sábado, 18 de janeiro de 2025


 




Nº 13 - Descartes

 A Audácia do Novo Tempo


Boletim de Ideias Filosóficas






Descartes - A Audácia do Novo Tempo



“…se quero descobrir algo indubitável, tenho, daqui em diante, de suspender cuidadosamente o assentimento, não menos às minhas convicções anteriores do que às abertamente falsas.”

                                                           Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira





Índice

1) Perspetiva Histórico-Cultural

2) O Conhecimento em Suspenso

 3) Da Dúvida Metódica à Certeza do Cogito

 4) Suporte Metafísico do Conhecimento

 5) Os Alicerces da Nova Filosofia


1) Perspetiva Histórico-Cultural         

Na baixa Idade Média, na Escola de Paris, dá-se o despontar da matemática como instrumento de explicação da realidade. Boécio de Dácia com o seu texto A Eternidade do Mundo, reivindicou a separação entre a teologia e a filosofia, defendendo a autonomia e a emancipação da filosofia face à teologia. Com Kepler, Galileu e Bacon (que aponta o primado do método indutivo), deu-se a urgência de uma atualização gnosiológica, alicerçada na ideia de uma matemática universal, onde o método matemático seria aplicado aos vários aspetos da cosmologia, numa visão, perspetiva e fundamentação novas, que iriam marcar o tempo e suplantar o que estava para trás quanto à validade do conhecimento.

Descartes, que tinha um enorme desdém pela tradição, pretende, no campo do conhecimento não levar em consideração o que estava para trás e começar de novo, instituir uma nova física, generalizar o método matemático a todas as ciências, através de uma metodologia que conduzia à certeza indubitável. No domínio da filosofia, pelo poder do raciocínio, partindo da questão da validade objetiva do conhecimento, Descartes vai fundar uma nova teoria do conhecimento ao introduzir o rigor matemático (método cientifico). A perceção intelectual clara e distinta vai dar-lhe o critério para que de facto o conhecimento seja válido e a construção cientifica efetiva.

O Renascimento de Da Vinci, Rafael e Michelangelo, da Revolução Científica com o seu método experimental, os Descobrimentos Marítimos, que abriram ao mundo as rotas globais, a Reforma de Lutero, a Imprensa de Gutenberg, a exigência do rigor na linguagem preconizado pelos humanistas, a nova dignidade do ser humano e a sua passagem para primeiro plano, tudo isto eclodiu naquele tempo para René Descartes - investido pelo Espírito da Verdade - unificar as ciências, reconciliar a filosofia com a sabedoria e fundar a Modernidade.

Do confronto entre o científico naturalista e o místico-racional, na perceção para onde os levou a cada um a escolha do caminho que tomaram, os pensadores daquele período souberam analisar e comparar as linhas fundamentais dos trilhos do passado. Galileu constrói-se na destituição do sistema aristotélico. A exigência dos tempos modernos tem de superar em rigor e exigência o método do maior dos maiores (Aristóteles). Para superar o mestre dos mestres só seria possível com uma ciência excecional em rigor, em método, em resultados; o rigor da escrita em sintonia com o rigor dos números e dos teoremas. Galileu afirma a abordagem dos novos tempos, vai utilizar o que do mundo pode ser mensurável, na aplicação das matemáticas às realidades supra lunares. Descartes, na continuação de Galileu, de Bacon e dentro do espírito do seu tempo, vai dar o grande salto para todo aquele novo quadro onde o problema do conhecimento passou a ser primordial e se dá o primado da gnosiologia sobre a ontologia.

Os impulsionadores do novo saber científico, numa viragem subjetiva alicerçada em investigações do intelecto humano, pretenderam a unidade do saber tendo como modelo a matemática e o rigor da geometria. No entanto, a cadeia de causas ao infinito obrigava-os a pressupor uma causa primeira, um princípio metafísico, Deus como fundamento ontológico, e dado que a partir dali a ontologia ficou na dependência da gnosiologia, também o fundamento do conhecimento. Deus como contraponto para que os sistemas fossem equilibrados[1]. Com isto os filósofos da modernidade não chegaram a superar a “síndrome”[2] de Deus[3] nem se expressaram plenamente.

 

2) O Conhecimento em Suspenso

Para além da certeza subjetiva (crenças), Descartes procurou a certeza objetiva, onde asserções infalíveis excluem a possibilidade do erro e serão garante da certeza e da verdade. Descartes levará a cabo uma investigação acerca dos princípios básicos sobre os quais estavam alicerçadas as crenças e o saber do seu tempo.

“Notei, há alguns anos já, que, tendo recebido desde a mais terna idade tantas coisas falsas por verdadeiras, e sendo tão duvidoso tudo o que depois sobre elas fundei, tinha de deitar abaixo tudo, …, e começar, de novo, desde os primeiros fundamentos, se quisesse estabelecer algo seguro e duradoiro nas ciências”[4].

Ao perceber que o saber da tradição não era fiável nem credível, Descartes - assim como Kant, na Critica da Razão Pura, separou a ciência da filosofia - vai distinguir o saber da opinião. Muito do que se tinha por certo muitas vezes era contradito pela experiência, pela nova ciência matemática e pela exigência de uma filosofia de rigor. Descartes após Galileu e Bacon, na senda do seu tempo, pretendeu fundar uma matemática universal e utilizar o rigor da matemática aplicado a todos os campos do saber, em particular à filosofia.

O saber que herdou, tirando as frágeis teorias de pensadores excecionais (acerca das quais um deles teve de se retratar perante a Inquisição), era pouco fiável. Descartes quis fundar um novo saber de rigor, que tivesse validade, alicerçado em bases sólidas, e que resistisse ao ceticismo, do qual se pudesse afirmar como certo e verdadeiro.

Toda a conjuntura inicial da dúvida metódica, no primeiro capítulo das Meditações, vai no sentido de tudo o que se tinha por certo no campo do saber ser posto em dúvida (todo o suposto conhecimento teria de passar pelo crivo da análise da luz natural), para ver o que resiste à mais profunda inquirição e ao mais profundo ceticismo. Descartes testou todo o saber, para verificar o que resiste indubitavelmente. As opiniões, o conhecimento sensível, as diversas vozes do saber, colocadas no crivo do entendimento, para as analisar, para as colocar em questão, para as analisar, se resistem ou se sucumbem. “… vejo-me constrangido a reconhecer que não existe nada, naquilo que outrora reputei como verdadeiro, de que não seja lícito duvidar, …, por válidas e meditadas razões."[5]

Nada do que anteriormente se tinha como saber resiste perante a duvida metódica. As opiniões, o saber sensível, as matemáticas e o conhecimento a priori. Nada resta, tudo pôde pôr em dúvida, nesta vertigem de um saber sem fundamento sólido, e assim todo o suposto saber terá de ficar em suspenso, pois não há base sólida que lhe garanta sustentabilidade perante o ceticismo e a dúvida radical. Este o ponto da situação no fim da Meditação I. "Então, que será verdadeiro? Provavelmente uma só coisa: que nada é certo."[6]

           

3)  Da Dúvida Metódica à Certeza do Cogito

No início da Meditação II Descartes esbarra com o pensamento de Santo Agostinho. “Pois se me enganar, existo. Realmente, quem não existe de modo nenhum se pode enganar.”[7] Na constatação de que tudo pode ser colocado em dúvida, que tudo pode ser posto em causa por não ter um fundamento sólido, serei apenas eu (o cogito), como ser que duvida, a única coisa certa da qual nada se pode duvidar?

“No entanto, não há dúvida de que também existo, se me engana; que me engane quanto possa, não conseguirá nunca que eu seja nada enquanto eu pensar que sou alguma coisa.”[8]  

Descartes pôde pôr tudo em dúvida mas não consegue negar a sua existência. “De maneira que, depois de ter pesado e repesado muito bem tudo isto, deve por último concluir-se que esta proposição Eu sou, eu existo, sempre que proferida por mim ou concebida pelo espírito, é necessariamente verdadeira.”[9] Descartes nunca poderia ter concebido que não existia, se pensava, só poderia existir e a clareza daquela evidência era realmente o alvo das suas investigações. Assim, numa evidência construída à luz da análise da luz natural, concebe Descartes que essa evidência é uma perceção clara e distinta,[10] e nessa evidência, encontra Descartes o critério para, a partir deste, fomentar o método e construir o conhecimento válido. Na apreensão imediata da ideia clara e distinta, da sua evidência, encontra Descartes o critério de certeza e verdade.

Na sinopse da Meditação II Descartes afirma “…tudo aquilo que concebemos com clareza e distinção, no modo exato por que o concebermos é verdadeiro,…”[11] Esta certeza não pôde ser colhida dos sentidos ou da imaginação (analisou que neles, pela dúvida, pode sempre pôr em causa a validade do conhecimento -“…nenhuma das coisas que posso perceber graças à imaginação pertence ao conhecimento que tenho de mim mesmo…"[12]), pode sim, ser colhida da pela inspeção do espírito que assim concebe e institui a evidência fundamental, que vai servir de base, de suporte, para a construção do edifício do conhecimento.  “…posso estatuir como regra geral que é absolutamente verdadeiro tudo aquilo que compreendo clara e distintamente.”[13]

 

4) Suporte Metafísico do Conhecimento


“ … é manifesto pela luz natural que o conhecimento do entendimento deve preceder sempre a determinação da vontade.”[14]


As faculdades do conhecimento são o intelecto (entendimento e razão) e a vontade (faculdade de querer). A faculdade que Descartes mais confia é a luz natural (a razão e o entendimento), porque tudo o que essa luz natural o faz conhecer não é duvidoso, e no que conhece clara e distintamente não apreende nenhum objeto que não seja verdadeiro. O erro advém de um uso incorreto das nossas faculdades. É a vontade que emite os juízos, e em relação a estes há em Descartes uma teoria dualista. Os juízos dependem do entendimento que os enuncia e da vontade que afirma ou nega o que foi enunciado. O entendimento apreende ideias[15], tem perceções claras e distintas, tem a capacidade de entender, mas é uma faculdade passiva, que não afirma ou nega. É a vontade que afirma ou nega proposições e emite juízos. O erro resulta da emissão de juízos sobre questões que não percebemos com clareza e distinção. Em tudo que o entendimento concebe clara e distintamente não há erro, o erro advém de um mau uso do livre arbítrio, a vontade afirma mais do que o entendimento concebe. É a vontade, que vai mais longe que o entendimento e que não permanece dentro dos limites deste, que nos leva ao erro ao dar acendimento a juízos que vão além do que o entendimento concebe. 

“Ora, quando não concebo bastante clara e distintamente o que é verdadeira, é claro que se me abstenho de dar o meu juízo sobre uma coisa procedo retamente e não me engano.”[16]

Na Meditação III Descartes dá-nos conta que o critério não estava suficientemente validado. Após o critério - da validade das ideias claras e distintas, que após a análise do espírito, pelo esclarecimento da luz natural, são apontadas como conhecimento seguro e válido - continuava o problema do Deus enganador. “…sobre o poder supremo de Deus, … a ele lhe é fácil, se o quiser, conseguir que eu erre também naquilo que intuo de modo mais evidente pelos olhos do espírito.”[17] Se podia dar-se o caso de um Deus enganador, a validade da nova base do saber não estava ainda seguramente estabelecida e ficando deste modo todo o conhecimento em suspenso. Tanto as verdades matemáticas, como o novo rigor da filosofia podiam ser postas em dúvida. Perante a possibilidade de um Deus enganador o critério, que tinha por base as evidências claras e distintas, não estava ainda estabelecido em definitivo, faltava uma fundamentação, metafísica, e para isto, aponta Descartes para as provas das existência de Deus.    

A razão deste duvidar, que apenas depende desta fraca conjetura do Deus enganador é metafísica. Assim Descartes terá que afirmar a existência de Deus, e que ele não é enganador. “Porém, para a suprimir, devo examinar primeiro, …, se Deus existe e, no caso de existir, se pode ser enganador. Porque, ignorando isto, não me parece que possa ficar nunca absolutamente certo de qualquer outra coisa.”[18] Só perante um Deus existente e não enganador o novo saber e todo o edifício que sobre ele se vai construir terá validade efetiva e resistirá ao poder da dúvida cética.

Segundo Descartes “…é manifesto, pela luz natural, que deve haver pelo menos tanta realidade objetiva na causa eficiente e total como no efeito da mesma causa."[19] A causa confere realidade ao efeito porque a possui, e o efeito tira a realidade da sua causa (algo não pode provir do nada). Assim,  “…aquilo que é mais perfeito, isto é, que contém em si mais realidade,…”[20] não pode provir do que contém menos perfeição (realçando o alcance metafísico na formulação do princípio de causalidade). Uma ideia pode nascer de outra, mas se vamos procurar a causa dessa ideia noutra ideia, não podemos continuar num progresso ao infinito, tem de haver uma primeira causa. Deus, que não se sujeitou a nenhuma predeterminação, criou todas as verdades por sua vontade. Toda esta argumentação e este périplo leva às provas da existência de Deus (Deus, causa sui, existe e não é enganador) e na sua existência a fundamentação metafísica do conhecimento.

Descartes em três provas, duas a posteriori[21] e uma, a priori[22], afirma a existência de Deus e que Ele não pode ser enganador. Deus é infinito e perfeito, não tem nenhuma privação (é ato e não potência), nada lhe falta, está completo, e como tal, a argumentação de Descartes vai no sentido que é bastante claro que Deus não é enganador porque se o fosse algo lhe faltava “…é manifesto pela luz natural que toda a fraude e engano dependem de alguma privação.”[23] Deus é perfeito e não pode ser enganador. “…reconheço que é impossível que ele me engane alguma vez, porque em toda a falácia ou logro se descobre alguma imperfeição (…) querer enganar atesta, sem dúvida nenhuma, malícia ou fraqueza de espírito: o que, por isso não pertence a Deus.”[24] Ser enganador está abaixo do que Deus é, seria indigno para Deus ser enganador, e se o fosse, não seria Deus, o absoluto, o altíssimo, perfeito, completo, algo lhe faltaria. Não está na essência de Deus ser enganador. Está na sua essência a existência, não está na sua essência ele ter essa privação que o levaria a ser enganador.

Assim, Deus existe e não é enganador, é o garante de toda a validade do conhecimento cientifico, de todas as certezas científicas. As perceções claras e distintas não podem ser postas em dúvida, a validade do conhecimento é confirmada e sobre ele Descartes edifica a nova ciência. Para além da realidade de Deus e de si próprio, Descartes afirma a validade do método. A decomposição máxima do complexo para o unitário, e a partir das partículas elementares, a partir das evidências, edificar de novo, tijolo a tijolo, o edifício do saber. O novo padrão do saber e a nova Filosofia estão assegurados. A separação definitiva, a afirmação definitiva da ciência e da filosofia perante as crenças e o saber de opinião (o saber mágico, o saber da alquimia, o saber místico).

 

5) Os Alicerces da Nova Filosofia

Descartes teve a audácia de inaugurar uma nova era, onde a filosofia se emancipou dos supostos saberes sem fundamento sólido, e se afirmou com método e rigor matemáticos. Naquele ponto, naquele momento, perante tanta desconsideração, tanta dúvida, onde tinha de lutar em pé de igualdade com crenças, opiniões e mesmo com a teologia, ou a filosofia se emancipava e se afirmava realmente como conhecimento válido e fundamental ou, sem rigor e bases sólidas, não valeria a pena haver filosofia. Foi no abismo dessa perspetiva - a filosofia acabar ou ter de se definir com novo método e forte rigor - que aquele homem teve a força e a audácia para levar a cabo a edificação dos alicerces de uma nova filosofia e do novo tempo.

Na evidência do cogito, Descartes encontrou o critério (as ideias claras e distintas garantem que Deus existe, e na existência dele, está garantida a validade do conhecimento) que nos mostrará sempre, como distinguir as crenças e as opiniões do saber. Como consequência, as perspetivas da opinião e as crenças foram para sempre desarraigadas do patamar dos saberes. O grande mérito de Descartes foi o afirmar o raiar do tempo novo, a sua filosofia é basilar e incontornável para tudo o que veio depois. A partir dali, guiado pelo método cientifico, um saber que não cumprisse aquele rigor, aquela evidência e clareza seria desclassificado como saber válido.

O princípio está na análise humana. Deus é o fundamento metafísico, mas também um contrapeso, uma ponte de equilíbrio entre a realidade do pensamento, e a realidade da sociedade onde a Inquisição ostentava o seu poder. Deus existe, não é enganador, as ideias claras e distintas são inatacáveis, dão suporte inteligível à forte possibilidade da existência de Deus (fundamento do que o fundamenta a si). Obtidas da dúvida e da evidência do cogito, vão sustentar todo o edifício da filosofia primeira.

Descartes inaugurou a subjetividade da filosofia moderna. A Modernidade vai afirmar-se nestes termos e sob estas condições. O pensamento de Descartes passou a ser incontornável para quem veio depois. A fundamentação do conhecimento está em Deus, mas o que garante que Deus é verdadeiro e não enganador é a clareza e distinção com que o intelecto concebe essa ideia. Clareza e distinção, da análise da mente ao critério de certeza de um saber certo e indubitável. As ideias claras e distintas (compreender, conceber) garantem a validade do conhecimento, as bases firmes de uma nova filosofia alicerçada nos raciocínios e nas reflexões do sujeito.

 

Bibliografia

Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Coimbra, Livraria Almedina, 1992

John Cottingham, A Filosofia de Descartes, Lisboa, Edições 70, 1989

Santo Agostinho, A Cidade de Deus, Volume II, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2017



[1]Depois do episódio de Galileu perante a Inquisição, os pensadores modernos ficaram de sobreaviso, uma certa mudança foi-lhes permitida, mas nunca o suplantar de Deus como instância superior (qualquer fundamentação teria sempre em Deus a sua justificação última) dentro dos diversos sistemas da modernidade.

[2] Deus é o fundamento metafísico em Descartes, Espinosa, Leibniz e Berkley,; um fundamento transcendente que só será suplantado por  Kant.

[3] Na objetividade do método, o elemento subjetivo, imanente, preparou os passos para o abandono em definitivo da fundamentação transcendente, o abandono da fundamentação metafísica em Deus, que se dá com Kant e com o Idealismo alemão.

[4] Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Coimbra, Livraria Almedina, 1992, p. 105

[5] Descartes, Ibidem, p.112

[6] Descartes, Ibidem, p. 118

[7] Santo Agostinho, A Cidade de Deus, Volume II, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2017, p.247

[8] Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Coimbra, Livraria Almedina, 1992, p. 119

[9] Descartes, Ibidem, p. 119

[10] Para Descartes clareza, aponta para uma definição rigorosa das propriedades da ideia em causa, enquanto distinção apresenta a ideia separada de todas as outras, de modo a distinguir os atributos que lhe pertencem. Em Leibniz (tendo aprofundado esta doutrina das ideias claras e distintas) uma ideia será clara se permitir reconhecer e identificar o seu objeto e distinta se nos dá a definição para distinguir as suas características específicas.

[11] Descartes, Ibidem, p. 99

[12] Descartes, Ibidem, p. 124

[13] Descartes, Ibidem, p. 136

[14] Descartes, Ibidem, p. 175

[15] Quando as ideias consideradas apenas em si mesmas, não podem ser falsas, pois qualquer imagem que a sua mente cria, seja verdadeira ou falsa, não deixa de ser verdade que a sua mente a cria. Na terceira meditação, Descartes faz uma análise das ideias, em relação à sua origem e à sua realidade objetiva. Descartes compreende com clareza as ideias ou pensamentos das coisas que se apresentam ao espírito. Após um exame aos seus pensamentos (que são qualquer estado de consciência; as sensações e a imaginação são certos modos de pensar), Descartes diz que são ideias os pensamentos que “…são como que imagens das coisas…” (Descartes, Ibidem, p. 139). Quanto à classificação das ideias, Descartes distingue-as como inatas, adventícias e fictícias, e vai fazer uma investigação do porquê julgar que há uma semelhança entre as ideias adventícias e as próprias coisas. Às ideias como modos de pensar, Descartes não lhes reconhece desigualdade, mas enquanto representações dos seus objetos, são diversas entre si, e umas representam modos ou propriedades, outras substâncias finitas e uma representa uma substância infinita. A ideia de Deus como maximamente clara e distinta, contém mais realidade objetiva que todas as outras.

[16] Descartes, Ibidem, p. 175

[17] Descartes, Ibidem, p. 138

[18] Descartes, Ibidem, p. 138/139

[19] Descartes, Ibidem, p. 145

[20] Descartes, Ibidem, p. 145

[21] Primeira: causa das ideias - a ideia de perfeição que tenho em mim não pode ter vindo de mim; segunda: a causa da minha existência - se eu fosse o meu próprio criador ter-me-ia feito perfeito

[22] Prova ontológica - um ser supremo só pode ser concebido como existente. A sua perfeição implica a sua existência.

[23] Descartes, Ibidem, p. 164

[24] Descartes, Ibidem, p. 166


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