sábado, 18 de janeiro de 2025


 



Nº 11 - Taoismo

De um mesmo nascer do sol 

Boletim de Ideias Filosóficas




Revista Opúsculos

“Opúsculos sobre o Fim de Um Mundo”, revista não oficial de poesia, filosofia e religião, lançada em 2007 com a divisa, “esta é a minha verdade conta-me a tua” (desde o número 11 referenciada como “Boletim de Ideias Filosóficas”).

Ilustrada com quadros dos mestres, quadros de novos artistas, promessas desconhecidas, serigrafias, poesias, breves e profundas orações (só nos primeiros números consegui colocar as ilustrações).

Nos primeiros números, pequenos contos, textos, explorando ideias da filosofia. Outros números, foram trabalhos para determinada cadeira e que acho que tem validade como tijolo na construção e sistematização de uma tese geral.

Revista feita por alunos e estudantes de filosofia, nas suas páginas, os textos preliminares dos pretendentes na descoberta e edificação de um pensar próprio, revista dos audazes aprendizes na disciplina de arquitetura da mente.

A revista não quer ser algo pomposo, nem se quer afirmar como detentora de qualquer verdade. Sustem-se na ideia aristotélica de arte na "Poética" aplicada à filosofia (acho que uma certa maneira foi o que Kant fez da filosofia, após o esclarecimento (na "Crítica da Razão Pura”), do que era ciência e de que a filosofia não o podia ser).




Taoismo - De um mesmo nascer do sol




“ O sábio parece vestir-se de farrapos,

mas dentro guarda pedaços de jade”

                                    Tao Te Ching, 70  




Do Tao que pode ser expresso e o Tao que é a origem e fonte de tudo. O que está em ascensão também está em queda, e o que está para além de tudo, também aqui está sempre presente como sopro e energia vital, como ch´i, como divino, que é apenas outra face do eterno e do absoluto.



Índice

 1) Introdução

 2) Contexto histórico-cultural 

 3) A placidez do sábio 

 4) O Tao como visão  absoluta

 5) Pré-anarquismo

6) A profundidade das coisas, escondidas sob o véu de Ísis

 


Introdução

           

            Nesta reflexão sobre o não agir no contexto da tradição taoista pretendemos investigar e compreender a conduta do sábio.

1. Qual o seu papel no cenário dos seres humanos?

2. Qual o papel do sábio no desenlace das coisas humanas?

3. Qual o papel do sábio no desenlace da virtude?

4. Qual o papel do sábio no processo evolutivo do cosmos?

           

            Não agindo, o seu papel é consciencializar as conexões entre os opostos e torna-los complementares. O sábio percebe como regular os desequilíbrios humanos. Quanto ao desenrolar do processo do cosmos, não pode fazer nada, tem de saber aceitar tanto o que de bom o universo tem como a adversidade, tem de navegar segundo as vagas, (“navegar é preciso”) tem de se adaptar. Quanto ao desenlace e ao estimulo de desenvolvimento na vida de cada um, o sábio tem um papel fundamental. O comportamento imaculado que ensina pelo exemplo

 

Contexto histórico-cultural

             Segundo Kenneth Cohen, das três grandes tradições religiosas principais na China - taoísmo, confucionismo e o budismo - o taoísmo é a única das tradições que se pode dizer que é indígena da China. O período histórico onde desponta o taoísmo foi um dos momentos mais ricos em termos de espiritualidade da história da humanidade:

            1. Na Índia, (século VI ou V a.c.) no seio do hinduísmo, Sidartha Gautama, muito impressionado e perturbado com com a doença, a velhice e a morte, decide abandonar a redoma do palácio onde vivia e dedicar a sua vida, pelas vias da introspeção e da meditação, à procura das causas e do caminho para se libertar do sofrimento. Assim nasceu a tradição budista, que quando chega à China[1] inicia um processo de sincretismo com o taoísmo, estando este já envolvido numa onda de influências com o confucionismo, num sincretismo de filosofias que mutuamente se influenciaram;

            2. O confucionismo, que é uma sabedoria ética e que pode ser considerado o primeiro humanismo ético na História, preconiza que a vida virtuosa de um espírito nobre visa o bem geral. Desconsiderando as questões metafísicas, da natureza e dos deuses, e centrando-se principalmente nos aspetos mundanos das relações interpessoais, o confucionismo preconiza um viver a vida o melhor possível;

            3. O taoísmo tem as suas raízes nos séculos VI e V a.C., e segundo Kenneth Cohen, em The Breath of Tao, é um sincretismo entre xamanismo e certas práticas espirituais estabelecidas por eremitas das montanhas, posteriormente conhecidos como Imortais[2]. Começou por ser uma tradição oral, e só depois, segundo reza a lenda, Lao Tze, a pedido do guarda da fronteira para o outro mundo lhe ter feito o pedido, colocou no papel os ensinamentos do Tao. No entanto sabe-se agora que o texto é posterior ao texto de Chuang Tse, sendo assim este o primeiro autor que escreveu sobre o taoísmo. No entanto o Tao te Ching de Lao Tze é a obra mais divulgada, fazendo de Lao Tze, o mestre dos mestres e a figura proeminente do taoísmo. Segundo Kristofer Schipper foi o taoísmo que “…permitiu a elaboração das teorias políticas que prepararam a unificação, em 221 a.C., dos reinos da nação chinesa num Estado imperial.”[3]

 

            As raízes do taoísmo remontam a um contexto em que monges, em união mística com o cosmos (dai o xamanismo), souberam encontrar o caminho da Imortalidade e da eterna juventude. A revitalização, a regeneração do corpo físico, a manipulação material (como Cristo, ao transformar a água em vinho e ao caminhar sobre as águas). O desfrutar em pleno das energias cósmicas, o humano como catalisador de energia mística capaz de materializar o Divino, os sábios das montanhas, ligados ao divino através da natureza conseguiram a mais profunda ligação que um ser vivo pode ter, o sincretismo de nós próprios imersos na mais profunda ligação à vida e ao Universo: tudo é um, é nós um com todas as coisas, na senda do Tao. Nós na veia do mundo, unidos ao divino, sendo um com ele, na profunda mística de Heraclito, Pseudo Dionísio, de Agostinho e de Eckart. Os sábios das montanhas, através da meditação, da introspeção, de exercícios corporais e espirituais, atingiram a iluminação, e daqui nasceu a lenda e a tradição que inicialmente foi oral.

           

            No profunda conexão dos contrários, do yin e do yang, (a encosta iluminada e a encosta norte), na descoberta e no uso da dialética de compensações, no exemplo do Cosmos e da vida, o processo dialético da vida, a entrada no dinamismo da vida, o compreender que a sua força é avassaladora e a sua vontade suprema. Foi o que o sábio das montanhas viu, experienciou, transportou para si a união plena, a cisão do finito e do infinito, do efémero e do perene, tudo eram energias e sinergias e processos opostos que poderiam ser conjugados em complementação para verdades maiores, que a consciência humana podia fazer a síntese dessas energias colossais, que lidam com os níveis mais profundos e significativos do real, os processos mais abrangentes que fariam as perceções macrocósmicas, de Einstein, mais tarde complementadas por Bohr, e as físicas como as conhecemos, o infinito Tao, a infinita Via, já era isso tudo.

            Os mestres originais procuravam no amor, na união com a natureza, com a sua placidez, pacifismo e profundo inefável, na sua beleza e imenso abismo impenetrável, procuravam comungar dessa força vital de vida. A força do Tao que é superior a tudo (citar). Os sábios unidos e em comunhão profunda com o divino tornavam-se divinos, imortais.

 

A Placidez do Sábio

 

“(…) Por isso, quem é sábio

deseja não ter desejos

e não atribui valor às coisas difíceis de obter.

Aprende a desaprender,

recuperando dos excessos de todos os outros,

Para contribuir para a espontaneidade das dez mil coisas,

Sem nunca se atrever a agir.”[4]

 

“(…) E assim quem é sábio

fica por cima, mas o povo não sente peso.

Fica à frente, mas o povo não se sente prejudicado.

Por isso, todos alegremente o empurram para a frente

e nunca se cansam dele.

 

É por não competir

que ninguém consegue competir com ele.”[5]

 

“(…) o sábio evita extremos, excessos, extravagâncias.”[6]

 

“(…) o sábio abraça a unidade

 e torna-se o modelo do mundo.

Não pensa em brilhar e irradia;

não pretende ter razão e impõe-se;

não se gaba e encontra-se-lhe mérito;

não se estende e cresce em autoridade.

Como não rivaliza com ninguém,

ninguém rivaliza com ele.”[7]

 

“O sábio não tem coração próprio,

faz seu o coração dos outros.

(…) O sábio permanece humilde e ignorado,

unifica assim os corações do mundo.(…)”[8]

 

“(…) Por isso, o sábio guia-se pelo seu interior,

pelo que sente, não pelo que vê,

afasta o que vê, aceita o que sente.”[9]

 

“(…) Por isso, o sábio ocupa-se de todos os homens,

não abandona nenhum,

ocupa-se de todas as coisas,

não afasta nenhuma.

A isto se chama iluminação natural. (…)”[10]

 

“(…) O sábio escolhe ficar atrás,

para se manter à frente,

desligado de tudo, unido a todas as coisas,

desinteressado, atinge os seus fins.”[11]

 

 

“(…) É por isso que o sábio pratica o não-agir

e se entrega ao ensinamento sem palavra.

Dez mil seres eclodem

e ele não rejeita nenhum.

Ele ajuda a viver sem se apropriar.

Ele opera sem nada esperar.

Realizada a obra, não se apega a ela.

Por não se apegar a ela,

não fica abandonado.”[12]

 

         O sábio taoista, na proeminência das suas ideias e no desapego individual ao conteúdo das mesmas intui e consciencializa o cosmos como se fosse a consciência do próprio cosmos. Sem subjetividades deste ou daquele ser particular, sem aspirações, sem desígnios e ambições deste ou daquele ser em particular. Sem apegos, desejos ou inclinações deste ou daquele ser em particular. No intuir e consciencializar a profundidade do universo, na prossecução do Tao, o sábio funde-se com a unidade, abarca com a sua intuição toda a realidade, e o eu esvai-se, para ficar apenas o absoluto.

            As pessoas confiam no sábio, pois ele não é ele. O sábio não é ele próprio, ou é como um anjo, uma "categoria", uma maneira de ser, um veiculo vivo de virtude, que como referência imanente, como exemplo faz com que o divino, que é virtude[13], (e será com virtude que podemos semi identificar o Tao, pois os seus intentos secretos parecem sempre concordar, onde há uma supremacia de um valor sobre outro, é a virtude prevalece) vitalidade, se impregne no mundo como o Tao que se pode nomear, sendo o próprio sábio essa via onde se manifesta energia e força (“(…) ceder significa acumular virtude, acumulando Virtude tudo é possível, se tudo é possível, os limites não existem.”[14]). O sábio estando em sinergia com o cosmos é impregnado deste imenso caudal de energia e força, desta vontade de ser, de viver, que lhe dá a vitalidade da existência, a vitalidade para ser sage, para ser luz, força, exemplo, ideia, anjo, ser para além do sensível e singular, que, um dia a criança que ele foi protagonizou. Assim, quando ele é o próprio cosmos, quando ele é um com o Tao, dissipa-se nas próprias coisas, na vida, sem interesses pessoais, sem escolha de lados, para além dos conflitos, equânime, vive no fluxo da existência, vive em sintonia com as coisas, com o todo, e através da natureza, por mediação desta, em conexão com o sagrado, com o profundo, o eterno, como os míticos eremitas das montanhas, tornando real de facto toda a ascese do Tao, eleva-se ao estado divino, é o Divino. Torna-se centelha absoluta, é um com o Tao, “tu e deus correm os dois naquelas pernas”.

            No ocidente, depois de Kant, o idealismo alemão conseguiu libertar-se das amarras que a modernidade tinha colocado sobre  si própria: ser o humano e não a Natureza. Retirada de cena a Natureza, o humano em conexão profunda com a divindade (como no teto da capela Sistina onde o humano toca diretamente Deus sem passar pela mediação na natureza), inaugura um tempo novo, que teve uma grande pujança, a força do humano que iniciou a senda do domínio da Natureza, mas que depois compreendeu, antevisto por Kant no seu Sublime, e confirmado por Schelling na sua ode à Natureza e à vida, confirmando plenamente, o humano, como o taoísmo sempre o advogou, o humano não pode viver excluído nem excluindo a Natureza.

 

O Tao como visão  absoluta         

            O sábio abandona-se na perspetiva do wu (o não há, o vazio dum vazo, ou o espaço sem nada numa sala, ou entre os raios de uma roda, como referido em capítulos como o 4, 11, 14, 16, 40), para assim, desapegado de se pensar a si e nos seus interesses particulares - a perspetiva do absoluto assim o exige - pensar o geral, colocando do lado os egos e os egoísmos, pensar o todo como unidade, (comunidade), pensar o ser com clareza e desapego de perspetivas circunscritas. O ensinamento sem palavra (Cap. 2), a linguagem para além dos conceitos. O sábio não age diretamente sobre a realidade, espera o eclodir de situações e sabe direcionar opiniões apenas com o olhar. Os humanos confiam no sábio pois ele a nada se apega, nada deseja para si próprio, as suas opiniões são da perspetiva objetiva além do pessoal, a perspetiva cósmica fala pela razão do sábio.

 

“(…) Quem actua, fracassa,

quem possui, perde.

O sábio não actua, por isso não fracassa,

não possui, por isso não perde. (…)”[15]

 

            Ausência de ação, mas não inação. Atuar não agindo, nada fica por fazer. A atitude correta. Apenas a atitude pode valer mais que a ação. O sábio não se enfurece, não esmorece, tem um registo regular, que anuncia e quem o conhece já sabe o que esperar. Por isso as pessoas confiam nele, na sua ética de sobriedade, sem exaltação, sem estar a defender um dos lados. O sábio sabe contemplar na unidade de todas as coisas as perspetivas eternas de longo alcance. Não se apega, liberta os seus discípulos, cada um tem o seu caminho, com aplicação espiritual, com a sua inação exemplar.


Pré-anarquismo[16]

 

            Todo o caminho se faz como planeado. O sábio só tem de deixar correr as coisas; quando as energias fluem livremente, quando há espontaneidade, não é necessária uma intervenção direta e física sobre a matéria. O sábio resolve as dificuldades do mundo material dentro da sua consciência ao estar em paz consigo e com o mundo que o rodeia. Quando a solução é encontrada, ela projeta-se sobre o mundo real sensível e as coisas acabam por se estabelecer.

 

“(…) O povo, sem decretos, governar-se-ia por si próprio, as coisas seguiriam o seu curso natural. (…)”[17]

“ O Tao, pela sua natureza, não actua e nada fica por fazer. Se príncipes e senhores assim pensassem, os dez mil seres evoluiriam por si próprios. (…)"[18]

“(…) Quietude, serenidade governam as coisas do mundo."[19]

“(…) Ganha-se o mundo deixando-o seguir o seu caminho, perde-se o mundo tentando governá-lo."[20]

 

            No campo da política, diz o sábio que os governantes devem deixar o povo ser por si próprio, encontrar o seu próprio caminho sem estarem a ser mandados por decreto. Uma ética e uma pré-anarquia. Os mestres filósofos a reivindicar para si o papel de educar o povo apontando para, seguindo o Tao, os governantes devem deixam o povo ser naturalmente, e espontaneamente. Não tem de ser o poder politico que deve educar o povo, nem é com leis que se educa o povo, o povo deve seguir o Tao, numa prossecução de virtude (Capitulo 54), e naturalmente se emancipará dos governos e das tutelas legais e morais. Os seres humanos serão melhores se os governantes seguirem o Tao e deixarem o povo crescer e desenvolver-se naturalmente, se deixarem o povo viver, se lhe derem condições para viver,[21] não os subjugando, dando-lhe condições para que possam seguir a virtude, com dignidade, para que se possam elevar da baixeza, para estados éticos mais elevados, de acordo com uma maneira de ser mais nobre.


A profundidade das coisas, escondidas sob o véu de Ísis

 

            Tinham-se retirado para as montanhas, na procura de uma verdade maior. Exercitaram-se na arte da sobriedade física e mental, na saúde, na arte da reparação e regeneração da mente e do  corpo até a longevidade intemporal, aos segredos da perenidade. Estar de acordo com o Tao, com a energia e fluxo vital. Dai advém força, vontade, vitalidade. Os exercícios espirituais, a meditação, os katas da sagrada dança do fluxo de energias, isso é estar de acordo com o Tao, unido ao Tao, procurando ser um com ele.

            Os mistérios da infinita sabedoria, as artes da faculdade de bem viver. Somos nós com a nossa força mental e com a ligação às energias plenas, que dia após dia, noite após noite regeneramos o nosso corpo e o mantemos saudável e sadio. Estar de acordo com o Tao é dizer sim à vida, estar bem com o mundo que nos rodeia, com a Natureza e com o nosso corpo. Saúde e bem estar advêm da harmonia entre o humano e o mundo natural, advém a energia, do sopro vital, da força e a pujança do pleno. Estando na vida sem forçar as situações, numa perspetiva de contemplação e de vida plena, numa conexão profunda com o ser absoluto, com o Tao inefável, no irresistível sentido que sempre nos toca. É esta a integralidade do ser, a força cósmica que se revela em explosão de energia em cada um de nós.

 

Bibliografia

 Lao Zi, Tao Te Ching, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova Vega, Lisboa, 2019

 Lao Tse, Tao Te King, Tradução e Comentários de António Miguel de Campos, Relógio D´Água, Lisboa, 2010

 Lao Tseu, Tao Te King, traduzido e comentado por Marcel Conche, Paris, PUF, 2005

 Coutinho, Steve, An Introduction to Daoist Philosophies, Columbia University Press, Nova Iorque, 2013

 Schipper, Kristofer, O Tauismo (1993), in As Grandes Religiões do Mundo, sob a direcção de Jean Delumeau, Lisboa, Editorial Presença, 1999

 

 



[1] O advento do budismo na China veio dar equilíbrio às duas tradições anteriores. O confucionismo moral e as diretrizes de um livre e vivo Tao. O budismo chegou à China, como Kant chegou à sua época, para fazer a ponte, entre as rigidez da identidade e a indefinição do dinamismo.

[2] Estes, devido a graves convulsões daquele período tinham-se retirado da vida em sociedade na procura de uma verdade mais profunda. Atraídos pela beleza, poder e pacificidade da natureza fundiram-se com o seu espirito, tendo assim gozado de saúde admirável e atingindo longevidade, ficaram conhecidos como os Imortais, foram os primeiros sábios do taoísmo. Os sábios posteriores, apesar da sua renuncia à vida pessoal e vida dedicada, ao aprofundamento da consciencialização, nunca atingiram o esplendor divino do mito original.  Não tinham essa qualidade de avatar, de encarnarem no espirito universal, na força primordial. Os sábios que depois do mito inicial passaram a divulgar o taoísmo são mestres, são sábios, mas não tem essa  dimensão absoluta que os sábios originários tinham.

[3] Kristofer Schipper, O Tauismo (1993), in As Grandes Religiões do Mundo, sob a direção de Jean Delumeau, Lisboa, Editorial Presença, 1999, p. 507

[4] Lao Tse, Tao Te King, 64, Tradução e Comentários de António Miguel de Campos, Relógio D´Água, Lisboa, 2010

[5] Lao Tse, Ibidem, 66

[6] Lao Zi, Tao Te Ching, 29, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova Vega, Lisboa, 2019

[7] Tao Te King, 22, traduzido e comentado por Marcel Conche, Paris, PUF, 2005

[8] Lao Zi, Tao Te Ching, 49, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova Vega, Lisboa, 2019

[9] Lao Zi, Ibidem, 12,

[10] Lao Zi, Ibidem, 27

[11] Lao Zi, Ibidem, 7

[12] Tao Te King, 2, traduzido e comentado por Marcel Conche, Paris, PUF, 2005

[13] Podemos ver esta identificação do valor supremo do Tao com a virtude na Ética humana (que como todas as coisas deriva do Tao) nos capítulos: 79, 65, 63, 59, 55, 54, 51 (“(…) Por isso, os dez mil seres respeitam o Tao, honram a Virtude, não por imposição, é a ordem natural das coisas” (…) a Virtude nutre, faz crescer, conserva, amadurece e protege. Produz sem se apropriar, age sem nada pedir, orienta sem dominar. Eis a Virtude original.”), 41, 38 (que situa a Virtude num nível imediatamente inferior ao Tao) , 28 (“(…) Ser o modelo do mundo e, como modelo do mundo, pela Virtude constante, regressar ao infinito.”), 21 (“ A grande Virtude segue o Tao, apenas o Tao.”).

[14] Lao Zi, Tao Te Ching, 59, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova Vega, Lisboa, 2019

[15] Lao Zi, Tao Te Ching, 64, Tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu, Nova Vega, Lisboa, 2019

[16] Capítulos 57, 58, 32, 37, 45, 48

[17] Lao Zi, Ibidem, 32

[18] Lao Zi, Ibidem, 37

[19] Lao Zi, Ibidem, 45

[20] Lao Zi, Ibidem, 48

[21] se houver justiça social, parágrafos 53, 57 (“(…) Quanto mais leis e proibições existem mais pobre é o povo, quanto mais afiadas são as armas mais desordem há no reino, (…)”, 75 (“As pessoas têm fome porque os governantes as esmagam com impostos, por isso as pessoas morrem de fome. As pessoas revoltam-se porque os governantes governam demasiado, por isso as pessoas se rebelam. (…)”







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