EDITORIAL
"...esta é a minha verdade, conta-me a tua."
Revista Opúsculos
“Opúsculos
sobre o Fim de Um Mundo”, revista não oficial de poesia, filosofia e religião, lançada
em 2007 com a divisa, “esta é a minha verdade conta-me a tua” (desde o número
11 referenciada como “Boletim de Ideias Filosóficas”).
Ilustrada com quadros dos mestres, quadros de novos artistas, promessas
desconhecidas, serigrafias, poesias, breves e profundas orações (só nos
primeiros números consegui colocar as ilustrações).
Nos primeiros números, pequenos contos, textos, explorando ideias da
filosofia. Outros números, foram trabalhos para determinada cadeira e que acho
que tem validade como tijolo na construção e sistematização de uma tese geral.
Revista feita por alunos e estudantes de filosofia, nas suas páginas, os
textos preliminares dos pretendentes na descoberta e edificação de um pensar
próprio, revista dos audazes aprendizes na disciplina da arquitetura da mente.
A revista não quer ser algo pomposo, nem se quer afirmar como detentora de
qualquer verdade. Sustem-se na ideia aristotélica de arte na
"Poética" aplicada à filosofia (acho que uma certa maneira foi o que
Kant fez da filosofia, após o esclarecimento (na "Crítica da Razão Pura”),
do que era ciência e de que a filosofia não o podia ser).
Sol
Longo o despertar da aurora
breves instantes percorridos pelo mar da vida
ameaçadoras serpentes no coração além do vento, conhecido do silencio,
para feito supremo do deus com o nome de Nemo.
Pior chuva gelada correrá por estes vales despidos em desespero
chocantes vestes de mulheres nuas percorrendo o caminho do vento de oeste
senhores do mundo, perdido do além, deuses da noite na alma do sofrimento.
Vestes corridas montanha abaixo para além da imaginação.
Perdidos e feitos com elementos da terra, fugidos do vento,
entre as nossas memórias, misérias perderam para além do rio do nosso contentamento.
Fostes homens nunca feitos e andastes enganados perante factos marcantes, pró-transições de vidas sem desespero que marcaram no vento a nossa existência fugida.
Homens verdadeiros, perdidos no fogo ateado por mulheres despidas de ódio, com olhares distantes para além do universo existente, onde caminham crianças levadas pelas mãos de homens tristes e renunciadores da vida.
Ventos esquecidos pela vida de crianças levadas a homens pelas mãos de pensamentos mortos,sentimentos de ansiedade nunca justificados perante a razão do sol.
Para já estivemos agarrados ao monte supremo da vida,
à agua gelada que nos prende os pés por entre caminhos vidrados, o sangue nos faz esquecer, que o deus guia as nossas vidas.
CONSCIÊNCIA CÓSMICA (1997/1998)
ÍNDICE
DA GRANDE AVENTURA DO HOMEM
- Mundos Perfeitos
DA GRANDE AVENTURA DA VIDA ATÉ AO HOMEM
- Acto de Fé
- Consciência da Linguagem
DA GRANDE AVENTURA DO HOMEM
- Momentos de Diversidade
- Das Regras
DA GRANDE AVENTURA DA VIDA ATRAVÉS DO HOMEM
- Da Dicotomia
- Das Pontes
- Do Sentido da Vida
Questões ulteriores:
- É a Liberdade uma prova?
- É o ser humano um segmento de recta entre o santo e a besta ?
- É a Democracia uma moeda de duas faces?
- É a prova da liberdade uma dessas faces? (direito)
- É o compromisso com o presente a outra? (dever)
- É o universo uma experiência?
- É o universo evolução da própria Vida?
- O que há para além dele?
- Qual o sentido da vida?
DA GRANDE AVENTURA DO HOMEM
Bruegel - A Torre de Babel
Personagens:
Leonardo, Kurt e Cláudio.
Pressuposto
...num mundo análogo...
...espaço K, tempo C ...
Kurt:
- …nações ancestrais, nações actuais...nações constituídas como Estados, nações evoluídas, nações semi evoluídas, nações ainda no alvorecer do pensamento.
Depois de uma longa evolução, em que impérios povoaram a terra, e fizeram a espécie humana crescer,...os padrões foram elevados, a fina-flor chegava mais perto, do ponto, na sua ideia…Muitas vezes o pensamento cria a realidade, outras a realidade impulsiona o pensamento. É um mecanismo de dupla função, não sei porquê as lutas de primazia.
A ideia elevada dos grandes impérios ancestrais, os saltos dos sapatos que não os conseguiram suster. Tão alta foi a elevação, quão grande a queda. Mundos perfeitos, na sua sede de alcançar o sublime, esticaram demais a corda e a corrente social deixou de estar ligada.
Quanto a um império ancestral que posso recordar (Grécia clássica vista como um todo), a sua tirania das linhas paralelas, fez nascer na sua sociedade o cidadão e o escravo. O cidadão tem todos os direitos, o escravo não é cidadão, por isso não tem direitos. Um código para os homens, e outro para os animais. Assim, na base de todo aquele belo edifício começou a formar-se o olhar calado que engolia, e essa mentira que no princípio foi contida, no fim não lhes deu saída.
Mundos perfeitos. Babilónios, o máximo. Onde foram parar os Babilónios? Persas, atenienses, espartanos, coríntios, tebanos. Quantas lutas entre eles, quantas tentativas de um se tornar maior que o outro. Foram-se minando e consumindo a Força, depois, todo o esplendor do seu mundo ruiu.
Roma foi o imperativo da Ordem. O ser humano interiormente tinha orgulho no que tinha atingido, tinha medo de o perder. Depois de o instinto de Criação se ter revelado no mundo grego (uma época de grande criatividade e inovação), Roma foi o momento do instinto de conservação (uma época onde se manteve pela força das armas uma versão romana do ideal grego de civilização).
Premissas:
Momentos históricos
Grécia – momento de Criação
Roma – momento de Conservação.
Juízo:
Uma cidade teve visão para suster a humanidade.
A consciência do dever fez deles o máximo. Mas também tinham “pés de barro”, mais uma vez, como no mundo grego, o factor humanista derrubou uma tentativa dum mundo perfeito. ...depois, já mais à frente, Sacro Império Romano, Catolicismo, Comunismo, Nacional-Socialismo, Fascismo, Capitalismo, Radicalismo Islâmico. Os excessos rebentam, tentativas de ideias perfeitas tomam demasiado ar, as suas ideologias não são totalmente coerentes, pois nenhuma ideologia consegue algum dia ser perfeita. O que há, o que podemos distinguir, são boas ideologias, más ideologias, ideologias assim-assim.
Leonardo:
- Por isso, hoje, neste mundo, o que se pode querer de uma ideologia?
O que é realmente importante para um ser humano?
O que é realmente importante para a espécie humana?
O que é realmente importante para a Vida?
Juízo – os suportes na base de uma ideologia têm de ser poderosos. Tem de suster toda a adversidade, tem de expressar tanto o pensamento das pessoas como os seus sentimentos. Expressar o que se quer conservar e o que se quer criar.
Kurt:
- Conceitos de Homem
p----------r (o pobre - o rico)
i-----------s (o ignorante - o sage)
Leonardo:
- Tentativa no campo do pensamento.
Níveis de
evolução
x+5------------------------------M-------- ------o------------
x+4 --------------M------------- o------------- -m--------------
x+3---------------o--------------o-----------------------------
x+2---------------o------------ -m-----------------------------
x -----------------m-------------------------------------------
Momentos_____ 1_________ 2___________3
- As nações deste mundo análogo têm os recursos. Naquele momento vários estados conjugam esforços para construir uma estação espacial. Outras nações constroem mausoléus para deixar como marcos à glória dos governantes. À custa do povo tem as suas megalomanias satisfeitas, e ainda deixam o seu nome para quem quiser saber a história; grandes senhores por certo, com o dinheiro dos outros.
Leonardo:
- O que é que o ser humano quer? Qual o valor natural, o direito a priori no bebé que nasce, o que é que temos de dar a todos os que não tiveram o direito de opção? Terão eles que também pedir desculpa por estarem a mais? O que é que o ser humano quer para a sua espécie e o que, no fundo, quer para si próprio. Aspirar a algo de bom para todos, era bom para todos. Haverá algum procedimento que é bom para todos? É dever da Filosofia procurar nesse domínio.
Kurt:
- É nosso dever procurar nesse domínio! Todos devemos cumprir o dever.
Leonardo:
- Essa é a moral kantiana, numa síntese despida, nua. Depois temos de perguntar o que é o dever. Para Kant o dever era agir de acordo com a ideia de Bem. Mas depois temos de saber o que entende Kant por Ideia de Bem.
Kurt:
- Não vamos por ai. Diz-nos tu o que é para ti a Ideia de Bem.
Leonardo:
- Pressuposto da ideia de Bem
B – o bem para ti
C – o bem para todos)
- Será que os homens se querem dar ao trabalho de conquistar três momentos? A vida é difícil para quem tem boas condições, imaginem para quem tem más.
Cláudio:
- Querer o melhor para mim é o primeiro nível, o individual. Querer o melhor para o outro é um grande passo. Fazer o acordo é bem difícil. A família criou um equilíbrio a nível pessoal, o marido, a mulher, as crianças. Nós, eu, tu, eles. Mas o homem, para alem do seu nível pessoal, tem um nível mundano, de indivíduo que também se quer relacionar com a sociedade. O homem ama a equipa. O homem, quando tem equilíbrio afectivo a nível pessoal, quer procurar o desafio.
Juízo – o homem é um ser em permanente desafio.
Cláudio:
- “Primeiro foi a luz, depois subitamente as trevas”. No princípio as coisas vêm sempre indefinidas. Os gregos diziam, primeiros foi o Caos (a desordem), no início houve uma abertura para algo passar, algo que veio depois. Hoje diz se no início houve uma explosão, o Big Bang. O que sabemos é que houve um movimento, que pode não ter sido um movimento como o conhecemos, pode ter sido um som como diz certa cultura oriental. Algo se passou que despontou todo o nosso mundo.
Das histórias da criação do mundo, há duas ou três que vos quero falar:
a) - Ovo germinal
Uma delas diz que o universo pode ser um “ovo”, um “caldeirão de ingredientes” que numa sala laboratorial ancestral germina algo, ao lado de outros “ovos” universais que podem ser mundos análogos.
b) - Proveta experimental
Uma outra também a ver com o laboratório. Uma proveta, Criador químico, fez este universo dentro de uma proveta, adicionou uma substância estranha a ele. A teoria do diabo à solta (dinamismo – erro). Experiência: se o organismo reconhece o erro.
Pressuposto – Universo = Organismo.
O acidental que precipita o movimento. A natureza não é perfeita, tem erro e imperfeição. A espécie humana toma consciência do erro, corrige-o.
c) - Seta do Criador
Criador – Instinto Místico Primordial
Sem tábua geral (manual de instruções da Vida em geral), ou com tábua geral bem escondida.
Espécie Humana – produto do Instinto Místico Primordial.
Ser Humano – efeito da Natureza
Processo da criação do universo
Reacções -- resposta
O dinamismo nasceu como resposta a... Como no milagre da vida, (útero animal), um organismo com enorme capacidade de se desenvolver chega ao lugar ideal para o seu desenvolvimento. Num “caldeirão” preciso, com os ingredientes precisos, cria-se a reacção precisa.
Estrelas...milhões de anos...explosões...milhões de anos...planetas gravitacionais à volta das estrelas...milhões de anos...condições para o aparecimento de organismos unicelulares num determinado planeta. As partículas que se juntaram ali, o lugar ideal deu origem ao seu desenvolvimento...milh.anos...organismos com vida, animais,...força, astúcia...dinossauros, o máximo...milh.anos...animal humano. Nessa altura, caçador, recolector...
Ponto fraco – pouca força física
Ponto forte – astúcia
Pensamento sem o pensar, organismo animal. Organismo com alma, com ponto de referência abstracto. Certas espécies compreendem instintivamente que viver em comunidade é melhor que viver isolado. Vamos encontrar o animal humano quando ele estava a esse nível, era um organismo dotado de alma. Um entre muitos na “selva primordial”.
Ideia de evolução.
Toda a evolução dos seres humanos, desde esse grupo que se juntava, caçava, e comia carne crua; até à descoberta do fogo e das reuniões à volta da fogueira. De toda a religião que se criou ali, feitos guerreiros que eram o máximo. Um fogo que se consome a si próprio, um começo que se leva, a ideia, uma chama acesa. Um período imenso foi a evolução à volta da “fogueira primordial”, aprendemos a pintar, a ver a cor, a cor iluminada pela luz ténue das fogueiras, a cor plena da luz estrela,...pintar...aprendemos a falar...quando quisemos explicar os nossos rabiscos, sentimos dentro da anima, (daquilo que nos impulsiona), necessidade racional, profunda, de que se deveriam criar códigos mais precisos para nos entendermos.
Consciência da Linguagem
a caça, o fogo, a ideia...o desenho...
a linguagem...
a cor...a ausência de cor...
Cláudio:
- O ser humano, mesmo sem o consciencializar, compreendeu isso, soube começar a pintar. Da pintura ao código social de comunicação foi um salto...apreenderam uma semente...fixaram-se em terras férteis...veio a linguagem escrita,...a longa tábua das palavras para os sentimentos...alegria, felicidade, beleza,...sentimentos com consciência social...medos à volta da fogueira afugentados por histórias de bravos actos valorosos, que se constituíram como paradigmas e deram à espécie possibilidade de se superar.
Achivement spirit
Kurt:
- Semideuses tinham feito os actos mais grandiosos; deuses tinham lutado com forças cósmicas para dar origem ao mundo. Se algo não estava bem, as forças do mal tinham investido seriamente... Assim, à volta da fogueira, luz exterior que se projectou, fez nascer a base do que é uma história. Consciência de história.
Leonardo:
- Foi daí que partiu o pensamento.
Juízo – a consciência de uma história marca o pensamento.
Imaginação - imagem
Nos primórdios a imagem foi...
Os componentes chegaram lá, o lugar ideal para germinarem foi o cérebro humano. A Inteligência encontrou caminho através dum ser animal
Corpo + Anima + Inteligência
SER HUMANO
Sentidos + Instinto + Pensamento
Kurt:
- Este mundo existe, eu sou ser humano, eu sou vida,...segundo Kant, eu sempre estarei cá, imperceptível, fechado, indefinido, numeno(ser em si)... O que sou e o que apareço quando sou objecto...de numeno sempre indefinido, eu, tu, ele, nós, vós, eles. A imagem que tomo do mundo quando sou sujeito, a interpretação, tomo sensações, situo percepções, analiso fenómenos, construo objectos...
Cláudio:
- A diversidade é incomensurável. Estamos divididos de ínfimas maneiras. Entre as matérias somos matérias diversas, entre componentes, componentes diversos se conjugam para estabelecer corpos, entre as forças vivas ou semivivas podemos falar de animais, oceanos, climas, desertos, vegetações. Em termos animais podemos conhecer tantos tipos de vida. Somos diversos, dentro da espécie, dentro do mundo animal, e mesmo em relação ao universo circundante.
Kurt:
- Entre seres humanos tantos interesses distintos. A que é que nos agarramos? À família, à nação, à língua, à cultura nacional? Temos de ir mais além, procurar o ideal na fonte, a ideia antes de ter sido rotulada. Antes de ter sido de direita ou de esquerda, qual a causa do seu aparecimento, antes de ter sido uma ideia francesa, ou inglesa, qual a necessidade que lhe deu razão de existência. Temos de nos agarrar a princípios universais. Muitas vezes eles entram em conflito com meios familiares, residenciais, nacionais, civilizacionais. Mesmo para além da espécie, quando a espécie humana tomou consciência que está a prejudicar o planeta, a vida reagiu dentro do homem.
As religiões que nos dizem o que está certo, o que está errado, qual delas é dona da verdade? (Ultrapassar – Pátria, religião, civilização)
O que a tua pátria te diz, nem tudo está certo; os valores da tua civilização, nem todos são positivos; os dogmas da tua religião, nem todos fazem sentido. A família educa o indivíduo, muitas vezes o indivíduo ultrapassa a própria família. Outros valores vêm direccionar-lhe a acção, surgem situações de conflito. Muitos filhos da cidade se têm educado na rua, muitas vezes mal. Os pais estão ausentes, no trabalho. Certas vezes o indivíduo cresce e ultrapassa preconceitos, emancipa-se como homem, consegue aceitar perspectivas diversas, que o certo e o errado não são tão lineares como à primeira vista o objecto fizera supor...
Leonardo:
- Do outro lado do ser humano está a sua consciência, a perspectiva intemporal, imparcial... Compreender, melhorar, empreender.
Passado – estrelas, planetas, unicelulares,
animal, ser humano...
Presente – “Full circle” / Diversidade
Futuro –...
- Caso concreto: Um homem chega de carro a uma rua, são horas tardias na noite, ele tem a música do rádio muito alta...
Problema da consciência cívica...
Leonardo:
Kurt:
- Civismo – Valor
Democracia – moeda de duas faces: o ser humano escolhe – Liberdade;
tem de saber escolher – Educação
Leonardo:
- Quem não sabe escolher não pode ser livre?
Kurt:
- Reforma educacional. A Educação tem de formar o indivíduo, tanto a nível da técnica como a nível do crescimento espiritual. O progresso é um dos valores mais elevados. Foi a nossa vontade de progresso que nos trouxe à liberdade. Dirigimo-nos para onde... O ser humano está a institucionalizar a democracia a nível global, mas estará o humano preparado? Tiramos o modelo da Grécia, mas mesmo a democracia tem de ser reformulada. Direitos e Deveres. Liberdade = Prova.
Conseguimos superar o determinismo? Consegue o ser humano viver em liberdade resistindo ao impulso da necessidade natural? Conseguimos viver em liberdade respeitando a liberdade dos outros?
...dois séculos depois da Revolução Francesa,...a educação falhou...
Leonardo:
- “ A espécie humana está entregue aos bichos. Toda a pretensa democracia do homem elucidado é uma farsa.”
Kurt:
- Juízo – Não se pode brincar à liberdade.
Se eu não estiver esclarecido, não a posso preservar. Se eu não estiver a jogar na posse necessária das minhas faculdades para estabelecer o equilíbrio, o sistema fica desregrado. Se se diz democracia mas na prática resulta uma oligarquia (poder da elite), algo não está bem.
Em democracia a liberdade não é total, não dá tudo, exige algo em troca. A participação democrática do cidadão, o seu esclarecimento, a sua participação política, não é opção, é dever. Participando efectivamente no seu tempo, através da educação, cada cidadão democrático tem uma voz na assembleia da polis. (é uma voz na opinião publica). Quando o cidadão acorda e toma consciência, (de si próprio,) já está a evoluir. Parte na senda de Educação – Progresso - Evolução. Na educação que consegue para si próprio, cada cidadão escolhe determinado patamar da realidade. Conhecer-se/melhorar-se/manter-se.
Juízo – Só um cidadão esclarecido pode preservar a liberdade.
Temos de reconhecer que este é um dos problemas mais importantes da democracia actual. Temos de reformar a estrutura de base. Consciência de cidadão: política, social, do direito, da justiça, histórica, pedagógica, evolutiva.
Leonardo:
- O humano é um ser de registo e descodificação do que está feito (das leis naturais, da Ordem). Mas é também um indivíduo criador. O acto criador ainda é racionalmente incompreensível para o Homem. Chegamos ao método dialéctico, chegamos ao D.N.A., é por ai...mas ainda há muitos elos que temos de encontrar.
Kurt:
- Acto criador, luz, calor, nove planetas, sistema solar. Atmosferas, vida, beleza,...uma tela,...uma tela universal...o ser humano, pintor da tela universal…
Cláudio:
- A Vida somos nós, é o planeta e são os animais e vegetais. Cabe-nos a nós, defende-la com a força da técnica, com a profundidade da alma, com a lucidez do pensamento.
Kurt:
- Do nosso esforço, que por enganos se viu a desejar mundos perfeitos; que soube que tudo é mais que uma moeda de duas faces; que a perfeição para uns custa a dor dos outros; que se estica demais a corda vai-se força-la, hoje, constantemente e livremente, não sonho mais com mundos perfeitos, este mundo serve-me, eu amo-o, ele ama-me a mim.
Leonardo:
- Tenho duas forças profundas: conserva-lo, conquistar mais.
Kurt:
- O que quero conservar é a beleza do mundo, o que quero conservar é o que ele tem de bom. O que quero conquistar são melhores condições para a vida animal. Especificamente melhores condições para a espécie humana ter uma existência com dignidade. Não quero um mundo perfeito, mas isso não invalida a minha força profunda de conquista que me impele a torna-lo melhor.
Leonardo:
- Evoluímos para descodificadores e registadores, tomamos consciência progressiva do quadro geral, até onde podemos chegar?
Kurt:
- O que se tem é ciência. Os factos são a base de todas as teses. Faz-se astronomia com dados de à milhões de anos atrás, pois o universo que nos é dado a observar não é o presente, mas sim a luz que ele projectou no passado…
Leonardo:
- O futuro é querer, é vontade. O futuro é acto de fé. Para além dos factos não posso provar nada, acredito que sou força de Deus criador do mundo, que aprendeu que pode pensar sobre si próprio como organismo total.
Das Pontes
Kurt:
- O que nos une?
Leonardo:
- Ao universo, une-nos a parte que é do todo, a parte pensante. Á espécie humana,...o que nos une...a nível individual: simpatias, aspirações comuns, interesses, desejos, forças de grupo, carismas,...medos, partilhar,... A nível social, para além do Direito, da Moral, da Ética, da Justiça, da Arte, da Politica. Para além da Ciência, da Filosofia, da Ortodoxia, dos sonhos,... O que todos os povos da terra procuram sem haver um que não o tenha feito...
De maneiras diversas todos procuram um ser (Deus) ou um estado (Divino), um ideal de Bem. Com exércitos em várias frentes a espécie humana tentou varias respostas, para chegar mais perto da verdade, da luz, de Ele.
O que une todos os povos, todas as nações – uma ideia de Bem. Com interpretações diversas, mas com vectores no mesmo sentido, somos um sendo múltiplos.
Kurt:
- Estes últimos anos do século vinte (1998/9) estão confusos. O ser humano não consegue separar o excesso de informação. Ao nível do cidadão comum não estão precisas as fronteiras do que é efectivamente importante para todos. Já trilhamos um longo caminho para sabermos que somos diversos...
Leonardo:
- Mas não somos só diversos, somos também comuns uns aos outros, somos parte uns dos outros,...
Kurt:
- As nossas forças e os nossos recursos estão mal nas mãos de interesses que subestimam o valor da vida humana, da vida animal, e mesmo da vida do organismo que é a Terra. Consciência, tenho sim, quero muito. Esquecer não, isso é enganar-me. Eu não quero viver na floresta dos enganos.
Cláudio:
- Assim, reacção cósmica, estrelas, planetas, unicelulares, organismo animal, Inteligência.
Leonardo:
- Especificamente, nós somos MPU INTEL, (micro partículas universais de inteligência). O que era instinto de vida tornou-se decifrável, o organismo criou um ser capaz de decifrar os seus próprios códigos, de entender as suas próprias linguagens. A consciência aprendeu a utilizar anexos imensos de memória, de os relacionar, aprendeu a gerir a informação.
O ser reacção Inteligência do sistema para se compreender a si próprio está encontrado. A natureza criou um ser que ao conquistar a Força tem de utiliza-la para defender a Vida. O sistema descobriu maneiras de o pensamento analisar problemas, testar hipóteses de solução. A espécie humana hoje age com o sistema, mas não em sintonia com ele. A harmonia ainda está longe, o equilíbrio é precário. Neste momento temos os recursos para dar aos seres humanos a vida, e lugares cada vez mais próximos do lugar ideal de cada um para se desenvolver. Fazer o que se gosta, realizar-se como ser inteligente, numa escolha liberta de impulsos imediatos e que se procura em valores mais elevados.
- Devemos procurar saber o que realmente queremos, e o que serve para nos enganar.
Kurt:
- Hoje a corda nesse mundo análogo está esticada. Por um lado as elites elevam-se, os especialistas saem do quotidiano, vão para a objectividade... Por outro lado o sujeito sente tudo na pele subjectivamente. Por um lado chegamos tão alto, por outro, grande parte da população não percebe “what´s the point”. Reforma social é o que proponho. Critica aos egoísmos, às empatias globais, às regras rígidas, às flexíveis. Critica dos princípios sob uma perspectiva mais elevada... não queremos soluções de compromisso, queremos convicções.
Do Sentido da Vida
Leonardo:
- Dois vectores: (a) e (b):
a) o ser descodificador.
Pensamos a vida. Pensamos pelas flores, pelas árvores, pelos animais, pelas chuvas, pelos ventos, pelos mares. Qual o papel do ser humano na vida? De alguma maneira o Instinto Místico Primordial não tem, ou não nos quer mostrar as tábuas do mundo natural. De alguma maneira, ou é ele que quer, ou somos nós que irresistivelmente nos dirigimos. Temos vindo a apurar a nossa capacidade para descodificar, para pôr inteligível, de maneira que a nossa consciência racional, que é a única consciência conhecida, possa compreender. Dirigimo-nos para onde, nesta nossa senda de compreensão do mundo natural? O esquema linear do sistema solar está feito. Agora, pensar em componentes (Física Quântica), pensar quais são os componentes que fazem as diferentes coisas. Quais os componentes do movimento, quais os componentes do acto criador, quais os elos que ligam o inteligível.
Kurt:
- Um dia... o ser humano terá as tábuas do mundo natural, um dia...descodificaremos o acto criador, um dia...o ser humano saberá fazer o que está, podemos expandir a vida, uma vida que neste planeta Terra descobriu as condições ideais para germinar e se desenvolver. Podemos hoje, com a ciência compreender muito do mundo natural, no entanto ainda há anomalias de sistema.
Leonardo:
- Juízo – o sistema não é perfeito, o sistema tem uma dose de erro.
Vector a) – elaborar as tábuas do mundo natural.
- descodificar processo criador.
- perceber onde está o erro.
Kurt:
- Saber viver é saber semear.
Leonardo:
- Saber viver é não nos esforçarmos por beber de copos vazios, é saber utilizar sementes (os nossos germes), achar o seu génio, e fazer o que se gosta, o que se ama.
Kurt:
- Realização pessoal, não viver por viver. O tecido social é diverso, o mundo é das pessoas, e todas têm sentimentos. Esquecer os sentimentos dos outros é enganarmo-nos a nós próprios, é esquecer que somos seres humanos e que gostamos que nos tratem bem. Ninguém pede para nascer, ninguém escolhe rico ou pobre.
Leonardo:
- Todos temos um caminho a percorrer.
Kurt:
- Nem todos obtém as condições necessárias para se desenvolverem, e essa é a grande hipocrisia do nosso tempo, a grande mentira social. Uns correm descalços, outros com sapatos rotos e outros com bons ténis. Na corrida as exigências são as mesmas para todos. Nos livros, nos acordos entre nações, na declaração dos direitos do homem e do cidadão, nas declarações de intenções, concordou-se que todos são iguais e tem os mesmos direitos para se poderem desenvolver e aceder ao nível da razão, deveria ser assim, no entanto não é,...
Juízos:
Cláudio:
Sou pensador – eu penso
- os seres humanos
Leonardo:
Sou pensamento
- do mundo
Kurt:
A minha força
- Força do Mundo
O Homem a ultrapassar-se a si próprio
Leonardo:
- O egoísmo dos seres humanos prende-os a si próprios, quebra os elos que seriam para ultrapassar.
Kurt:
- O egoísmo está a induzir as nações a vistas curtas.
Leonardo:
- Eu sou mais que humano. Cada humano é mais do que a definição fechada de ser humano que nos querem impor. Cada ser humano é um numeno, um valor em si. Tem uma potencialidade infinita, tem sentimentos, tem consciência, sofre, ri, sonha, necessita, age, conquista.
Sou humano mas também uma força da Vida, para a pensar, para a defender, compreender, melhorar. A minha família e a minha nação não são tudo. A minha civilização não é a única. A minha espécie não é a dona do mundo!
EPILOGO
Kurt:
- É tempo, já errámos tempo suficiente, já nos desesperámos por não saber o caminho. Agora não podemos ficar indiferentes, o caminho está ali,...o futuro está por fazer.
Cláudio:
- Assumirmo-nos, entrar pela vida, como uma seta em movimento contínuo, em direcção a um alvo que tarda em chegar, mas a seta infatigável, não abandona o seu mais profundo instinto.
Kurt:
- Princípios:
Nova moral...ética...consciência cívica...
Educação – progresso – evolução.
Direito, justiça, felicidade, verdade, humanidade, liberdade, sociedade.
Qualidade de vida: superar nível 1 de necessidades:
habitação, saúde, alimentação, educação, prazer, lazer, dever...
O lugar ideal para cada um germinar o seu génio, ou...fazer o que se ama.
The End
Never Surrender
Luto contra o conformismo universal,
luto por ele me querer levar,
na massa inerte daqueles que já não podem fazer nada.
Luto para não me tornar apenas mais um numero,
mais uma vida, um processo, uma recordação.
Luto para morrer de pé, para não ter medo, para não me arrepender.
Luto para ser verdadeiro, para me reconhecer nos meus actos, para saber quais as minhas palavras.

Sem comentários:
Enviar um comentário