dessa perspetiva - a
filosofia acabar ou ter de se definir com novo método e forte rigor - que
aquele homem teve a força e a audácia para levar a cabo a edificação dos
alicerces de uma nova filosofia e do novo tempo.
Na evidência do cogito, Descartes encontrou o critério
(as ideias claras e distintas garantem que Deus existe, e na existência dele,
está garantida a validade do conhecimento) que nos mostrará sempre, como
distinguir as crenças e as opiniões do saber. Como consequência, as perspetivas da opinião e as crenças
foram para sempre
desarraigadas do patamar
dos saberes. O grande mérito de Descartes foi o afirmar o raiar do tempo novo,
a sua filosofia é basilar e incontornável para tudo o que veio depois. A partir
dali, guiado pelo método cientifico, um saber que não cumprisse aquele rigor,
aquela evidência e clareza seria desclassificado como saber válido.
O princípio está na análise
humana. Deus é o fundamento metafísico, mas também um contrapeso, uma
ponte de equilíbrio entre a realidade do pensamento, e a realidade da sociedade
onde a Inquisição ostentava o seu poder. Deus existe, não é enganador, as
ideias claras e distintas são inatacáveis, dão suporte inteligível à forte
possibilidade da existência de Deus (fundamento do que o fundamenta a si).
Obtidas da dúvida e da evidência do cogito, vão sustentar todo o edifício
da filosofia primeira.
Descartes inaugurou a subjetividade da filosofia
moderna. A Modernidade vai afirmar-se nestes termos e sob estas condições. O
pensamento de Descartes passou a ser incontornável para quem veio depois. A
fundamentação do conhecimento está em Deus, mas o que garante que Deus é verdadeiro e não enganador é a clareza e
distinção com que o intelecto concebe essa ideia. Clareza e distinção, da análise
da mente ao critério de certeza de um saber certo e indubitável. As ideias
claras e distintas (compreender, conceber) garantem a validade do conhecimento,
as bases firmes de uma nova filosofia alicerçada nos raciocínios e nas reflexões
do sujeito.
Bibliografia
Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Coimbra, Livraria Almedina, 1992
John Cottingham, A Filosofia de Descartes, Lisboa,
Edições 70, 1989
Santo Agostinho, A
Cidade de Deus, Volume II, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2017
[1]Depois do episódio de Galileu perante a Inquisição, os pensadores modernos ficaram de
sobreaviso, uma certa mudança foi-lhes permitida, mas nunca o
suplantar de Deus como instância superior (qualquer fundamentação teria sempre em Deus a sua justificação última) dentro dos diversos sistemas da modernidade.
[2] Deus é o fundamento metafísico em Descartes, Espinosa, Leibniz e
Berkley,; um fundamento transcendente que só será suplantado por Kant.
[3] Na objetividade
do método, o elemento subjetivo, imanente, preparou os passos para o abandono
em definitivo da fundamentação transcendente, o abandono da fundamentação metafísica em Deus, que
se dá com Kant e com o Idealismo alemão.
[4] Descartes, Meditações sobre a Filosofia
Primeira, Coimbra, Livraria Almedina, 1992, p. 105
[5] Descartes, Ibidem, p.112
[6] Descartes, Ibidem, p. 118
[7] Santo Agostinho, A Cidade de Deus,
Volume II, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2017,
p.247
[8] Descartes, Meditações sobre a Filosofia
Primeira, Coimbra, Livraria Almedina, 1992, p. 119
[9] Descartes, Ibidem, p. 119
[10] Para Descartes clareza, aponta para uma definição rigorosa das propriedades da ideia em causa, enquanto distinção apresenta a ideia separada de todas as outras, de modo a distinguir os atributos que lhe pertencem. Em Leibniz (tendo
aprofundado esta doutrina das ideias claras e distintas) uma ideia será clara se permitir reconhecer e identificar o seu objeto e distinta se nos dá a definição para
distinguir as suas características específicas.
[11] Descartes, Ibidem, p. 99
[12] Descartes, Ibidem, p. 124
[13] Descartes, Ibidem, p. 136
[14]
Descartes, Ibidem, p. 175
[15] Quando as ideias
consideradas apenas em si mesmas, não podem ser falsas, pois qualquer imagem
que a sua mente cria, seja verdadeira ou falsa, não deixa de ser verdade que a
sua mente a cria. Na terceira
meditação, Descartes faz uma análise das ideias, em relação à sua
origem e à sua realidade objetiva. Descartes
compreende com clareza as ideias ou pensamentos das coisas que se apresentam ao
espírito. Após um exame aos seus pensamentos (que são qualquer
estado de consciência; as sensações e a imaginação são certos modos de pensar),
Descartes diz que são ideias os pensamentos que “…são como que imagens das
coisas…” (Descartes, Ibidem, p. 139). Quanto à classificação das ideias, Descartes distingue-as como inatas, adventícias e fictícias,
e vai fazer uma investigação do porquê julgar
que há uma semelhança entre as ideias adventícias e as próprias coisas. Às
ideias como modos de pensar, Descartes não lhes reconhece
desigualdade, mas enquanto representações dos seus objetos, são diversas entre
si, e umas representam modos ou propriedades, outras substâncias finitas e uma representa uma substância infinita. A ideia de Deus como maximamente clara e distinta, contém
mais realidade objetiva que todas as outras.
[16] Descartes,
Ibidem, p. 175
[17] Descartes, Ibidem, p. 138
[18] Descartes, Ibidem,
p. 138/139
[19] Descartes, Ibidem,
p. 145
[20] Descartes, Ibidem,
p. 145
[21] Primeira: causa das
ideias - a ideia de perfeição que tenho em mim não pode ter vindo de mim;
segunda: a causa da minha existência - se eu fosse o meu próprio criador ter-me-ia feito perfeito
[22] Prova ontológica -
um ser supremo só pode ser concebido como existente. A sua perfeição implica a
sua existência.
[23] Descartes, Ibidem,
p. 164
[24] Descartes, Ibidem,
p. 166

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