Nº 11 - Taoismo
De um mesmo nascer do sol
Boletim de Ideias Filosóficas
Revista Opúsculos
“Opúsculos
sobre o Fim de Um Mundo”, revista não oficial de poesia, filosofia e religião, lançada
em 2007 com a divisa, “esta é a minha verdade conta-me a tua” (desde o número
11 referenciada como “Boletim de Ideias Filosóficas”).
Ilustrada com quadros dos mestres, quadros de novos artistas, promessas
desconhecidas, serigrafias, poesias, breves e profundas orações (só nos
primeiros números consegui colocar as ilustrações).
Nos primeiros números, pequenos contos, textos, explorando ideias da
filosofia. Outros números, foram trabalhos para determinada cadeira e que acho
que tem validade como tijolo na construção e sistematização de uma tese geral.
Revista feita por alunos e estudantes de filosofia, nas suas páginas, os
textos preliminares dos pretendentes na descoberta e edificação de um pensar
próprio, revista dos audazes aprendizes na disciplina de arquitetura da mente.
A revista não quer ser algo pomposo, nem se quer afirmar como detentora de
qualquer verdade. Sustem-se na ideia aristotélica de arte na
"Poética" aplicada à filosofia (acho que uma certa maneira foi o que
Kant fez da filosofia, após o esclarecimento (na "Crítica da Razão Pura”),
do que era ciência e de que a filosofia não o podia ser).
Taoismo - De um mesmo nascer do sol
“ O sábio parece vestir-se de farrapos,
mas dentro guarda pedaços de jade”
Tao Te Ching, 70
Do Tao que pode ser expresso e o Tao que é a origem e
fonte de tudo. O que está em ascensão também está em queda, e o que está para
além de tudo, também aqui está sempre presente como sopro e energia vital, como
ch´i, como divino, que é apenas outra face do eterno e do absoluto.
Índice
1) Introdução
2) Contexto histórico-cultural
3) A placidez do sábio
4) O Tao como visão absoluta
5) Pré-anarquismo
6) A profundidade das coisas, escondidas sob o véu de Ísis
Introdução
Nesta
reflexão sobre o não agir no contexto da
tradição taoista pretendemos investigar e compreender a conduta do sábio.
1. Qual o seu papel no cenário dos seres humanos?
2. Qual o papel do sábio no desenlace das coisas humanas?
3. Qual o papel do sábio no desenlace da virtude?
4. Qual o papel do sábio no processo evolutivo do cosmos?
Não agindo, o seu papel é consciencializar as conexões
entre os opostos e torna-los complementares. O sábio percebe como regular os
desequilíbrios humanos. Quanto ao desenrolar do processo do cosmos, não pode
fazer nada, tem de saber aceitar tanto o que de bom o universo tem como a
adversidade, tem de navegar segundo as vagas, (“navegar é preciso”) tem de se
adaptar. Quanto ao desenlace e ao estimulo de desenvolvimento na vida de cada
um, o sábio tem um papel fundamental. O comportamento imaculado que ensina pelo
exemplo
Contexto histórico-cultural
Segundo Kenneth Cohen, das três grandes tradições religiosas principais na China - taoísmo, confucionismo e o budismo - o taoísmo é a única das tradições que se pode dizer que é indígena da China. O período histórico onde desponta o taoísmo foi um dos momentos mais ricos em termos de espiritualidade da história da humanidade:
1. Na Índia, (século VI ou V a.c.) no seio do hinduísmo,
Sidartha Gautama, muito impressionado e perturbado com com a doença, a velhice
e a morte, decide abandonar a redoma do palácio onde vivia e dedicar a sua
vida, pelas vias da introspeção e da meditação, à procura das causas e do
caminho para se libertar do sofrimento. Assim nasceu a tradição budista, que
quando chega à China[1] inicia um processo de sincretismo com o taoísmo, estando
este já envolvido numa onda de influências com o confucionismo, num sincretismo
de filosofias que mutuamente se influenciaram;
2. O
confucionismo, que é uma sabedoria ética
e que pode ser considerado o primeiro humanismo ético na História, preconiza
que a vida virtuosa de um espírito nobre visa o bem geral. Desconsiderando as
questões metafísicas, da natureza e dos deuses, e centrando-se principalmente
nos aspetos mundanos das relações interpessoais, o confucionismo preconiza um
viver a vida o melhor possível;
3. O taoísmo tem as suas raízes nos séculos VI e V a.C., e
segundo Kenneth Cohen, em The Breath of Tao, é um sincretismo entre
xamanismo e certas práticas espirituais estabelecidas por eremitas das
montanhas, posteriormente conhecidos como Imortais[2]. Começou por ser uma tradição oral, e só depois, segundo
reza a lenda, Lao Tze, a pedido do guarda da fronteira para o outro mundo lhe
ter feito o pedido, colocou no papel os ensinamentos do Tao. No entanto sabe-se
agora que o texto é posterior ao texto de Chuang Tse, sendo assim este o
primeiro autor que escreveu sobre o taoísmo. No entanto o Tao te Ching de
Lao Tze é a obra mais divulgada, fazendo de Lao Tze, o mestre dos mestres e a
figura proeminente do taoísmo. Segundo Kristofer Schipper foi o taoísmo que “…permitiu
a elaboração das teorias políticas que prepararam a unificação, em 221 a.C.,
dos reinos da nação chinesa num Estado imperial.”[3]
As raízes do taoísmo remontam a um contexto em que monges, em
união mística com o cosmos (dai o xamanismo), souberam encontrar o caminho da
Imortalidade e da eterna juventude. A revitalização, a regeneração do corpo físico,
a manipulação material (como Cristo, ao transformar a água em vinho e ao
caminhar sobre as águas). O desfrutar em pleno das energias cósmicas, o humano
como catalisador de energia mística capaz de materializar o Divino, os sábios
das montanhas, ligados ao divino através da natureza conseguiram a mais profunda
ligação que um ser vivo pode ter, o sincretismo de nós próprios imersos na mais
profunda ligação à vida e ao Universo: tudo é um, é nós um com todas as coisas,
na senda do Tao. Nós na veia do mundo, unidos ao divino, sendo um com ele, na
profunda mística de Heraclito, Pseudo Dionísio, de Agostinho e de Eckart. Os sábios
das montanhas, através da meditação, da introspeção, de exercícios corporais e
espirituais, atingiram a iluminação, e daqui nasceu a lenda e a tradição que
inicialmente foi oral.
No
profunda conexão dos contrários,
do yin e do yang, (a encosta iluminada e a encosta norte), na
descoberta e no uso da dialética de compensações, no exemplo do Cosmos e da
vida, o processo dialético da vida, a entrada no dinamismo da vida, o compreender
que a sua força é avassaladora e a sua vontade suprema. Foi o que o sábio das
montanhas viu, experienciou, transportou para si a união plena, a cisão do
finito e do infinito, do efémero e do perene, tudo eram energias e sinergias e
processos opostos que poderiam ser conjugados em complementação para verdades
maiores, que a consciência humana podia fazer a síntese dessas energias
colossais, que lidam com os níveis mais profundos e significativos do real, os
processos mais abrangentes que fariam as perceções macrocósmicas, de Einstein,
mais tarde complementadas por Bohr, e as físicas como as conhecemos, o infinito
Tao, a infinita Via, já era isso tudo.
Os
mestres originais procuravam no amor, na união com a natureza, com a sua placidez, pacifismo e profundo inefável, na
sua beleza e imenso abismo impenetrável, procuravam comungar dessa força vital
de vida. A força do Tao que é superior a tudo (citar). Os sábios unidos e em
comunhão profunda com o divino tornavam-se divinos, imortais.
A Placidez do Sábio
“(…) Por isso, quem é sábio
deseja não ter desejos
e não atribui valor às coisas difíceis de obter.
Aprende a desaprender,
recuperando dos excessos de todos os outros,
Para contribuir para a espontaneidade das dez mil coisas,
Sem nunca se atrever a agir.”[4]
“(…) E assim quem é sábio
fica por cima, mas o povo não sente peso.
Fica à frente, mas o povo não se sente prejudicado.
Por isso, todos alegremente o empurram para a frente
e nunca se cansam dele.
É por não competir
que ninguém consegue competir com ele.”[5]
“(…) o sábio evita extremos, excessos, extravagâncias.”[6]
“(…) o sábio abraça a unidade
e torna-se o
modelo do mundo.
Não pensa em brilhar e irradia;
não pretende ter razão e impõe-se;
não se gaba e encontra-se-lhe mérito;
não se estende e cresce em autoridade.
Como não rivaliza com ninguém,
ninguém rivaliza com ele.”[7]
“O sábio não tem coração próprio,
faz seu o coração dos outros.
(…) O sábio permanece humilde e ignorado,
unifica assim os corações do mundo.(…)”[8]
“(…) Por isso, o sábio guia-se pelo seu interior,
pelo que sente, não pelo que vê,
afasta o que vê, aceita o que sente.”[9]
“(…) Por isso, o sábio ocupa-se de todos os homens,
não abandona nenhum,
ocupa-se de todas as coisas,
não afasta nenhuma.
A isto se chama iluminação natural. (…)”[10]
“(…) O sábio escolhe ficar atrás,
para se manter à frente,
desligado de tudo, unido a todas as coisas,
desinteressado, atinge os seus fins.”[11]
“(…) É por isso que o sábio pratica o não-agir
e se entrega ao ensinamento sem palavra.
Dez mil seres eclodem
e ele não rejeita nenhum.
Ele ajuda a viver sem se apropriar.
Ele opera sem nada esperar.
Realizada a obra, não se apega a ela.
Por não se apegar a ela,
não fica abandonado.”[12]
O sábio taoista,
na proeminência das suas ideias e no desapego individual ao conteúdo das mesmas
intui e consciencializa o cosmos como se fosse a consciência do próprio cosmos.
Sem subjetividades deste ou daquele ser particular, sem aspirações, sem desígnios
e ambições deste ou daquele ser em particular. Sem apegos, desejos ou inclinações
deste ou daquele ser em particular. No intuir e consciencializar a profundidade
do universo, na prossecução do Tao, o sábio funde-se com a unidade, abarca com
a sua intuição toda a realidade, e o eu esvai-se, para ficar apenas o absoluto.
As
pessoas confiam no sábio, pois ele não
é ele. O sábio não é ele próprio, ou é como um anjo, uma "categoria", uma maneira de
ser, um veiculo vivo de virtude, que como referência imanente, como exemplo faz
com que o divino, que é virtude[13], (e será com virtude que podemos semi identificar o Tao, pois os seus
intentos secretos parecem sempre concordar, onde há uma supremacia de um valor sobre outro, é a virtude prevalece) vitalidade, se impregne no mundo como o Tao que se pode nomear, sendo
o próprio sábio essa via onde se manifesta energia e força (“(…) ceder
significa acumular virtude, acumulando Virtude tudo é possível, se tudo é possível,
os limites não existem.”[14]). O sábio estando
em sinergia com o cosmos é impregnado deste imenso caudal de energia e força,
desta vontade de ser, de viver, que lhe dá a vitalidade da existência, a
vitalidade para ser sage, para ser luz, força, exemplo, ideia, anjo, ser para
além do sensível e singular, que, um dia a criança que ele foi protagonizou.
Assim, quando ele é o próprio cosmos, quando ele é um com o Tao, dissipa-se nas
próprias coisas, na vida, sem interesses pessoais, sem escolha de lados, para
além dos conflitos, equânime, vive no fluxo da existência, vive em sintonia com
as coisas, com o todo, e através da natureza, por mediação desta, em conexão
com o sagrado, com o profundo, o eterno, como os míticos eremitas das
montanhas, tornando real de facto toda a ascese do Tao, eleva-se ao estado
divino, é o Divino. Torna-se centelha absoluta, é um com o Tao, “tu e deus
correm os dois naquelas pernas”.
No
ocidente, depois de Kant, o idealismo alemão conseguiu
libertar-se das amarras que a modernidade tinha colocado sobre si própria: ser o humano e não a Natureza.
Retirada de cena a Natureza, o humano em conexão profunda com a divindade (como
no teto da capela Sistina onde o humano toca diretamente Deus sem passar pela
mediação na natureza), inaugura um tempo novo, que teve uma grande pujança, a
força do humano que iniciou a senda do domínio da Natureza, mas que depois
compreendeu, antevisto por Kant no seu Sublime, e confirmado por Schelling na
sua ode à Natureza e à vida, confirmando plenamente, o humano, como o taoísmo
sempre o advogou, o humano não pode viver excluído nem excluindo a Natureza.
O Tao como visão absoluta
O sábio abandona-se na perspetiva do wu (o não há, o
vazio dum vazo, ou o espaço sem nada numa sala, ou entre os raios de uma roda,
como referido em capítulos como o 4, 11, 14, 16, 40), para assim, desapegado de
se pensar a si e nos seus interesses particulares - a perspetiva do absoluto
assim o exige - pensar o geral, colocando do lado os egos e os egoísmos, pensar
o todo como unidade, (comunidade), pensar o ser com clareza e desapego de
perspetivas circunscritas. O ensinamento sem palavra (Cap. 2), a linguagem
para além dos conceitos. O sábio não age diretamente sobre a realidade, espera
o eclodir de situações e sabe direcionar opiniões apenas com o olhar. Os
humanos confiam no sábio pois ele a nada se apega, nada deseja para si próprio,
as suas opiniões são da perspetiva objetiva além do pessoal, a perspetiva cósmica
fala pela razão do sábio.
“(…) Quem actua, fracassa,
quem possui, perde.
O sábio não actua, por isso não fracassa,
não possui, por isso não perde. (…)”[15]
Ausência de ação, mas não inação. Atuar não agindo, nada
fica por fazer. A atitude correta. Apenas a atitude pode valer mais que a ação.
O sábio não se enfurece, não esmorece, tem um registo regular, que anuncia e
quem o conhece já sabe o que esperar. Por isso as pessoas confiam nele, na sua ética
de sobriedade, sem exaltação, sem estar a defender um dos lados. O sábio sabe
contemplar na unidade de todas as coisas as perspetivas eternas de longo
alcance. Não se apega, liberta os seus discípulos, cada um tem o seu caminho,
com aplicação espiritual, com a sua inação exemplar.
Pré-anarquismo[16]
Todo o caminho se faz como planeado. O sábio só tem de
deixar correr as coisas; quando as energias fluem livremente, quando há espontaneidade,
não é necessária uma intervenção direta e física sobre a matéria. O sábio
resolve as dificuldades do mundo material dentro da sua consciência ao estar em
paz consigo e com o mundo que o rodeia. Quando a solução é encontrada, ela
projeta-se sobre o mundo real sensível e as coisas acabam por se estabelecer.
“(…)
O povo, sem decretos, governar-se-ia por si próprio, as coisas seguiriam o seu
curso natural. (…)”[17]
“ O Tao, pela sua natureza, não actua e nada fica por
fazer. Se príncipes e senhores assim pensassem, os dez mil seres evoluiriam por
si próprios. (…)"[18]
“(…)
Quietude, serenidade governam as coisas do mundo."[19]
“(…)
Ganha-se o mundo deixando-o seguir o seu caminho, perde-se o mundo tentando
governá-lo."[20]
No campo
da política, diz o sábio que os governantes
devem deixar o povo ser por si próprio, encontrar o seu próprio caminho sem
estarem a ser mandados por decreto. Uma ética e uma pré-anarquia. Os mestres filósofos a
reivindicar para si o papel de educar o povo apontando para, seguindo o Tao, os governantes devem deixam o povo ser
naturalmente, e espontaneamente. Não tem de ser o poder politico que deve
educar o povo, nem é com leis que se educa o povo, o povo deve seguir o Tao, numa prossecução
de virtude (Capitulo 54), e naturalmente se emancipará dos governos e das tutelas
legais e morais. Os seres humanos serão melhores se os governantes seguirem o Tao e deixarem o
povo crescer e desenvolver-se naturalmente, se deixarem o povo viver, se lhe
derem condições para viver,[21] não os subjugando, dando-lhe condições para que possam seguir a virtude, com dignidade, para que se possam
elevar da baixeza, para estados éticos mais elevados, de acordo com uma maneira
de ser mais nobre.
A profundidade das coisas, escondidas sob o véu de Ísis
Tinham-se retirado para as montanhas, na procura de uma
verdade maior. Exercitaram-se na arte da sobriedade física e mental, na saúde,
na arte da reparação e regeneração da mente e do corpo até a longevidade intemporal, aos
segredos da perenidade. Estar de acordo
com o Tao, com a energia e
fluxo vital. Dai advém força, vontade, vitalidade. Os exercícios espirituais, a
meditação, os katas da sagrada dança do fluxo de energias, isso é estar de
acordo com o Tao, unido ao Tao, procurando ser um com ele.
Os mistérios da infinita
sabedoria, as artes da faculdade de bem viver. Somos nós com a nossa força mental e com
a ligação às energias plenas, que dia após dia, noite após noite regeneramos o
nosso corpo e o mantemos saudável e sadio. Estar de acordo com o Tao é dizer sim à vida,
estar bem com o mundo que nos rodeia, com a Natureza e com o nosso corpo. Saúde e bem estar advêm da harmonia
entre o humano e o mundo natural, advém a energia, do sopro vital, da força e a
pujança do pleno. Estando na vida sem forçar as situações, numa perspetiva de contemplação e de vida plena, numa conexão profunda
com o ser absoluto, com o Tao inefável, no irresistível sentido que sempre nos
toca. É esta a integralidade do ser, a
força cósmica que se revela em explosão de energia em cada um de nós.
Bibliografia
Lao Tse, Tao Te King, Tradução e Comentários de António Miguel de Campos, Relógio D´Água, Lisboa, 2010
Lao Tseu, Tao Te King, traduzido e comentado por Marcel Conche, Paris, PUF, 2005
Coutinho, Steve, An Introduction to Daoist Philosophies, Columbia University Press, Nova Iorque, 2013
Schipper, Kristofer, O Tauismo (1993), in As Grandes Religiões do Mundo, sob a direcção de Jean Delumeau, Lisboa, Editorial Presença, 1999
[1]
O advento do budismo na China veio dar equilíbrio
às duas tradições anteriores. O
confucionismo moral e as diretrizes de um livre e vivo Tao. O budismo chegou à
China, como Kant chegou à sua época, para fazer a ponte, entre as
rigidez da identidade e a indefinição do dinamismo.
[2]
Estes, devido a graves convulsões
daquele período tinham-se retirado da vida em sociedade na procura de uma
verdade mais profunda. Atraídos pela beleza, poder e pacificidade da natureza
fundiram-se com o seu espirito, tendo assim gozado de saúde admirável e
atingindo longevidade, ficaram conhecidos como os Imortais, foram os primeiros
sábios do taoísmo. Os sábios posteriores, apesar da sua renuncia à vida pessoal
e vida dedicada, ao aprofundamento da consciencialização, nunca atingiram o
esplendor divino do mito original. Não
tinham essa qualidade de avatar, de encarnarem no espirito universal, na força
primordial. Os sábios que depois do mito inicial passaram a divulgar o taoísmo
são mestres, são sábios, mas não tem essa
dimensão absoluta que os sábios originários tinham.
[3]
Kristofer Schipper, O Tauismo
(1993), in As Grandes Religiões do Mundo, sob a direção de Jean
Delumeau, Lisboa, Editorial Presença, 1999, p. 507
[4]
Lao Tse, Tao Te King, 64, Tradução e Comentários de António Miguel de Campos, Relógio
D´Água, Lisboa, 2010
[5]
Lao Tse, Ibidem, 66
[6]
Lao Zi, Tao Te Ching, 29, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova
Vega, Lisboa, 2019
[7]
Tao Te King, 22, traduzido e comentado por Marcel
Conche, Paris, PUF, 2005
[8]
Lao Zi, Tao Te Ching, 49, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova
Vega, Lisboa, 2019
[9]
Lao Zi, Ibidem,
12,
[10]
Lao Zi, Ibidem,
27
[11]
Lao Zi, Ibidem, 7
[12]
Tao Te King, 2, traduzido e comentado por Marcel
Conche, Paris, PUF, 2005
[13]
Podemos ver esta
identificação do valor supremo do Tao com a virtude na Ética humana (que como
todas as coisas deriva do Tao) nos capítulos: 79, 65, 63, 59, 55, 54, 51 (“(…) Por
isso, os dez mil seres respeitam o Tao, honram a Virtude, não por imposição, é a
ordem natural das coisas” (…) a Virtude nutre, faz crescer, conserva, amadurece
e protege. Produz sem se apropriar, age sem nada pedir, orienta sem dominar.
Eis a Virtude original.”), 41, 38 (que situa a Virtude num nível
imediatamente inferior ao Tao) , 28 (“(…) Ser o modelo do mundo e, como modelo
do mundo, pela Virtude constante, regressar ao infinito.”), 21 (“ A grande
Virtude segue o Tao, apenas o Tao.”).
[14]
Lao Zi, Tao Te Ching, 59, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova
Vega, Lisboa, 2019
[15]
Lao Zi, Tao Te Ching, 64, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova
Vega, Lisboa, 2019
[16]
Capítulos 57,
58, 32, 37, 45, 48
[17]
Lao Zi, Ibidem,
32
[18]
Lao Zi, Ibidem,
37
[19]
Lao Zi, Ibidem,
45
[20]
Lao Zi, Ibidem,
48
[21]
se houver justiça
social, parágrafos 53, 57 (“(…) Quanto mais leis e proibições existem mais pobre é o
povo, quanto mais afiadas são as armas mais desordem há no reino, (…)”, 75 (“As pessoas têm
fome porque os governantes as esmagam com impostos, por isso as pessoas morrem
de fome. As pessoas revoltam-se porque os governantes governam demasiado, por
isso as pessoas se rebelam. (…)”

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