terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Nº 10 - Data Creator

Revista não oficial de Filosofia, Poesia e Religião



Revista Opúsculos

“Opúsculos sobre o Fim de Um Mundo”, revista não oficial de poesia, filosofia e religião, lançada em 2007 com a divisa, “esta é a minha verdade conta-me a tua” (desde o número 11 referenciada como “Boletim de Ideias Filosóficas”).

Ilustrada com quadros dos mestres, quadros de novos artistas, promessas desconhecidas, serigrafias, poesias, breves e profundas orações (só nos primeiros números consegui colocar as ilustrações).

Nos primeiros números, pequenos contos, textos, explorando ideias da filosofia. Outros números, foram trabalhos para determinada cadeira e que acho que tem validade como tijolo na construção e sistematização de uma tese geral.

Revista feita por alunos e estudantes de filosofia, nas suas páginas, os textos preliminares dos pretendentes na descoberta e edificação de um pensar próprio, revista dos audazes aprendizes na disciplina de arquitetura da mente.

A revista não quer ser algo pomposo, nem se quer afirmar como detentora de qualquer verdade. Sustem-se na ideia aristotélica de arte na "Poética" aplicada à filosofia (acho que uma certa maneira foi o que Kant fez da filosofia, após o esclarecimento (na "Crítica da Razão Pura”), do que era ciência e de que a filosofia não o podia ser).





Anarquia dos Seres Divinos

Imagino um mundo regido por seres eticamente evoluídos. Nesse mundo não há sofrimento ou dor, por frio, fome ou falta de acolhimento. Nesse mundo há escolas e centros de formação para todos os que querem evoluir. A evolução de cada um processa-se numa paralela em dois níveis: no trabalho do físico; no trabalho da mente.

Imagino um mundo onde não serão necessárias morais impostas nem leis (ordinárias) para os maiores de idade, onde não serão necessários Estados. Imagino um mundo regido por seres eticamente evoluídos, a Anarquia dos Seres Divinos, o Mundo do Ser, que efectivamente se está a fazer.

Tudo o que existe agora, (em relação ao que será), não passa de uma fase transitória, de um bloco de mármore meio transformado. Todo este mundo que conhecemos não passa de processo em desenvolvimento que nos vai levar ao que será de facto.

Assim, para nós hoje, abre-se o caminho do Criador, dentro de cada um, o ser Divino é o que podemos ser, o ser Divino é o que está destinado a viver, pois o nosso mundo não subsistirá se continuarmos eticamente deficitários.

Imagino um mundo onde cada criança tem boas condições para se desenvolver. Imagino um mundo onde todas as crianças são como irmãos em termos do apoio por parte do progenitor, onde todos tem as mesmas oportunidades de se desenvolverem. Um mundo onde despertar e crescer são a razão da nossa vida, porque cada vez que um ser se torna maduro e adulto, uma nova luz Divina brilha no meio de nós.

Os seres humanos nascem tutelados. Desde a sua mais terna idade todos tem direito ao nível 1 de necessidades garantido. Cuidados de forma digna tornam-se crianças onde desperta sensibilidade e a inteligência. Desenvolvendo-se de forma salutar encontram mais tarde ou mais cedo o pensar próprio. Encontrados com sua razão e consciência, levando em conta a voz do seu coração, tornam-se adultos. Emancipam-se da tutela e tornam-se livres.

Imagino um mundo onde soubemos ter cabeça, onde usamos todo o saber acumulado, onde a boa gerência das pequenas coisas se projectou para a gerência da Vida e do Universo, onde no Universo não demarcamos terrenos, onde não dissemos Universo “es nuestro”, pois Ele é de todos os seres adultos que são luz por si.



DATA CREATOR (2003/2004)

Primeira Parte


I
Numa praça de grande movimento numa metrópole do nosso tempo.


Leonardo:
- Cidadãos, cidadãos desta grande cidade, escutai-me.
Venho-vos falar do “Novo Acordo”; das novas exigências que o “Mundo” faz aos seres humanos e da nossa responsabilidade perante o poder nuclear.
O Criador lançou os dados do Mundo, este mundo, o Universo.
Diz a Bíblia que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Diz a Bíblia que este é o Mundo de Deus. Perante o que se vê, perante tantos desarranjos, não o conseguimos reconhecer como tal.
O Universo existe, que obra magnifica. Grande parte das coisas na realidade universal ainda não as compreendemos. Em termos do planeta Terra, há muita coisa que já percebemos. No entanto surgem na Terra realidades inesperadas. Quando Newton elaborou os seus trabalhos de Física, o mundo parecia um perfeito relógio suíço com tudo no sítio. Agora, com a teoria da relatividade de Einstein e a física quântica (as realidades infinitas em grandeza e pequenez) tudo se alterou. O relógio suíço nem é mais um relógio, é apenas uma peça, uma peça numa engrenagem muito maior que o mundo de Newton, e ainda demasiado complexa para poder ser por nós apreendida em todos os seus aspectos e contornos.
Os desarranjos, os desajustes, os freaks (falhanços da natureza), as anomalias no sistema, o que é que tudo isto nos diz?
Depois de pensarmos que era uma maquina feita e completa, o Criador dá-nos hoje a entender que: a sua Obra é como um puzzle que ainda se está a fazer; é como algo que está ao lume e ainda se está a apurar; como um útero onde um ser se está a desenvolver.
Perante isto, tomando o texto dos Génesis como referencia, podem-se interpretar os factos assim:
Universo – Ordem quase perfeita, mas ainda há desarranjos, anomalias.
Obra - Universo: É um processo. Um percurso com dinamismo, desenvolvimento e actualização de potencialidades.
Universo - Obra ainda no Sexto Dia. Ainda não passaram os Sete Dias do Criador.

II
Entre as obras que se conhecem e a obra do Criador há uma distinção fundamental.
As obras dos seres humanos dependem fundamentalmente do artista para se concluírem. A obra do Criador separou-se dele. Para além de Ele querer que ela se complete, para além da Ordem que instituiu no mundo permitir que o seu Espirito, o Divino[1], exerça uma certa regulação, e até em certas circunstancias se possa materializar como avatar[2], o Criador não pode fazer nada pela Obra. Ele criou (ou aceitou) as regras do jogo e agora tem de respeita-las. A Obra do Criador depende fundamentalmente de si própria para se concluir. Depende fundamentalmente da capacidade dos seres se efetivarem como seres à imagem e semelhança do Criador. Só ai a Obra do Criador estará concluída.
Este não é ainda o mundo de Deus. Este não é o mundo de Deus porque ainda não conseguimos lá chegar.

III
O Criador não está presente, mas a Physis[3] regula todas as coisas deste mundo.
Os seres humanos são os seres mais desenvolvidos da Obra. São um certo fogo com letra pequena. Tem inteligência viva, mas no entanto ainda não tem maturidade para tomar o mundo.
Nós, os seres humanos, somos seres do mundo. Temos de viver no mundo físico com as leis da natureza. Nós, homens e mulheres, temos dentro do nosso coração um sentido de direcção que nos diz que temos de ir por ali, que muitas vezes o diz sem justificação. É a força do Espirito do Criador, que muitas vezes acolhemos nos nossos corações. Insufla-nos de coragem e determinação para avançar, sair das “zonas de conforto”, procurar o novo, a mudança, a inovação, o melhoramento.
Sempre houve uma exigência ditada pela Physis neste mundo, Ela exige que se faça determinado caminho. Os seres humanos pensam que as revoluções humanas são marcas da sua vontade de liberdade. No entanto foi a Physis que nos encheu os corações, foi a Physis que nos fez esquecer tudo o resto enquanto caminhávamos para a morte.

IV
Hoje o Universo ainda não é o Mundo do Criador. Há demasiado sofrimento, demasiados erros. Poderia ser este o mundo do Criador, mas depende da vontade e das forças dos seres na obra.
A Physis sempre exigiu, mas chegamos ao ponto em que a Physis já não pode impor. Nesta fase de desenvolvimento da Inteligência O Criador não nos pode impor a sua imagem e semelhança. Chegamos ao ponto em que a ultima palavra é dos seres humanos. Nesta fase, para que a acção se dê, para que o processo avance, os seres da Obra tem de querer avançar por sua vontade. Para que o processo Universo se concretize, um ser da obra tem de se efectivar à imagem e semelhança do criador. Há uma exigência natural para que isso se concretize, e enquanto isso não acontecer o Processo Universo está inacabado.

A Physis pede aos seres humanos. O Organismo pergunta, o ser humano responde. Certas respostas humanas estão a ser rejeitadas pelo ser Vida, pela Physis, pelo Criador. A resposta dos gazes a envenenar a atmosfera; a resposta do esgotamento de vários recursos; a resposta da ameaça humana perante certas espécies, pondo-as em risco de extinção, e levando mesmo algumas à extinção; a resposta da manipulação genética associada à procura de grandes lucros a qualquer custo; a resposta do capitalismo selvagem perante a questão - como vão os seres humanos viver. Tudo isto, tudo isto dá mau resultado, e quando dá mau resultado quer dizer que a nossa resposta foi inadequada, insuficiente para o que nos era exigido.
As espécies extinguem-se ou são superadas porque perdem a capacidade de adaptação. A sua resposta é rejeitada e elas não se conseguem reinventar (superar). A acção não está apenas nas espécies em conseguirem ou não sustentar as exigências. A acção também está em quem rejeita ou aceita as respostas[4].

V
A Physis pede um ser adulto. Um ser capaz, eticamente evoluído, maior, maduro, que possa gerir bem o mundo. Não os grandes comerciantes vorazes que sugam tudo por onde passam.
Em tempos remotos o Mundo pediu, a Physis exigiu. Os seres humanos responderam, e a resposta humana fez de nós o que somos hoje. Perante as exigências da altura, a resposta humana foi aceite. Por isso nos tornamos o ser físico dominante neste planeta.
No entanto, hoje, as exigências são mais elevadas. O poder nuclear é imenso, a responsabilidade é incomensurável, pois é impossível determinar o valor da Vida.
Hoje o Mundo pede, a Physis exige. Idade adulta.
O Criador necessita do ser à sua imagem e semelhança para se efectivar a Obra.


Segunda parte
Leonardo:
- Enquanto os seres humanos não avançam, enquanto nem temos consciência de quanto determinados somos, de quanta providência e teleologia há. Neste momento, a única liberdade pela qual podemos lutar é a liberdade de escolher “percursos de autocarro”, e para muitos já é uma grande liberdade ter alguns percursos para escolher.
Enquanto o ser humano não avança, não supera, empata. O mundo grita, o sofrimento aumenta, a injustiça e a rigidez legal avançam. É dentro de cada ser humano que tem de dar-se a batalha. É dentro de cada um de nós. O Mundo precisa de seres humanos que se superem. Por isso têm de olhar para si e verem-se como são. Depois têm de aceitar-se como são, e só a partir daí é que podem intentar ser algo mais. Não procuremos ser perfeitos, a perfeição é sempre uma ilusão, é sempre uma insatisfação, está sempre muito longe. Procuremos ser melhores cada dia que passa, ou se houver um dia que não conseguimos, temos de ganhar coragem para nunca esquecer que é isso que importa. Avançar, purgar a nossa alma, cuidar do nosso corpo, crescer, desenvolvermo-nos, efectivar potencialidades.
Se houvesse um andróide que fizesse todos os trabalhos dos seres humanos, muitos seriam dispensados. Aí o que seria de nós? Mas não sejamos ingénuos, é isso mesmo que se procura, é isso mesmo que vai acontecer. Um executante que não fique doente, que não tenha família, não tenha outro desejo que seja o de efectuar o seu trabalho bem feito.
Aí o que será de nós? É para nos precavermos disso, para que, quando o andróide surgir aí repentinamente, não sejamos apanhados de surpresa que vos digo, o nosso papel é crescer, evoluir espiritual e fisicamente para seres à imagem e semelhança do Criador. Se se conseguir umas máquinas que fazem o trabalho pelo ser humano, e em vez de nos dispensarem, cada um de nós se puder dedicar a fazer o que gosta e o que ama, como não nos tornaremos melhores?
Hoje a Natureza está desequilibrada. O Mundo necessita de um bom Gestor (já não é “dominai a Terra” mas gere a Terra, defende a Vida). Muitos seres humanos com grande influencia o que fazem? Exploram a sua gula à sua vontade. Que resposta é esta perante o Mundo, perante a Physis, o Universo, perante Deus?
Lançou-nos o Criador neste mundo para o saquearmos? A resposta humana está a por a espécie em perigo, está a por o sistema em perigo. A Physis não gosta desta resposta. Será como disse Nietzsche, será o ser humano o instrumento da sua perda? Manipulamos já geneticamente aquele que vai ocupar o nosso lugar porque responde melhor às necessidades do Sistema? Quando na Bíblia se diz que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, poderá estar a dizer-se que o Criador está a fazer um ser à sua imagem e semelhança que passa pelo ser humano? Quando a mecânica humana chegar à capacidade de criar um corpo como o humano, será capaz de criar um corpo superior ao humano. Com a manipulação genética criará uma mente superior à humana, e aí, já não vamos a tempo de ser o Ser à Imagem do Criador. A velha selecção das espécies fará com que organismos mais adaptados tomem o papel principal. Por isso, a cada ser humano, não interessa onde se está, interessa o que se anda, o que se cresce. Se nascemos ricos ou pobres, não interessa se um parte de “quinze” e o outro de “dois”, interessa é o que cada um andou a partir do ponto de partida. Para que isso seja possível, cada um tem de ter boas condições para se desenvolver. Interessa é andar, avançar, ter vontade de crescer, de se superar, de querer melhor do que o agora. E não apenas para cada um de nós, querer também um Mundo melhor. Com os lisboetas somos Lisboa, com os europeus somos Europa, com a América somos o Ocidente, com o Oriente somos o Mundo. Com os seres humanos somos a humanidade, e com a Terra somos a Vida. Com o Universo somos a Obra. Há tantos níveis de ser e tantas exigências. Estamos dispostos a ser o que nos é pedido? Queremos mais o Mundo do Criador ou podemos ficar por este? Temos de ser aquilo que somos, os Guardiães da Vida. O Universo é imenso, mas quanto se sabe, para além de imensas possibilidades, só há Vida aqui. Por isso este Planeta é único, por isso tudo o que existe sobre a Terra é precioso. O instinto de conservação diz-nos isso, temos de conservar a Vida. O instinto de criação diz-nos que temos de melhorar as condições de existência. A Physis diz-nos que as exigências são elevadas, o Mundo do Criador tem um preço a pagar. Estamos nós, seres humanos dispostos? Ou ficaremos cada vez mais na sombra até que venha um ser superior que nos ponha definitivamente para traz. Só o ser à Imagem e semelhança do Criador efectivará a Obra. Ao ser humano, nestes termos, restam duas opções. Ou se supera ou é superado. Não há um Livro que diga o que deve ser o ser humano, ou o que ele é. O ser humano é um ser indeterminado, pois está em desenvolvimento constante. Fica na decisão de cada um crescer ou encostar. No entanto é velho como o Mundo o ditado que diz, “quem não semeia não colhe”. Uma imensa Odisseia nos espera. Uma imensa Odisseia temos vindo a viver. Sabemos o que nos é pedido e para onde vamos. Está em cada um de nós, na maneira como se compromete com a sua vida, e nos compromissos que assume conjuntamente.
Porque é que os seres humanos não voam com a Força da Mente? Costumo responder, os seres humanos não voam com a força da mente porque se voassem, tínhamos de viver em gaiolas, pois os roubos e os crimes iriam aumentar muito. Para avançar a Physis propõe um Novo Acordo. O Novo Acordo pressupõe uma Ética evoluída (Amor, Verdade, Equilíbrio, Harmonia, Luta Interior, Compaixão). Somos ainda eticamente pouco evoluídos. Neste momento em vez de sermos correctos e de termos éticas interiores evoluídas necessitamos que nos imponham morais exteriores, muitas vezes rígidas. Precisamos de leis fortes, demasiadas leis. Muitos querem-nos convencer que necessitamos deste emaranhado de leis confusas com que vivemos, destas leis dúbias que servem quem tem poder económico para pagar a quem as sabe contornar.
Para que o Ser se efective à Imagem e semelhança do Criador, temos de ultrapassar a criminalidade, as morais esburacadas, os sistemas legais remendados. É dentro de cada um de Nós, eticamente, que devem haver valores maiores. Uns já têm condições para avançar, outros dizem que nem têm o que comer, nem têm onde viver. Há muito para fazer. O que vamos fazer? Vamos continuar a ser espectadores? Vamos ficar parados? Vamos fazer pela parte, pela minha família, a minha empresa, e esquecer os outros? Vamos continuar a ver o futebol, a Formula 1, as novelas, os filmes, os actos dos heróis, e viver actos heróicos através de feitos alheios? Ou vamos assumir a nossa vida? Estou no “31”, outros estão no “62”, outros no “7”. O que interessa é o que se anda em relação ao ponto de partida. Nesta linha humana de cada um, o que interessa é que todas as linhas vão dar ao mesmo fim. Nem todos os caminhos vão dar ao Ser à Imagem e semelhança do Criador, mas todos os destinos de cada um vão lá dar. O que acontece é que muitas vezes não cumprimos o nosso destino. Há caminhos legítimos, respostas humanas aceites pela Physis, e caminhos ilegítimos, respostas que a Physis rejeita. Dentro dos caminhos legítimos, já sabemos, já desde o Buda Gautama sabemos que o fim do ser é a iluminação. Já sabemos que ao longo da História houve seres que vestiram a “pele de Deus”. Cristo, Buda, avatares.
A tradição judaica fala no Messias, para mim, o último dos avatares. Aquele que já não é só avatar num mundo que ainda não era o Mundo do Criador, mas aquele que é já o Ser à Imagem e semelhança do Criador no Mundo do Criador. O mundo pede-nos que sejamos melhores, a Physis exige, ou lhe damos o que Ele quer, ou somos rejeitados. Se chegarmos ao ponto do sistema já não nos querer, então é porque não nos conseguimos adaptar. A nossa resposta já não é eficaz para as necessidades. Não acredito que o ser humano não consiga crescer e adaptar-se às novas necessidades. Os seres humanos são um ser de sobrevivência. Aquilo que nos tem sido pedido (quando o compreendemos depois de explicações penosas), nós temo-lo feito. É necessário hoje, perante uma nova exigência levá-la a sério e olhá-la atentamente. O vos que peço é um momento de reflexão. Olhai a Luz no fundo do vosso coração. Olhai o brilho dos olhos das crianças. O que é que queremos para todos. O que é que queremos para os que amamos, para os que nos são próximos, e o que é que queremos para os outros. O que é que queremos para o desconhecido, para o estrangeiro, o que queremos para o estranho, para o inimigo? Vale a pena? Vale a pena essa luta? Se não enfrentarmos aquele problema ficaremos para traz. O que vos peço é um momento de reflexão, uma oração.

The end



[1] O Criador está ausente (numa reacção química, há substancias que dão origem a um novo composto e que ficam para trás, e deixam de fazer parte do novo composto. Essas substancias são dificilmente rastreadas). No entanto o seu Espirito e a sua Lei estão sempre presentes. Ao Espirito do Criador chamo Divino, a Physis, o Fogo (de Heraclito) que governa todas as coisas. O Espirito do Criador é o Gestor da sua Ordem (Dharma). Gere o processo, o desenvolvimento, a actualização de potencialidades, a selecção das espécies, insufla os nossos corações e forja as revoluções.
[2] Quando surgem avatares dá-se a materialização do Divino, a união entre os seres humanos e o Espirito do Criador( o Divino, a Physis). A união entre os seres da Obra e o Guardião da Obra (presença do Criador neste mundo).
[3] A Physis vista como Metáfora suprema, o ser que é o Gestor (“Guardião”) da Ordem do Criador neste mundo. Materializado ou não, sempre esteve connosco.
Essa Physis (a Luz, a Chama Sagrada, o apeiron de Anaximandro, o Fogo de Heraclito), com a força implacável da Lei Natural gere o Mundo pelo Criador, é presença do Criador neste mundo. É a Physis que gere a selecção das espécies, que insufla as revoluções, que marca o passo e o destino de todos os seres. É a Physis que se instala no peito dos escolhidos quando surgem Avatares, (seres divinos que aparecem quando o ser veste a “pele de Deus” (o ser Divino e não Deus, a Physis caminha por vezes entre nós).
[4] Premissa (x) – há algo que aceita ou rejeita as respostas das espécies. Esse algo é a Physis.
Premissa (y) – o que age existe de facto
Quem rejeita ou aceita as respostas age, então existe. Logo, A Physis existe de facto.

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